9 de abr. de 2014

Mais de 40 mil ocupam as ruas para pressionar o governo por avanços


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Fim do fator previdenciário, redução da jornada, Reforma Agrária, foram apenas algumas das bandeiras defendidas pelos trabalhadores na 8ª Marcha da Classe Trabalhadora na manhã desta quarta-feira (09), em São Paulo.
Cerca de 40 mil trabalhadores e trabalhadoras, rurais e urbanos, de diversas categorias e estados tingiram com as cores das centrais sindicais (CTB, CUT, CGTB, NCST, FS e UGT) as ruas do centro da cidade e marcharam da Praça da Sé, até a Avenida Paulista, no Vão Livre do Masp.
“Essa Marcha mostra o descontentamento das centrais com o tratamento que vem sendo dado às reivindicações entregues ao Congresso Nacional e para presidenta Dilma Rousseff. Não é porque apoiamos esse governo que vamos deixar de cobrar, principalmente, durante as eleições”, defendeu Wagner Gomes, secretário-geral da CTB.
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Em uníssono, os presidentes das centrais deixaram claro que na concepção do movimento sindical, a presidenta Dilma Rousseff, tem colocado os interesses dos trabalhadores em segundo plano, quando prioriza uma política econômica conservadora, em detrimento da pauta trabalhista.
“Desde a realização da Conclat, em junho de 2010, quando entregamos a Agenda da Classe Trabalhadora ao governo, temos insistido a todo instante que o governo acene com uma possibilidade de atender nossa pauta. Mas infelizmente, enquanto o mercado pressiona governo que adota a politica de elevação da taxa de juros, do cambio flutuante, os banqueiros vão acumulando mais riquezas, enquanto os trabalhadores vão se frustrando ao ver que sua pauta não é atendida”, ressaltou Araújo.
Segundo Adilson, os trabalhadores vão aproveitar a movimentação deste ano que recebe o campeonato mundial de futebol e ainda realiza as eleições presidenciais para entregar a pauta da classe trabalhadora aos candidatos à Presidência, inclusive para a presidenta Dilma Rousseff. Desta forma, as centrais sindicais pretendem pressionar o governo a dar prioridade às reivindicações trabalhistas. “O governo só tem a ganhar ao dirigir um olhar especial para a classe trabalhadora porque nós vamos lutar para evitar o retrocesso da tomada de poder pela direita e garantir a quarta vitória do povo brasileiro”.
Adilson denuncia que alguns dos grandes problemas da classe trabalhadora brasileira são a elevada rotatividade da mão de obra, o alto índice de doenças ocupacionais e em consequência o óbito. Neste sentido, uma das reivindicações é a ratificação da Convenção 158, que para ele é a forma mais eficaz de combater a rotatividade.
Opinião compartilhada Joílson Cardoso, vice-presidente da CTB. “Nessa Marcha está em jogo o desenvolvimento com valorização do trabalho e qualidade de vida para aquele que produzem, que são os trabalhadores”, afirmou.
Recado dos trabalhadores
Além de trabalhadores, a Marcha contou com a presença de parlamentares, como Assis Melo (PCdoB-RS). “Essa marcha serve para fazer o Congresso e o Governo ao ouvir os trabalhadores. Isso que leva ao avanço a pauta dos trabalhadores. Chamar a atenção do congresso e dar voz aos trabalhadores”, Assis Melo.
Para o deputado federal o mais importante da Marcha da Classe Trabalhadora é a união do movimento em defesa de pautas comuns. “A luta dos trabalhadores é importante, e só nas ruas nós avançamos em conquistas. Dessa forma nós conseguimos pressionar o Congresso para que dê ouvidos às reivindicações dos trabalhadores. Estamos lutando por bandeiras antigas, como a redução da jornada de trabalho, mas como ainda não foram atendidas vamos continuar lutando”, disse.
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Segundo Celina Arêas, secretária de formação da CTB, o mobilização serviu também para mostrar para a sociedade que os trabalhadores precisam conquistar mais direitos. “Vamos mostrar o governo que não vamos aceitar que projetos importantes da pauta trabalhista não fiquem parados no Congresso Nacional, como 10% educação, valorização das aposentadorias, fim do fator previdenciário, redução. Acreditamos que é possível conquista tudo isso, mas com muita pressão”, afirmou a sindicalista de bandeira em punho.
O ápice da mobilização aconteceu em frente ao Masp (Museu de Arte de São Paulo), onde presidente da CTB, pediu um minuto de aplausos de todos os manifestantes em homenagem aos trabalhadores que lutaram pela democracia durante a ditadura militar. “Temos que ressaltar a importância dos bravos guerrilheiros do Araguaia e de todos os sindicatos que lutaram muito para que hoje nós estivéssemos aqui fazendo esse grande ato e lutando por mais direitos.”
Objetivo atingido
Marcada pela presença da juventude, a marcha mostrou que os jovens trabalhadores estão tá comprometida com a luta por mais direitos. “A juventude marcou presença nesta atividade e mostrou que é possível conquistar mais direitos e empregos, já que o jovem é o que mais sofre com o desemprego”, salientou Victor Espinoza, secretário da Juventude da CTB.
Além de trabalhadores rurais, o Movimento dos Trabalhadores Sem Terra também marcou presença em defesa da Reforma Agrária.
“Os trabalhadores rurais vêm trazendo sua principal reivindicação que é a reforma agrária, que está paralisada no nosso país, e atualmente assenta cada vez menos famílias. Nós precisamos retomar isso dando um impulso para que todo esse projeto saia do papel, e junto com isso cada vez a valorização crescente da agricultura familiar, especialmente nesse ano, que é o ano da agricultura familiar”, destacou o cetebista Sergio de Miranda, secretário de Política Agrícola e Agrária.
Ao final da Marcha, no vão livre do Masp, com uma avaliação positiva sobre a mobilização, os sindicalistas sentiram que o objetivo foi atingido. Para a secretária de Imprensa e Comunicação a expectativa é colocar projetos importantes como a redução da jornada, fim do fator previdenciário, ainda no primeiro semestre de 2014.
Atingimos nosso objetivo de colocar mais de 40 mil trabalhadores nas ruas. Agora é tentar colocar nossa pauta em votação no Congresso Nacional e abrir o diálogo com a presidenta Dilma Rousseff, para que possamos ter ainda em 2014 respostas para nossas reivindicações”, afirmou Raimunda Gomes, secretária de Imprensa e Comunicação da CTB.
Para o presidente da CTB São Paulo, Onofre Gonçalves, a Marcha cumpriu o seu papel. “A marcha consagra todo o esforço de construção de unidade das centrais, que mais uma vez ganha as ruas e dão uma demonstração de força que abre uma perspectiva para que o governo busque o diálogo rumo ao entendimento na busca dos objetivos”, destacou o sindicalista.
Para o presidente estadual a realização da atividade foi acertada. “Fizemos uma ótima escolha por São Paulo, mas isso não exclui uma grande mobilização em Brasília, para mais uma vez pressionar o Congresso Nacional”, alertou.
Cinthia Ribas - Portal CTB

