23 de mai. de 2016

Paulo Moreira Leite à CTB: "Acredito que podemos reverter esse golpe"


"Acredito que podemos reverter esse golpe", afirmou o jornalista Paulo Moreira Leite durante entrevista ao Portal CTB direito do 5º Encontro dos Blogueiros e Ativistas Sociais (#5BlogProg), que teve início esta sexta-feira (20) e foi até o domingo (22). 
Ao lado da jornalista Laura Capriglione, dos Jornalista Livres, e do jornalista  Marco Weissheimer, do Portal Sul21, Paulo Moreira Leite falou sobre o golpe, a disputa política e a luta pela democratização da comunicação.

Para o apresentador do programa Espaço Público, o "golpe não deve ser surpresa para ninguém. Desde 2013, já se falava da ameaça de ruptura institucional. O próprio Ricardo Melo, diretor-presidente exonerado da EBC pelo governo interino de Temer, também já havia afirmado, em julho de 2015, que havia um golpe em marcha", externou. E completou: Temos um Congresso comprado que destituiu uma presidenta que não cometeu crime algum. O Brasil está refém do Congresso mais conservador desde 1964 e uma dos mais corruptos da história".
Leite destaca que "é preciso galvanizar a onda de atos pró-democracia. O governo interino já sente o impacto desses atos e eles crescem a cada dia. Penso que para não se perder esse momento de mobilização, é preciso construir uma grande campanha, nos moldes das Diretas Já, para unificar cada vez mais o país e assim contruir um horizonte de resposta aos golpistas de plantão".
Impacto da comunicação alternativa 
Na mesma linha, a jornalista Laura Capriglione falou da resistência pelo Brasil e sobre o papel da comunicaçào alternativa nesse processo. "As redes sociais são uma novidade na atual conjuntura. Se eles [oposição e grande midia] têm a máquina, nos temos o coletivo. Estamos reinventado o jornalismo e contruindo uma contra-narrativa ao golpe e ao conservadorismo", destacou ela.
Capriglione lembra que vivemos uma realidade muito diferente da vivida pelo golpe de 1964 e a comunicação ampla e horizontal tem central nesse momento. "Creio que esse encontro pode contribuir para fortalecer o jornalismo colaborativo, viral e horizontal. A estratégia de redes deve ser usada para sair do nosso gueto, com credibilidade, profundidade e reponsabilidade. Só assim iremos longe".
Portal CTB - Joanne Mota
*Foto destaque: Eder Bruno. 

Presidenta Dilma no #5BlogProg: "Resistirei em defesa da democracia e dos direitos"

A presidenta Dilma Rousseff marcou presença, nesta sexta-feira (20), no 5º Encontro dos Blogueiros e Ativistas Sociais (#5BlogProg), que acontece em Belo Horizonte e conta com a participação de mais de 500 blogueiros e blogueiras de todas as regiões do país. A fala de abertura foi realizada pela coordenadora nacional do Fórum Nacional de Democratização da Comunicação (FNDC), Renata Mielli, que destacou a luta pela democracia, os retrocessos que o país testemunha com o governo interino de Temer e a centralidade da defesa da democracia.
Dilma foi recepcionada por cerca de 30 mil pessoas na porta do hotel Othon Palace. "Não há palavras para dizer o que senti ao chegar e ser recebida com tanto carinho", externou a presidenta emocionada.  
"Digo para vocês, irei resistir, lutarei em todas as instâncias pela democracia e pelos direitos", reiterou Dilma após o evento em coletiva a um grupo de blogueiros e blogueiras. Durante sua fala, a presidenta denunciou que o governo biônito tenta isolá-la de todas as formas. "Eles estão atacando ferozmente todas as conquistas que alcançamos nos últimos 14 anos", apontou.
Ao falar sobre o golpe dado na democracia, a mandatária indicou que essa "ofensiva contra o país tem endereço, telefone e impressão digital". E mais: “Os jornais não conseguiram ocultar a presença dessa pessoa (Eduardo Cunha) nas decisões da Câmara. Ele comanda tudo o que é aprovado lá. Por isso, o Congresso e suas comissões estão parados desde o começo do ano, mas a mídia silencia".
Onda conservadora
Dilma também externou sua preocupação com a onda conservadora no Brasil que se reflete na composição do Congresso Nacional e impusliona a crise política. “Cunha conseguiu colocar cerca de 230 deputados de sua confiança na Câmara, o que travou o funcionamento do país e sabotou nossas tentativas de combater a crise, gerando instabilidade Nenhuma Comissão da Câmara ou Comissão Mista (com deputados e senadores) conseguiu prosperar este ano. Só a do impeachment”, disse. 
Geral vai descer
O rapper Flávio Renegado marcou presença também no encontro e destacou que a luta segue contra esse governo golpista. E mandou recadinho especial ao presidente interino direto do ‪#‎5BlogProg‬.
 Na mesma linha, Gilson Reis, da direção da CTB Minas e vereador pelo (PCdoB/MG), parabenizou a realizou do encontro e reafirmou "os trabalhadores e trabalhadoras do Brasil não reconhecerão nenhum governo golpista. Seguiremos firmes na luta pelo Brasil e pela nossa democracia". 

17 de mai. de 2016

Não vai ter arrego: Movimento Fora Temer será cotidiano em Belo Horizonte



Se de um lado a ofensiva contra os(as) trabalhadores(as) já toma as manchetes dos jornais nessa primeira semana de governo ilegítimo, a resistência dos movimentos sindicais, populares e estudantis prometem não deixar a vida fácil para os golpistas. A primeira manifestação na capital mineira reuniu de maneira quase espontânea 5 mil pessoas em torno do Fora Temer no último domingo(19) na Praça da Liberdade. Aliado a este movimento, a Frente Brasil Popular (FBP), que participou do protesto, prepara uma agenda diária de lutas.  

A CTB e demais entidades que compõem a FBP não saíram das ruas desde que os golpistas começaram a conspiração para derrubar a presidenta Dilma e com ela os direitos sociais no Brasil. Além dos atos públicos e passeatas, tomam conta da agenda de resistência as ocupações com diálogo permanente com setores importantes da sociedade que estão diretamente ameaçados com o golpe. Deu início a esta resistência, o acampamento na praça da Liberdade que durou todo o período de tramitação da admissibilidade do impeachment no Congresso Nacional. Agora, ocorrem as ocupações Mata Machado na Faculdade de Direito da UFMG, Tina Martins no antigo prédio da faculdade de Engenharia também da UFMG e na Funarte.




Veja a seguir  agenda de resistência ao golpe:

17/5 – terça - 19h – reunião das mulheres - na CUT-MG;

18/5 – quarta - 14h - Dia Nacional de Luta Antimanicomial – “Eles passarão, Nós passarinho – Não ao golpe!” - concentração Praça da Liberdade com desfile / leitura de carta em frente Prefeitura;

18/5 – quarta -17h - Oficinas de materiais para o Ato Fora Temer - Ocupação Funarte e Direito;

Dia 19/5 – quinta - Ato Fora Temer - concentração 17h - Praça Afonso Arinos - marcha até ocupação da Funarte;

Dia 22/5 – Domingo - Ato no Aglomerado da Serra – 9h30 – Praça do Aglomerado

Dia 23/5 – Segunda - Plenária Municipal da Frente Brasil Popular – no Sindieletro – 19h

Dia 24/5 – Terça - Plenária Saúde Popular – no Sindibel – 19h

Acompanhe diariamente as agendas das Ocupações Mata Machado Direito UFMG, Tina Martins e Funarte


Veja também a entrevista concedida pelo presidente da CTB-MG, Marcelino Rocha, para a TV ALMG sobre o golpe no Brasil: 




FORA TEMER USURPADOR!!!