8 de abr. de 2014

Delegação da CTB Minas para 8ª Marcha das Centrais terá cerca de 200 sindicalistas





Diferente das edições anteriores da Marcha que aconteceram em São Paulo,  este ano o palco será a capital paulista







A   Marcha das Centrais que acontece nesta quarta-feira (09) em São Paulo promete ocupar as ruas da maior metrópole econômica do país com as bandeiras da classe trabalhadora. A CTB-Minas estará presente no grande ato. Três ônibus sairão de Minas nesta terça-feira com destino à capital paulista. Um de Belo Horizonte, outro de Betim – na região metropolitana de BH – e outro do Triângulo Mineiro.

A expectativa é reunir em São Paulo 50 mil trabalhadores. Em entrevista coletiva realizada nesta segunda-feira (07), os dirigentes das Centrais aproveitaram para convocar trabalhadores e trabalhadoras para a primeira mobilização unitária organizada neste ano, em defesa da redução da jornada de trabalho sem redução salarial; o fim do fator previdenciário; a correção da tabela do Imposto de Renda e a valorização do salário mínimo. O ato vai começar às 10h, na Praça da Sé, no centro, e seguirá em direção à Avenida Paulista.

O presidente da CTB, Adilson Araújo, disse está certo de que a vitrine da Copa do Mundo, paralela ao calendário eleitoral brasileiro, lançam uma perspectiva de grande efervescência política no Brasil.

Adilson Araújo reconheceu avanços sociais promovidos nos últimos anos, sobretudo, diante da grande crise que ainda acomete boa parte dos países desenvolvidos. “Em diversas ocasiões, temos a sensação de que a pressão exercida pelo sistema financeiro e pelo mercado, têm deixado o Governo bastante suscetível aos interesses patronais”, destacou.

Lançamento do Barão de Itararé em Minas Gerais


O núcleo mineiro do Centro de Estudos da Mídia Alternativa Barão de Itararé será lançado no dia 8 de abril, a partir das 19h, do Teatro da Assembleia Legislativa de Minas Gerais. A atividade inaugural contará com a presença do jornalista e blogueiro Altamiro Borges e terá como tema de discussão “os livros proibidos”, com a presença dos autores de três obras distintas que impactaram os bastidores da política em 2013.

Amaury Ribeiro Júnior, Gilson Reis e Palmério Dória comporão a mesa de debate. Eles escreveram, respectivamente, as seguintes obras: 'A Privataria Tucana', 'Desvendando Minas – descaminhos do projeto neoliberal' e 'O Príncipe da Privataria', todos abordando escândalos políticos que não tiveram repercussão significativa na grande mídia.

Com entrada franca, o evento faz parte do Ciclo de Debates Comunicação, Regulação e Democracia, promovido pela Assembleia Legislativa de Minas Gerais. O Teatro da ALMG fica situado à Rua Rodrigues Caldas, 30, em Santo Agostinho, Belo Horizonte.
Barão Minas

O Núcleo Minas do Centro de Estudos da Mídia Alternativa Barão de Itararé agrega pessoas que defendem maior pluralidade e diversidade informativa e cultural no país. O panorama atual do setor, caracterizado por concentração da propriedade dos meios de comunicação e atuação comprometida com interesses comerciais, não favorece o exercício do direito à informação por todos os segmentos da população. Direito à informação é o direito que cada cidadão tem de se informar e, ao mesmo tempo, transmitir suas opiniões e pensamentos.

O Núcleo Minas do Barão de Itararé questiona o poder da mídia comercial e valoriza as iniciativas de comunicação alternativa. Além dos jornais, rádios e TVs de caráter comunitário, a comunicação alternativa assume hoje outras feições: jornais e revistas digitais, vídeos, webradios, blogs, agências alternativas de notícias, websites colaborativos, entre outras. Novas mídias e plataformas que desafiam o poder da mídia tradicional. Mídias alternativas que se propõem a garantir o direito à informação através da comunicação plural, diversificada e comprometida com a justiça social e o interesse público.