"O desmonte do Estado já começou. O momento é de mobilização", diz Adilson Araújo


A coordenação Nacional da CTB se reuniu na manhã desta terça-feira (17) para debater a luta em curso no país pelos direitos sociais e trabalhistas e contra o governo golpista de Michel Temer. Lideranças sindicais de diversos estados e representantes dos rurais, dos metalúrgicos, dos portuários, da previdência social, saúde, educação e relações internacionais realizaram uma análise da conjuntura política e econômica e traçaram os rumos para o movimento sindical diante do avanço neoliberal no país.
Para o presidente da CTB, Adilson Araújo, o momento deve ser de mobilização e orientação do que está em jogo. "Temer já iniciou o desmonte do Estado, com privatizações, cortes dos investimentos públicos, retirada brutal de nossos direitos", alertou o líder cetebista.
Gilson Reis, presidente do Sinpro Minas, fez um alerta sobre a ampliação da Desvinculação das Receitas da União, que deve retirar mais recursos da saúde e da educação. "Esta é a alma do que se chama de estado mínimo, ou seja, gastar menos com as políticas públicas, para poder gastar mais com o capital rentista, através dos juros exorbitante praticados no Brasil. A lógica por trás destes dois setores, saúde e educação, é que eles são os que mais têm investimento do estado brasileiro", diz ele. "O Brasil precisa resgatar um princípio básico. Educação e saúde são direitos constitucionais. Direito do cidadão e dever do estado. E não podemos arredar um palmo dessa nossa concepção". 
O secretário de Política Agrícola e Agrária da CTB, Sérgio de Miranda, classificou a extinção do Ministério do Desenvolvimento Agrário como um prejuízo muito grande aos trabalhadores e trabalhadoras rurais, em especial à agricultura familiar. "Víamos esse ministério como uma conquista. O Brasil tem duas agriculturas, tem a grande agricultura comercial, de exportação, mas tem a agricultura familiar, que é responsável por 70% da produção de alimentos e 84% da mão de obra ocupada no meio rural", diz ele.
O MDA foi incorporado pelo Ministério de Desenvolvimento Social, originalmente criado para tratar dos temas relacionados à assistência social, como o programa Bolsa Família. O demonte dos direitos sociais se reflete em todos os setores sendo uma preocupação da maioria dos dirigentes da CTB presentes, entre eles José Bonfim, presidente do sindicato dos metalúrgicos de Camaçari, na Bahia, e José Adilson Pereira, presidente do sindicato dos estivadores do Espírito Santo. 
"Toda a estrutura está sendo montada a favor dos patrões, com a função de modificar e flexibilizar a CLT e retirar direitos. É um novo golpe, agora contra a classe trabalhadora", diz Bonfim. José Adilson diz que as ameaças de privatização e terceirização de serviços nas zonas portuárias se tornam mais concretas agora e devem contar com mais mobilização da categoria.
A reunião deverá apontar caminhos para a luta, por exemplo, de uma reforma de um previdência pública e inclusiva, a criação de comitês de defesa da CLT, a construção de um dia nacional de luta para denunciar o pacote de maldades que já está sendo implementado por Temer, entre outras ações
Nesta semana, um seminário sobre a previdência, saúde e terceirização tentará cumprir seu papel de municiar as lideranças sindicais com informações sobre como a reforma previdenciária, a ingerência sobre o SUS ou o avanço da terceirização vão impactar negativamente a classe trabalhadoras e quais os caminhos para barrar este avanço nesta conjuntura tão desfavorável.
O secretário de relações internacionais, Divanilton Pereira, e o assessor político da presidência, Umberto Martins, chamaram atenção para as conexões internacionais do golpe e as possíveis e drásticas consequências que recairão sobre a geopolítica da América Latina.  
Portal CTB 

Elenco de filme brasileiro denuncia golpe no Festival de Cannes. Assista!