O Núcleo Minas do Centro de Estudos da Mídia Alternativa Barão de Itararé concentra as suas atividades visando alcançar cinco objetivos:
  • Contribuir para a ampliação da militância na luta pela democratização da comunicação.
  • Fortalecer os fóruns existentes e incentivar novos espaços de atuação do movimento pela democratização da informação.
  • Reforçar as mídias alternativas, comunitárias e públicas que atuam em Minas Gerais.
  • Investir na formação de novos comunicadores, para que possam atuar em emissoras de rádio e TV comunitárias e blogs progressistas.
  • Realizar estudos sobre o papel da mídia na atualidade, em parceria com a academia e institutos de pesquisa.
Quem foi o Barão?

O Centro de Estudos da Mídia Alternativa Barão de Itararé presta homenagem ao jornalista gaúcho Apparício Torelli (1895-1971), o Barão de Itararé, um dos criadores do jornalismo alternativo no país e incansável defensor da imprensa progressista e da ética jornalística. Nos jornais A Manha e Almanaque, ele ironizou as elites, criticou a exploração e enfrentou os governos autoritários. Preso várias vezes, ele nunca perdeu o seu humor. Itararé é o nome da batalha que não houve entre a oligarquia e as forças vitoriosas na revolução de 1930.

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Coletivo Núcleo Barão Minas

Débora Junqueira – Comunicação
Jaqueline Morelo – Formação
Lidyane Ponciano – Política
Marco Eliel Santos de Carvalho – Mobilização
Thiago Moraes – Estrutura e organização

Participe!
Fanpage:
www.baraodeitarare.org.br
baraominas@gmail.com

Termina hoje (8) inscrição para ciclo de debate que acontece na ALMG sobre democratização da comunicação

Evento integra a programação da primeira Semana Estadual pela Liberdade de Expressão.

Ciclo de Debates Comunicação, Regulação e Democracia


Passar a limpo o atual quadro das comunicações no Brasil. Este é, em linhas gerais, o objetivo do Ciclo de Debates Comunicação, Regulação e Democracia, que a Assembleia Legislativa de Minas Gerais (ALMG) realiza nesta quinta (10) e sexta-feira (11/4/14), no Plenário. O evento marca ainda a primeira Semana Estadual pela Liberdade de Expressão, pela Democratização dos Meios de Comunicação e pelo Direito à Informação Pública, instituída pela Lei 20.818, de 2013. E, de quebra, o evento vai debater o projeto de lei de iniciativa popular da comunicação social eletrônica.

A Semana Estadual pela Liberdade de Expressão deve ser comemorada, de acordo com a legislação, próxima ao dia 7 de abril, data em que é celebrado o Dia do Jornalista. O requerimento para a realização do ciclo de debates foi assinado por 28 parlamentares e motivado pelo comitê mineiro do Fórum Nacional pela Democratização da Comunicação (FNDC).

Na programação dos dois dias de evento estão quatro painéis com convidados seguidos de debates. Na sequência da abertura oficial, às 9 horas da quinta-feira (10), acontece o primeiro painel: “Liberdade de expressão e sistemas de regulação”. À tarde, a partir das 14 horas, será a vez do painel “Democratização dos meios de comunicação e participação da sociedade”. No dia seguinte, às 9 horas, a discussão envolverá o tema “Marco Civil da Internet”, e, às 14 horas, “Comunicação pública: atualidade e perspectivas”.

Entre os vários especialistas convidados está, neste último painel, o jornalista Gabriel Priolli, ex-diretor de conteúdo da TV Cultura. Ele foi membro do Conselho de Comunicação Social do Congresso Nacional e é presidente da Associação Brasileira de Televisão Universitária (ABTU). Também foram convidados o fundador do projeto Software Livre Brasil, Marcelo D'Elia Branco; e a coordenadora do escritório Intervozes Coletivo Brasil de Comunicação Social, Bia Barbosa.

Outro assunto relevante a ser tratado no ciclo de debates é o projeto de lei de iniciativa popular sobre a comunicação social eletrônica, ainda em discussão no âmbito federal. A proposta, que tem sido discutida pela sociedade civil organizada, tem como objetivo regulamentar normas da Constituição Federal relacionadas ao setor da comunicação, em especial rádio e televisão. Uma das suas principais características é a proibição de oligopólios e monopólios, para assegurar a pluralidade dos conteúdos veiculados e a liberdade de expressão na mídia.

Além do corpo técnico da ALMG, a Comissão Organizadora do Ciclo de Debates Comunicação, Regulação e Democracia tem outras 22 entidades parceiras, entre associações ligadas à comunicação - algumas tradicionais, como a Associação Brasileira de Imprensa (ABI) e outras alternativas, como a Casa Fora do Eixo Minas/Mídia Ninja -, sindicatos, órgãos de comunicação, órgãos públicos ligados à área, organizações não governamentais e universidades.

Inscrições para o evento vão até terça-feira (8)
As inscrições para o ciclo de debates, pessoalmente ou pela Internet, prosseguem até as 19 horas desta terça-feira (8). Para isso, o interessado deve procurar o Centro de Atendimento ao Cidadão (CAC), na Rua Rodrigues Caldas, 30, térreo, no Bairro Santo Agostinho, em Belo Horizonte; ou então por meio de formulário eletrônico disponível no Portal da ALMG. As vagas são limitadas.

O formato dos ciclos de debates realizados tradicionalmente pela Assembleia de Minas é de palestras seguidas de debates, com a palavra aberta a todos os participantes. Quem mora no interior pode acompanhar tudo pela TV Assembleia.