CULTURA & MÍDIA
A sessão de gala de "Aquarius", filme brasileiro protagonizado por Sônia Braga e que concorre à Palma de Ouro no Festival de Cannes 2016, foi marcada nesta terça-feira (17) por protestos contra o governo interino de Michel Temer.
Ao chegar ao topo da escadaria que leva ao Palácio dos Festivais, o diretor Kléber Mendonça Filho, os atores Humberto Carrão e Maeve Jinkings e outros integrantes da equipe mostraram cartazes com frases em inglês e francês com dizeres como "O mundo não pode aceitar este governo ilegítimo", "Um golpe está acontecendo no Brasil", "54.501.118 de votos foram queimados", "Misóginos, racistas e impostores como ministros", e "Dilma, vamos resistir com você". Assista ao vídeo. 
Ainda no topo das escadas, Thierry Fremaux, diretor do festival, fez uma pausa no protocolo e pediu que a equipe do evento filmasse os cartazes.
A presidenta eleita, Dilma Rousseff, agradeceu a manifestação dos artistas em sua página no Facebook e reproduziu o vídeo. "Agradeço o apoio, no tapete vermelho do Festival de Cannes - Page Officielle, do elenco do Aquarius - Filme, do diretor Kleber Mendonça Filho, que saiu em defesa da democracia e alertou o mundo para o golpe de Estado que ocorre no Brasil. Envio a todos um beijo carinhoso em nome da democracia", disse o comunicado.
Durante a passagem pelo tapete vermelho, outros convidados e membros da equipe também empunharam cartazes com frases como "Nós resistiremos", "O povo não pode aceitar um governo ilegítimo", e "O Brasil não é mais uma democracia". Depois da entrada na sala de exibição, os convidados do filme estenderam uma faixa com a frase "Stop the coup in Brazil" (parem o golpe no Brasil).
Na sala de imprensa do festival, jornalistas que acompanhavam o evento por um telão aplaudiram em apoio.
"Aquarius", dirigido por Kléber Mendonça Filho ("O Som ao Redor"), é protagonizado por Sonia Braga como uma crítica de música aposentada que trava uma disputa contra um empresário que quer demolir seu prédio, último de seu estilo em Boa Viagem, no Recife, para construir um novo empreendimento.
 
Portal CTB com agências

16 de mai. de 2016

Estadão erra; para CTB, debater pacote de maldades é admitir traição à classe trabalhadora


 
O impresso Estado de São Paulo (Estadão) erra mais uma vez, ao publicar, neste domingo (15), na reportagem "Temer convoca centrais sindicais para discutir reforma da Previdência", que a Central dos Trabalhadores e Trabalhadoras do Brasil (CTB) estaria presente em reunião com o interino, Michel Temer.
 
A CTB reitera que não se reúne com governo golpista. "Diante da evidências, a proposta de reforma da Previdência de Temer prevê aposentadoria no caixão. A CTB tem muita clareza dos riscos e, diferente de alguns setores do movimento sindical, não se dispõe a segurar na alça da traição", avisou Adilson Araújo, presidente da CTB.
 
Portal CTB - Joanne Mota

Movimento sindical da América Latina denuncia golpe no Brasil

 
O impeachment contra a presidenta Dilma Rousseff tem repercutido em todo o mundo. Vários países já se manifestaram sobre a legitimidade do processo que afastou a presidenta democraticamente eleita por mais de 54 milhões de brasileiros.
 
Os governos da Venezuela, Cuba, Chile, Bolívia, Equador, Uruguai, Nicarágua, El Salvador assim como blocos como a Alba (Aliança Bolivariana para os Povos de Nossa América) e Unasul (União das Nações Sul-americanas) já manifestaram sua preocupação com a conjuntura política do país e seu seu repúdio à quebra da democracia.
 
No último Sábado (14), o presidente salvadorenho Sánchez Cerén declarou que não reconhece o governo interino de Michel Temer (PMDB) e chamou a embaixadora Diana Vanegas, de volta ao país. Mesma atitude de Nicolás Maduro, presidente da Venezuela, que pediu ao embaixador do país no Brasil, Alberto Castellar, para retornar a Caracas. O Uruguai também afirmou que não pretende reconhecer este governo.
 
Movimento Sindical
 
Entidades sindicais em todo o mundo também têm manifestado seu apoio à classe trabalhadora brasileira. Durante toda a semana, a CTB recebeu mensagens de apoio à população e em rechaço ao golpe. 
 