Mais informações - Os interessados no ciclo de debates podem obter mais informações e esclarecer dúvidas no CAC, pelo telefone (31) 2108-7800, no Portal da Assembleia ou por meio do Fale com a Assembleia. Para informações técnicas, a fonte é a Gerência-Geral de Projetos Institucionais (GPI), pelo telefone (31) 2108-7686.

Evento terá programação paralela de entidades parceiras
Uma programação paralela ao Ciclo de Debates foi organizada pelas entidades parceiras da Assembleia, também relacionadas ao tema "Democratização das mídias". Uma delas é a exposição fotográfica "As Ruas de Junho", da Mídia Ninja, com registros das mobilizações sociais nos protestos que tomaram conta do país no ano passado. Ela acontecerá no hall administrativo, desta terça (8) até sexta (11), das 7h30 às 19 horas.

Ainda nesta terça (8), acontece o lançamento do núcleo mineiro do Centro de Estudos da Mídia Alternativa Barão de Itararé, com a presença do jornalista e blogueiro Altamiro Borges. Com o tema “Os livros proibidos”, o debate terá a presença dos autores Amaury Ribeiro Júnior (A Privataria Tucana), Gilson Reis (Desvendando Minas - Descaminhos do Projeto Neoliberal) e Palmério Dória (O Príncipe da Privataria). Será às 19 horas, no Teatro da Assembleia.

Na quarta (9), às 9 horas, a Escola do Legislativo também receberá o Painel Mídia e Educação, uma discussão sobre as interfaces e desafios da relação entre esses dois tópicos, sob a organização do Comitê Mineiro do Fórum Nacional pela
Democratização da Comunicação.

E na quinta (10), a partir das 18 horas, no Espaço Democrático José Aparecido de Oliveira, a Mídia Ninja também promove a Mostra Midiativista, com a apresentação de alguns trabalhos em vídeo que se destacam na construção de narrativas livres sobre causas sociais. A modalidade conhecida como “vídeo guerrilha” se apresenta, segundo os organizadores, como exercício de cidadania e alternativa às superproduções audiovisuais, utilizando para isso as redes sociais como ferramenta de denúncia e construção de narrativa.

Por fim, ainda na quinta (10), a partir das 19 horas, também no Espaço Democrático, a Casa Fora do Eixo Minas promove um duelo de MC's pela Liberdade de Expressão. Forma de expressão artística legitimada pela cultura urbana, o duelo reunirá rappers e MC’s da Região Metropolitana de BH em uma “batalha” na modalidade freestyle. O tema proposto é liberdade de expressão, sobre o qual os jovens participantes deverão compor rimas improvisadas.

Fonte: ALMG

7 de abr. de 2014

Seminário discute política e mídia sob a ótica dos trabalhadores

Os trabalhadores e os desafios políticos, econômicos e sociais diante da conjuntura atual de Minas, do Brasil e do mundo. Este foi o tema do seminário realizado neste final de semana, em Belo Horizonte, pelo Sinpro Minas e a CTB (Central dos Trabalhadores e Trabalhadoras do Brasil).  
Para o presidente do Sinpro, Gilson Reis, é preciso fazer uma reflexão, principalmente em ano eleitoral, porque a disputa começou radicalizada. “Precisamos compreender o que está acontecendo no mundo, pois o  Brasil não é uma ilha. O que acontece lá fora reflete aqui. São muitos atores que parecem fora do processo, mas que interferem diretamente nesta disputa eleitoral, como o capital financeiro e a mídia”, afirma. Segundo Gilson, os trabalhadores precisam ter uma visão crítica da realidade. Não dá para sair postando, reproduzindo tudo que se lê ou se ouve na mídia, sem checar a veracidade, sem saber o que existe por trás, qual a intenção, a quem vai beneficiar tal informação. Estamos em ano eleitoral e não podemos confiar em determinadas mídias que são patrocinadas por grandes grupos”, explica.  

O papel da mídia também foi um dos destaques da palestra da presidente da CEBRAPAZ, Socorro Gomes. “A Mídia impõe inverdades patrocinadas pelo imperialismo, tendo como maior figura os Estados Unidos. A mídia fez este papel no caso do Saddam Hussein, acusado de ter armas químicas; fez isso com a Venezuela, colocando  o mundo contra Hugo Chaves e, agora, Maduro, sem mostrar, por exemplo, que o governo nacionalizou o petróleo e investiu pesado na saúde e na educação. O que acontece agora com a Crimeia não é diferente.  Todos sabemos que o petróleo é o centro do interesse no mundo. Assim como no Brasil, tentam acabar com a imagem da Petrobras que, no governo Fernando Henrique, correu  risco de ser privatizada. O petróleo é nossa maior riqueza. Isso desperta interesse do mundo imperialista e ameaça a nossa paz, como acontece em vários países do mundo”. 

Em sua palestra, Socorro Gomes chamou a atenção para o prejuízo que a Organização do Tratado do Atlântico Norte, OTAN, causa à humanidade. Segundo ela, a Otan é a maior ameaça à paz no mundo: “um instrumento de agressão e dominação dos povos”. 

Lançada em abril de 1949, a partir da assinatura do Tratado do Atlântico Norte entre os EUA e seus aliados europeus, a Otan empenhou-se pela expansão para o leste europeu após a dissolução da União Soviética, que se apresentava como a inimiga a ser contida – o motivo da sua existência, durante a Guerra Fria. Entretanto, com a mudança de cenário, ao invés de dissolvida, foi fortalecida cada vez mais, “tornando infinito seu poder de intervenção no mundo inteiro, contra os governos que não se submetem aos ditames da Europa e dos Estados Unidos. A Otan tem uma folha de crimes enorme contra a humanidade e a paz”. 

De acordo com o professor da Unicamp, o economista Anselmo Luiz dos Santos, é preciso ter conhecimento da realidade que não aparece nos  telejornais. “A partir do 2004, o Brasil teve um grande crescimento econômico. A crise internacional de 2008 prejudicou este crescimento, mas o governo agiu ao impedir que a crise afetasse a economia como aconteceu em outros países. O Brasil conseguiu diminuir a miséria, cresceu a economia, aumentou o índice de empregos, principalmente com carteira assinada, houve elevação de salários, reduziu a taxa de juros… Com certeza, há muito o que  melhorar, como saúde e transporte urbano, trânsito... Mas, realmente a mídia, em geral, mostra um quadro bem pior do que a realidade e nunca mostra os avanços”, afirma. 

Para a deputada federal Jô Morais, está disseminada na sociedade a ideia de descontrução do crescimento que o Brasil tem alcançado nos últimos anos. “Existe uma ofensiva midiática para construir uma visão de fracasso do governo Dilma. “Temos que unir forças para aprofundar a democracia. Sabemos que precisamos exigir mais, porém é preciso reconhecer os nossos avanços”, acrescenta. 
A mídia alternativa foi representada, no seminário, pelos coletivos Fora do Eixo e Barão de Itararé. De acordo com o Pablo Capilé, criador do Fora do Eixo, o governo Dilma Rousseff precisa avançar, principalmente no diálogo com a juventude e no foco maior em questões importantes como mídia e cultura.

Fonte: Sinpro-Minas

CTB Minas veicula em rádio seu apoio aos motoristas rodoviários

Está no ar, na rádio Liberdade FM, o manifesto de repudio a tentativa de extensão de jornada dos motoristas rodoviários. A proposta de alteração da lei 12.619/12 tramita no Congresso Nacional. O anúncio começou a ser veiculado nesta segunda-feira (7/4) e será transmitido alternadamente até a próxima quarta-feira (9).


Leia abaixo o texto assinado pela CTB-Minas:

A jornada de trabalho dos motoristas rodoviários poderá aumentar para até 12 horas por dia se a Câmara dos Deputados aprovar as alterações na lei 12.619/12 que regulamenta a profissão. A CTB-Minas repudia essa manobra de setores do empresariado e pede aos deputados federais que votem contra esse projeto que rasga a CLT e representa uma ameaça a vida dos motoristas e da população que utilizam a malha viária brasileira.

Central dos Trabalhadores e Trabalhadoras do Brasil

Servidores técnico-administrativos em educação da UFMG entraram em greve nesta segunda-feira (7)

Veja o material de apoio da CTB-Minas:


Classe trabalhadora marcha para construir um Brasil mais igual e justo

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No segundo ano do governo Lula, em 2004, as centrais sindicais se reuniram e organizaram a Marcha Nacional do Salário Mínimo, que levou à Brasília cerca de 5 mil trabalhadores e trabalhadoras empunhando as reivindicações da classe trabalhadora e encaminhando-as aos ministros de Estado e ao presidente da República e assim defender a criação de uma política de valorização do salário mínimo. “As centrais sindicais combinaram realizar uma marcha por ano para levar ao governo as reivindicações unificadas e dar visibilidade aos interesses da classe trabalhadora”, pondera Wagner Gomes, secretário-geral da CTB.
Em 2005, a 2ª Marcha Nacional do Salário Mínimo levou à capital federal mais de 15 mil manifestantes, ainda exigindo a criação da política de valorização do mínimo e de melhorias nas condições de vida e de trabalho, mas esta foi essencialmente de “apoio ao presidente Lula e dar o recado de que a classe trabalhadora contra a aventura golpista com alarde midiático no que taxaram de ‘mensalão’”, preconiza Wagner. Segundo o dirigente cetebista, atuando nessa marcha como presidente da CUT, “os trabalhadores se mostraram dispostos a tudo para defender o governo e continuar empunhando as bandeiras do avanço social, como a reforma agrária, fim do Fator Previdenciário, redução da jornada, sem redução do salário”, entre outros quesitos.
No ano seguinte, a 3ª Marcha das centrais levou mais de 20 mil trabalhadores à Brasília lutando por uma política de permanente valorização do salário mínimo e correção da tabela do Imposto de Renda. Já na 4ª edição da manifestação passou a ser denominada Marcha da Classe Trabalhadora (nome que permanece até hoje), em 2007, mais de 40 mil trabalhadores e trabalhadoras compareceram ao planalto central avançaram nas reivindicações aumentando o caráter classista das reivindicações e mostrando que a classe trabalhadora tem proposta de desenvolvimento para o país. Entraram em pauta a redução da jornada de trabalho, mais e melhores empregos, fortalecimento da seguridade social e a reivindicação de políticas públicas que combatessem as desigualdades sociais. Segundo Wagner, em 2007, “o movimento sindical foi fundamental para o sucesso da marcha do MST, que levou mais de 100 mil trabalhadores de todos os cantos do país a Brasília”.
A primeira com a presença da CTB como central sindical ocorreu em 2008, na 5ª Marcha da Classe Trabalhadora, que levou cerca de 50 mil manifestantes do Brasil inteiro para a capital federal. Com o lema “Desenvolvimento com Valorização do Trabalho”, as centrais sindicais em levaram ao ex-presidente Lula a defesa do emprego, a garantia de renda e medidas para evitar prejuízos à classe trabalhadora com os impactos da crise internacional deflagrada nos países ricos no ano da marcha.
“Em 2008 foi estabelecido com o governo um acordo para a aplicação de uma política de valorização do salário mínimo para vigorar até 2023 e assim aproximar o mínimo daquilo que o Dieese considera o básico para a família dos trabalhadores viverem bem”, reforça Wagner. Além disso, enfatiza ele, nesse ano foi sancionada por Lula a Lei 11.648formalizando as centrais sindicais , permitindo assim o recolhimento de impostos sindicais.
Mas para isso ocorrer, a central deverá ter filiação de, no mínimo, 100 sindicatos distribuídos nas cinco regiões, filiação de, no mínimo, 20 sindicatos em pelo menos três regiões, filiação de sindicatos em, no mínimo, cinco setores de atividade e filiação de sindicatos que representem, no mínimo, 5% do total de empregados sindicalizados nacionalmente.