A Federação Sindical Mundial (FSM), por meio de seu secretário-geral, George Mavrikos, expressou “Manifestamos a nossa solidariedade com a CTB e apoiamos as lutas e os seus esforços contra a manipulação de um pequeno grupo de pessoas”.
 
Em nota, a Central Bolivariana Socialista de Trabalhadores e Trabalhadoras (CBST) manifestou:  “Repudiamos total e categoricamente esta infame provocação que sem nenhum escrúpulo pretende jogar por terra os imensos avanços”. 
 
Mesma posição dos movimentos sociais entre eles a Central do Trabalhadores de Cuba (CTC) “As organizações sociais e de massa da Revolução Cubana que acompanhamos os esforços articuladores e de luta por justiça social e unidade continental, manifestamos nossa indignação e repúdio ao golpe de Estado parlamentar”.
 
Já a central uruguaia PIT-CNT denunciou a ameaça que o golpe no Brasil pode gerar em toda a região. “A sorte de todos os povos de Nossa América correm perigo. Convocamos todo o povo uruguaio a manifestar sua mais ampla solidariedade com o povo brasileiro”.
“Nos somamos à voz de protesto de milhões de cidadão no mundo e em especial à classe trabalhadora do Brasil que está defendendo a vontade popular expressa nas urnas”, declarou a Central Nacional de Trabalhadores Panamá (CNTP) demonstrando seu repúdio ao golpe.
 
Érika Ceconi - Portal CTB

13 de mai. de 2016

Adilson Araújo: Governo golpista não merece e nem terá trégua


Foi consumado pelo Senado na madrugada desta quinta-feira, 12 de maio de 2016, o golpe de Estado travestido de impeachment que afastou Dilma Rousseff da Presidência da República, colocando no cargo o vice conspirador Michel Temer.
Sob a liderança de Eduardo Cunha na Câmara e Renan Calheiros no Senado, o Congresso Nacional cometeu uma grave injustiça contra uma presidenta honesta, que não praticou crime algum, afrontando a Constituição e o Estado Democrático de Direito, bem como comprovando o diagnóstico de que temos o Congresso mais reacionário da nossa história pelo menos desde o golpe militar de 1964. Cunha, um notório corrupto, fez o serviço sujo e foi defenestrado logo após, descartado como um bagaço de laranja.
O governo instalado em Brasília, com Temer à frente e muitas figuras carimbadas com o rótulo da corrupção, não foi consagrado pelas urnas. Não tem o apoio do povo e é rejeitado pelo grosso dos movimentos sociais, forças e personalidades democráticas, patrióticas e progressistas do país. Carece de legitimidade e, por tudo isto, será contestado. Não merece e nem terá trégua nas ruas.
Retrocesso neoliberal
Temer e sua camarilha de traidores e oportunistas representam os interesses da burguesia, dos latifundiários e do imperialismo. Tais foram as classes sociais que estiveram (agora como em 1964) por trás da conspiração golpista, que respaldaram e financiaram fartamente. A mídia capitalista, que carrega um DNA antidemocrático e antinacional, teve papel fundamental, ao lado se setores do Judiciário, do Ministério Público e da Polícia Federal.
É preciso lembrar que a ofensiva conservadora para desestabilizar o governo Dilma começou em 2013 após as manifestações de junho, que foram manipuladas pela direita, tendo prosseguido na esdrúxula campanha “Não vai ter Copa” e sendo intensificada após o resultado do pleito de 2014, que nunca foi aceito pela oposição.
Derrotada nas urnas, a direita neoliberal volta ao poder por meio do golpe. O propósito declarado é interromper o ciclo político iniciado por Lula após as eleições de 2002 e continuado por Dilma, orientado por um projeto nacional democrático e popular, de forma a impor o retrocesso neoliberal.
 CLT, pré-sal, movimentos sociais
O programa dos golpistas (explicitado no documento intitulado “Ponte para o Futuro” do PMDB e nos “15 pontos” do PSDB) é uma ameaça aos direitos da classe trabalhadora (e não só às conquistas acumuladas ao longo dos últimos 13 anos), à soberania nacional e à democracia.
Temer promete flexibilizar os direitos trabalhistas, expondo os contratos de trabalho ao arbítrio do mercado ao estipular o primado do negociado sobre a Lei. Trata-se, em essência, do mesmo projeto de reforma trabalhista encaminhado pelo governo FHC ao Congresso Nacional, que chegou a ser aprovado na Câmara Federal, mas foi arquivado por Lula logo após a posse em 2003. Seria o fim da CLT.
É por esta e outras razões que Temer não será uma ponte para o futuro, como enganosamente propaga, mas uma ponte para o retrocesso ao passado neoliberal que muitos julgavam enterrado. Defende ainda a terceirização generalizada da economia e a fixação da idade mínima para aposentadoria. A subordinação da Previdência ao Ministério da Fazenda é relevadora das intenções nefastas do capitão do golpe.
O governo golpista afronta também a soberania nacional ao declarar o objetivo de mudar o marco regulatório do pré-sal e entregar nosso petróleo à livre exploração do capital estrangeiro. Com José Serra à frente do Itamaraty veremos, muito provavelmente, o esvaziamento do Mercosul, Celac e Brics, o abandono da política de integração latino-americana e a restauração da diplomacia dos pés descalços subalterna aos EUA.
Finalmente, é de se esperar uma ofensiva autoritária contra os movimentos sociais que devem reagir com energia ao programa de retrocesso que os golpistas serviçais da burguesia e do imperialismo pretendem impor. Certamente vão procurar criminalizar as lutas e os movimentos sociais.
Mas não nos intimidarão. Não vamos recuar. Não vamos arriar nossas bandeiras. Nosso compromisso é redobrar os esforços de conscientização e mobilização da classe trabalhadora e do povo brasileiro contra o retrocesso neoliberal e em defesa da democracia, da CLT e da soberania nacional. Fora Temer!