Em 2009, a 6ª Marcha da Classe Trabalhadora leva a Brasília cerca de 60 mil manifestantes defendendo o projeto de lei que destina as propriedades rurais que utilizem mão de obra análoga ao trabalho escravo para a reforma agrária, os recursos do pré-sal serem utilizados para o combate às desigualdades sociais, combate à precarização do trabalho, que vinha em marcha pelo mundo como receita de combate à crise do capital mundial.
As centrais deram uma parada estratégica e não ocorreram marchas de 2010 a 2012. Em 2010 aconteceu a Conferência Nacional da Classe Trabalhadora (Conclat) que determinou a Agenda da Classe Trabalhadora e deu novos rumos ao movimento sindical. Em 2011 e 2012, as centrais sindicais realizaram juntamente com representantes do empresariado nacional o Grito de Alerta em defesa da produção e do emprego. “Os gritos foram importantes para levar milhares de trabalhadores às ruas em favor de mudanças na política econômica para valorizar a produção, a indústria, o emprego e o salário”, enfatiza Wagner.

Mais de 50 mil trabalhadores e trabalhadoras marcharam em Brasília pelo “Rumo que a Classe Trabalhadora Quer” na 7ª Marcha pelo fim do fator previdenciário, redução da jornada, 10% do PIB para a educação e para a saúde, reforma agrária, valorização das aposentadorias, ratificação das convenções 151 e 158 da OIT, regulamentação da PEC das Domésticas e mudanças na política macroeconômica.
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Wagner Gomes reforça a luta das centrais para manter a lei de valorização do salário mínimo como foi acordado com Lula para vigorar até 2023, porque o Congresso alterou para vigorar somente até 2015, mas “confiamos na presidenta Dilma em manter a vigência acertada com o ex-presidente”, acentua o sindicalista. “Mesmo sabendo que setores da base do governo trabalha para acabar com essa política já no ano que vem”, sintetiza.

Isso tudo porque no governo FHC o salário mínimo não passava de 80 dólares por mês e atualmente ultrapassa os de 300 dólares. “Por isso, setores empresariais trabalham tanto contra essa política”, reforça o sindicalista. Mas o fim dessa política pode prejudicar o desenvolvimento do país e empobrecer a classe trabalhadora. Aliás, sinaliza Wagner que nos três atos que as centrais sindicais promoveram no governo FHC só conseguiram ser recebidos pelo cassetete da polícia, “não chegando nem perto do Congresso e muito menos obtendo audiência com o ex-presidente”, denuncia.
A 8ª Marcha da Classe Trabalhadora começa nesta quarta-feira (9) na Praça da Sé, centro de São Paulo avançando nas reivindicações para mostrar o país que a classe trabalhadora quer ao levar para a rua a defesa de um modelo de desenvolvimento com distribuição de renda. As reivindicações da 8ª Marcha são:
- Igualdade de Oportunidades para homens e mulheres
-Transporte Público de Qualidade
- Não ao PL 4330 da terceirização
-10% do orçamento da União para a saúde
- Continuidade da valorização do salário mínimo
- Correção da tabela do IR
- Redução da jornada

“Com a realização das marchas, as centrais foram entendendo a cada ano a necessidade de avançar nas reivindicações, saindo de uma pauta estritamente sindical e passando a opinar sobre as políticas de governo. As centrais foram além e levaram unificadamente as propostas da classe trabalhadora sobre os rumos do governo para a valorização do trabalho e a distribuição mais justa da renda”, garante Wagner Gomes. Por isso o lema dessa marcha é Por Mais Direitos e Qualidade de Vida.
Serviço:
8ª Marcha da Classe Trabalhadora
9 de abril (quarta-feira)
Concentração na Praça da Sé, São Paulo, às 10h
Marcos Aurélio Ruy – Portal CTB

4 de abr. de 2014

Marcha mobiliza trabalhadoras rurais no Vale do Mucuri



Trabalhadoras rurais movimentaram a cidade de Teófilo Otoni nesta quinta-feira (03) com a Marcha das Trabalhadoras Rurais. Esta é a primeira edição do evento na região e reuniu mais de mil trabalhadoras do Vale do Mucuri. “O nosso objetivo é conscientizar as trabalhadoras para a necessidade de se organizarem e reivindicarem seus direitos junto aos órgãos do poder público,” destaca a coordenadora regional de Mulheres Rurais/Fetaemg, Rízia Silva Cardoso. Ela diz que a Marcha tem como foco de reivindicação maior acesso da mulher rural aos programas de saúde, além de ações que coíbam a violência contra a mulher.