Adilson Araújo, presidente da CTB (Central dos Trabalhadores e Trabalhadoras do Brasil)

12 de mai. de 2016

Mesmo sem crime, Senado consuma golpe e afasta presidenta eleita com 54 milhões de votos


Na manhã desta quinta-feira 12, a presidenta eleita Dilma Roussef (54 milhões de votos) foi afastada de suas funções pelo Senado federal após 20 horas de debate e votação, em que a maioria dos senadores acatou a admissibilidade do processo (55 votos favoráveis a 22 contrários).
Ela deixa o cargo provisoriamente até 180 dias, é instaurada uma investigação no Senado e uma nova sessão (a ser marcada pelo Supremo) ratificará (ou não) a decisão. Dilma, sem ter cometido nenhum crime, recebeu a punição mais severa que uma república supostamente democrática reserva aos seus governantes: o impeachment.
E este dia e noite tão tristes entrarão para a história como uma das passagens mais vergonhosas da trajetória política brasileira: quando homens públicos, em flagrante desrespeito aos princípios constitucionais, encenaram uma farsa movida a interesses escusos - machismo e misoginia aí incluídos - para retirar do poder uma governante honesta, sem comprovação de crime de responsabilidade e, assim, encerrar um ciclo progressista e popular de 13 anos. 
A sala e a senzala
Como disse a senadora do Piauí, Rosana Sousa, em seu ótimo discurso, a decisão de que Dilma sairia do poder a qualquer custo foi tomada primeiro, três meses depois de a oposição ser derrotada nas urnas.
A partir daí, buscou-se desesperadamente o crime que justificasse seu afastamento. Na falta de algo que a comprometesse, elegeram as pedaladas fiscais como crime de responsabilidade - um mecanismo amplamente utilizado na política nacional e nas gestões estaduais.
Os detentores do poder econômico manobraram afinados com a mídia, judiciário, polícia federal, Fiesp e organismos internacionais, fizeram reuniões em QG particular em São Paulo, receberam convidados ilustres, em uma intrincada conspiração golpista que agora chega a seu desfecho.
A senadora citou a clássica fábula do lobo e o cordeiro: "O lobo sempre vai comer o cordeiro. Se motivo não houver, inventará um", e denunciou as artimanhas do poder econômico. "Eles deixaram os pobres e negros entrarem um pouco na sala, mas já estão mandando todos de volta para as senzalas", disse.
Repressão policial em Brasília
Este golpe vem sendo tramado pela oposição há quase um ano e meio e, salve alguma reviravolta política ou jurídica, instala agora no país o governo ilegítimo de Michel Temer, com amplo apoio do PSDB e dos tipos mais reacionários deste país.
Como notou o jornalista Gabriel Priolli, começa um regime de incertezas, “em que garantias constitucionais serão exercidas seletivamente, em benefício dos donos do poder e prejuízo de tudo que representar as forças populares”. 
A começar por toda e qualquer manifestação popular - a Polícia Militar do Distrito Federal reprimiu com violência os protestos em Brasília, com uso de gás lacrimogênio e balas de borracha, o que parece simbólico neste momento de ruptura democrática.
Na agenda autoritária e de exclusão social de políticos como Ronaldo Caiado, Cássio Cunha Lima, Magno Malta, entre outros, não podem faltar: a repressão aos movimentos sociais, o desprezo pela cultura e pelos direitos humanos, o desmonte dos programas sociais (que voltarão a ser apenas esmolas aos pobres, como ocorreu nos tempos de FHC), a subordinação da política externa aos desígnios dos EUA, a desconstrução das políticas de integração latino-americana, a extinção das políticas de fomento à agricultura familiar e o fim do diálogo permanente com os movimentos sindicais e sociais.
Legado valioso 
Uma agenda nefasta que é o avesso de todas as ações que se tornaram marcas da administração de Dilma Rousseff. Na abertura da Conferência de Políticas para as Mulheres, um dos últimos eventos oficiais de que participa, a presidenta eleita Dilma Rousseff declarou que carrega consigo “a força dos homens e mulheres que se tornaram sujeitos de seus direitos. A força de vida dos 36 milhões de brasileiros que saíram da pobreza, dos 11 milhões que hoje moram em casa própria, dos 4 milhões que fizeram o ProUni e todos aqueles filhos de pedreiros que viraram doutores”, e seguiu enumerando muitas das conquistas que suas gestões e as de Lula proporcionaram aos brasileiros e brasileiras.
Caberá aos movimentos sociais e sindicais e à toda sociedade brasileira reforçarem a luta para preservar estas conquistas e a democracia.

Natália Rangel - Portal CTB

4 de mai. de 2016

Pela democracia, mineiros(as) acampam na Liberdade e participam de aulão sobre impacto Plano Temer





A simbólica Praça da Liberdade,  na região centro-sul de Belo Horizonte, está ocupada e recebe uma série de atividades que demarcam a resistência ao golpe e a defesa pela democracia no País. Na noite desta terça-feira (03/05), a programação foi um aulão sobre a “Ponte para o futuro”, proposta encabeçada pelo vice-presidente Michel Temer e os golpistas que querem anular as eleições presidenciais sem nenhuma motivação constitucional. O projeto, que mais parece uma ponte para o passado é ameaça direta para a classe trabalhadora. Esse foi o debate traçado na aula proposta pela Frente Brasil Popular em conjunto com a CTB-Minas, CUT-MG, MST, MAB, sindicatos, movimentos populares e estudantis. 


A aula foi dada pelo vereador Gilson Reis (PCdoB), pela presidente da CUT-MG, Beatriz Cerqueira e pelo técnico do Dieese, Frederico Melo. Foi feita uma retrospectiva dos momentos que levaram o Brasil para essa realidade preocupante que pretende levar a ruptura do projeto popular construído nos últimos anos e até o enfraquecimento das instituições democráticas. O técnico do Dieese apontou as ameaças à soberania nacional, às leis trabalhistas e a previdência em cada ponto do documento apresentado por Michel Temer.  