A Marcha é organizada pela Fetaemg, com o apoio da Central dos Trabalhadores do Brasil (CTB), e vem acontecendo desde 2010, só que a cada ano em uma região do Estado. A primeira reuniu apenas 400 trabalhadoras. Mas com o passar dos anos a mobilização vem ganhando força e uma adesão maior das mulheres. A coordenadora da Comissão Estadual de Mulheres Rurais/Fetaemg, Alaíde Lúcia Bagetto, diz que a proposta é disseminar nas regiões a Marcha das Margaridas, evento que acontece em Brasília e reúne milhares de mulheres rurais de todo o país com uma pauta de reinvindicações ao Governo Federal. “A Marcha das Trabalhadoras Rurais tem pautas específicas, dentro da realidade de cada região. Muitas vezes, conquistamos políticas públicas a nível nacional, mas que dependem das Prefeituras para serem implementadas, então a nossa luta é também nesse sentido.” 


Bagetto ressalta que no Vale do Mucuri o foco é para a questão da saúde, cobrando melhorias, por exemplo, no Consórcio da Saúde, pois mulheres que não têm acesso a atendimento médico em seus municípios, precisam se deslocar, em alguns casos, cerca de 400 quilômetros até Teófilo Otoni para serem atendidas. “É um situação preocupante, principalmente em relação às mulheres grávidas, que em muitos casos, já encontram-se em trabalho de parto e não têm como esperar pelo atendimento em Teófilo Otoni.”

O presidente da Fetaemg, Vilson Luiz da Silva participa da Marcha das Trabalhadoras e enfatiza que é somente com a organização que as mulheres terão avanços em suas reivindicações e a iniciativa mostra que elas já têm consciência disso. O dirigente ainda destaca que os resultados já podem ser percebidos, pois muitas conquistas já foram alcançadas e muitos avanços ainda poderão surgir.

Após os quatro anos de realização da Marcha, as trabalhadoras tiveram conquistas, como por exemplo, a reativação de Conselhos Municipais, além de duas Unidades Móvel para o enfrentamento à violência contra a mulher.


2 de abr. de 2014

ARTIGO : EMANCIPAÇÃO DA MULHER Avançar, sim, retroceder, nunca!


São profundamente lamentáveis os resultados da pesquisa recém divulgada pelo Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), especificamente quanto às três principais respostas dadas pela maioria dos consultados no tópico em que se avalia a violência contra a mulher.

Os números divulgados pela pesquisa chamam a atenção negativamente, pois 65% dos entrevistados concordaram com a afirmativa segundo a qual “mulheres que usam roupas que mostram o corpo merecem ser atacadas”; outros 58,5% avaliaram que “se as mulheres soubessem se comportar haveria menos estupros” e 63% disseram que “casos de violência dentro de casa devem ser discutidos somente entre membros da família”.

Como atestaram os próprios autores do trabalho, são resultados que mostram haver uma forte tendência de atribuir às mulheres a culpa pelos casos de violência, sejam estes de natureza sexual ou não, dentro ou fora de casa.

Entretanto, numa análise mais profunda, o que se pode observar, é que estes tipos de pensamentos são um retrocesso frente às conquistas já obtidas, com muita luta pelo movimento de mulheres, em relação à proteção da mulher, como a Lei Maria da Penha, por exemplo, instrumento dos mais importantes para coibir a violência doméstica e familiar.

Em outras palavras, no pensamento de algumas pessoas ainda permanece incutida a visão de que o homem pode, à sua revelia, usar de atos de violência contra a mulher. É o que se pode perceber na resposta de 70% dos entrevistados que, embora tenham admitido que o marido que bate em mulher deva ir para a cadeia, ainda se mostram favoráveis ao fato de que as brigas entre o casal devam ser resolvidas dentro de casa, na própria família.

Ora, atribuir à postura da mulher ou à forma como se veste a responsabilidade por possíveis agressões ou estupros é, nada mais nada menos, uma demonstração de que existe uma concepção machista arraigada na sociedade, que não vê a mulher como sujeito de sua própria história, que tem autonomia e capacidade para lutar por seus direitos, mas, unicamente, como mero objeto.

Os resultados desta pesquisa revelam, resumidamente, que ainda predomina um pensamento profundamente autoritário sobre a condição da mulher, além de uma tendência de legitimar a violência e até mesmo o controle sobre seu corpo.

No entanto, estas opiniões manifestadas nesta pesquisa merecem um tremendo repúdio da sociedade como um todo e, em especial, das mulheres, que devem continuar firmes nos embates contra quaisquer tipos de discriminação ou violência (física, simbólica ou sexual), lutar por igualdade de condições e direitos e ocupar seus espaços na sociedade para superar este modelo de sociedade ainda machista e patriarcal.

Por Andréia Diniz,

Secretária-geral do Sindicato dos Metalúrgicos de Betim e Região

1 de abr. de 2014

Sinpro Minas promove Seminário "Os trabalhadores e os desafios políticos econômicos e sociais". Participe, é neste sábado (5)


Lançamento da revista Elas por Elas e entrega da Comenda Clara Zetkin



Em homenagem às mulheres, O Sinpro Minas promove no dia 4 de abril, às 20h, no sindicato, o lançamento da sétima edição da revista Elas por Elas, publicação de gênero editada  anualmente pela entidade. Também será entregue pela diretoria do Sinpro Minas a Comenda Clara Zetkin, que reconhece a importância das mulheres que contribuem para dar visibilidade, mobilizar e fortalecer a luta pelos direitos, participação política e emancipação das mulheres. 

  
Data: 04 de abril 2014
Horário: 20h
Local: Sinpro Minas
Rua Jaime Gomes, 198 – Floresta - BH

No corte da cana, trabalhadores ainda sofrem















Apesar de o uso de máquinas no corte da cana-de-açúcar ter diminuído o desgaste físico dos trabalhadores rurais, aumentou o desemprego e não reduziu problemas como lesões por esforços repetitivos, discriminação das mulheres, baixos salários e alta rotatividade, segundo pesquisa publicada pelo Instituto Observatório Social, que será lançada oficialmente hoje (1º).

De acordo com a pesquisa, a inserção de máquinas na colheita da cana diminuiu os casos de trabalho escravo e em condições degradantes, assim como os problemas ambientais decorrentes das queimadas, mas tornou a jornada de trabalho mais intensa: como a remuneração é baixa e os trabalhadores ganham por tonelada cortada, eles dificilmente fazem paradas durante o dia, mesmo para o horário de almoço ou para usar o banheiro e beber água.

A principal reclamação dos trabalhadores da colheita mecanizada é que não é possível parar as máquinas. “Eles trabalham por produção: quanto mais toneladas cortam, mais ganham. Então, no tempo que eles estão na jornada tentam diminuir ao máximo as paradas para que possam aumentar a produção e ganhar mais”, diz a coordenadora de pesquisa do Instituto Observatório Social, Lilian Arruda.

O estudo, intitulado “O comportamento sociotrabalhista da Raízen”, foi encomendado por uma central sindical da Holanda, a Federatie Nederlandse Vakbeweging (FNV), que queria investigar as condições de trabalho dos cortadores de cana em empresas com capital holandês, caso da Raízen. Os resultados já foram encaminhados para a entidade, que vai se reunir com sindicatos brasileiros para elaborar estratégias que melhorem as condições de trabalho dos cortadores de cana.

A pesquisa analisou duas unidades da empresa nos municípios paulistas de Ibaté e Ipaussu. No primeiro foram ouvidos 17 homens e sete mulheres que trabalham no corte manual, e nove homens no corte mecanizado. No segundo, foram entrevistados 14 homens do corte com máquinas, já que no município não foi encontrado corte manual. Além disso, foram ouvidos um representante da Raízen e membros de quatro associações trabalhistas do setor.

“A empresa coloca à disposição um ônibus com toda uma estrutura de água potável e banheiro, que fica parado. Os trabalhadores de Ibaté contaram que muitas vezes vão no banheiro no próprio canavial, porque muitas vezes o ônibus está longe e, como não podem parar o trabalho, acabam procurando a alternativa mais rápida”, diz Lilian.

Segundo o estudo, nem todos os trabalhadores do corte manual são incorporados à colheita mecanizada, que requer menor mão de obra. “O corte mecanizado não vai empregar todo mundo que saiu do manual. Ele não absorve todos os trabalhadores. Não há um levantamento preciso sobre o que acontece com eles, mas acreditamos que muitos vão para o cultivo de laranja e outras culturas”, afirma Lilian.

Os trabalhadores reclamaram que falta oportunidade de crescimento na empresa e que nem todos têm oportunidade de ingressar no corte mecanizado. O estudo classificou o trabalho no corte de cana como frágil e instável, já que o trabalhador não tem garantia de que será chamado para trabalhar na próxima safra.

“O cansaço dos trabalhadores e trabalhadoras das atividades relacionadas ao corte manual da cana é evidente. Expostos ao sol forte e calor durante todo o dia, com roupas pesadas para se proteger dos riscos que correm e realizando uma atividade extenuante, o esgotamento físico é inevitável”, diz o estudo. “Trata-se de um trabalho exaustivo e perigoso e, se nem sempre escravo, muitas vezes degradante, que leva muitos trabalhadores à invalidez precoce”, diz a pesquisa.

 Problemas antigos

Os avanços no setor não conseguiram resolver velhos problemas de trabalho no corte de cana. Em um deles, destacado no estudo, é elevada a quantidade de trabalhadores terceirizados, em principal na unidade de Ibaté. O caso provocou uma ação civil pública do Ministério Público em 2012 contra a empresa, alegando que a colheita é sua atividade-fim e que por isso não pode ser terceirizada, tomando como base a legislação brasileira.

A falta de transparência na pesagem e na remuneração da produção também foi um problema apontado: nenhum dos trabalhadores terceirizados soube dizer como é calculado o valor da produção, nem quais os critérios da empresa para medir a produtividade. “Eles não têm muita noção de como é feita a pesagem, do quanto entregam e do quanto a empresa paga por tonelada. É preciso deixar claro para eles quanto produzem e qual o preço da tonelada”, diz Lilian.

As mulheres do setor estão em condições mais precárias de trabalho do que os homens, sendo que a pesquisa não identificou nenhuma mulher trabalhando no corte mecanizado de cana-de-açúcar. A empresa declarou não ter nenhum programa para combater a desigualdade de gênero, apesar de sua Política de Desenvolvimento Sustentável pregar que é preciso “oferecer oportunidades iguais a todos os funcionários e candidatos a emprego, promover a diversidade e garantir que não ocorra discriminação”.

A principal função das mulheres no setor é recolher o talo da cana-de-açúcar, chamado popularmente de bituca, que é deixado para trás pela máquina na hora do corte. A pesquisa considera que elas são “alijadas das oportunidades de trabalho na colheita mecanizada”, “ganham proporcionalmente menos”, e as atividades que desenvolvem são “menos valorizadas”.

“Para o corte manual havia uma diferença física, mas elas não são incluídas no corte mecanizado”, critica a coordenadora de pesquisa do Instituto Observatório Social. “O trabalho mais exaustivo e degradante é exercido por mulheres. Vemos aí uma diferenciação de gênero.”

 
FONTE: Rede Brasil Atual