O acampamento iniciou no dia 1o de Maio, após a passeata do Dia do Trabalhador(a) na capital mineira.  A ideia dos organizadores é mantê-lo até o dia 11 de maio, dia da votação no processo de impeachment no Senado.   Os aulões acontecem todos os dias, sempre às 18h30 com temas importantes para entender a conjuntura atual. 


Veja a programação para os próximos dias: 

Quarta – dia 4 de maio
18:30h Aulão público – Petrobrás, pré sal e energia: ameaça a soberania nacional

Quinta – dia 5 de maio
18:30h Aulão público – Oligopólio dos meios de comunicação, entendendo o golpismo em curso

Sexta – dia 6 de maio
18:30h Aulão público – Mulheres pela democracia

  

3 de mai. de 2016

Debate sobre riscos do Plano Temer será organizada na Praça da Liberdade





As mobilizações de resistência contra o golpe não dará arrego aos golpistas. Nesta terça-feira (03) a Frente Brasil Popular em Minas Gerais convoca para debate na Praça da Liberdade sobre o Plano Temer e a ameaça aos direitos dos Trabalhadores(as).  O debate acontece às 18h30.

No domingo, Dia Internacional do Trabalhador, Minas Gerais também foi palco de diversas manifestações contra o golpe. Na capital, o protesto teve inicio na Praça Afonso Arinos, e seguiu em caminhada até a Praça da Liberdade. A organização do ato foi discutida na Frente Brasil Popular, formada por movimentos sociais, sindicais, partidos políticos e organizações progressistas.  Na manhã, a CTB participou ainda do tradicional Ato Político na Praça da Cemig, em Contagem.




No final do dia que marcou um dos mais emblemáticos Dia do Trabalhador do país, diversos manifestantes  montaram barracas e construíram o Acampamento pela Democracia #Ocupealiberdade onde acontece a programação desta terça (03). 


Fotos: Jornalistas Livres

27 de abr. de 2016

Dia em Memória às Vítimas de Acidentes de Trabalho: atividades lembram tragédia em Mariana


No Dia Mundial em Memória às Vítimas de Acidentes de Trabalho, centrais sindicais, entidades de defesa da saúde do trabalhador estão convocando uma série de atividades para marcar a tragédia ocorrida em Mariana. O acidente envolvendo o rompimento da barragem do Fundão, da Samarco Mineradora S.A. (Vale/BHP) trata-se de um dos piores acidentes de trabalho e o maior desastre ambiental do país.
As atividades, convocadas pelo Fórum Sindical e Popular de Saúde e Segurança do Trabalho de Minas Gerais, o Fórum Nacional e Saúde do Trabalhador, e da Trabalhadora das Centrais Sindicais, com apoio de várias entidades e instituições, ocorrerão de 26 a 28 de abril, nas cidades de Ouro Preto e Mariana, Minas Gerais. No dia 27 as entidades realizam o "Seminário Nacional de Saúde e Segurança do Trabalhador e da Trabalhadora", em Ouro Preto/MG.
Em nota, as entidades ressaltam que a data serve não apenas para lembrar as vítimas dos acidentes e doenças relacionadas ao trabalho, mas também um momento em que os movimentos sindicais e populares reafirmam o compromisso com a luta e ações por condições dignas de trabalho, que visam impedir que acidentes de trabalho, eventos evitáveis, continuem a se repetir no país, causando mortes, sofrimento e outros danos sociais e ambientais para a população, em especial para os trabalhadores.
Números alarmantes
No dia 28 de abril os trabalhadores, do Brasil e de diversos outros países do mundo, celebram a “Memória das Vítimas de Acidentes e Doenças do Trabalho”. A data foi escolhida porque em 1969 ocorreu um acidente em uma mina nos Estados Unidos, matando 78 trabalhadores.
A partir dos anos 2000, as centrais sindicais brasileiras, passaram a realizar atividades conjuntas para marcar a passagem desse dia em todas as regiões do País, transformando-o em uma data tradicional do calendário sindical.

No Brasil, os acidentes de trabalho ostentam números de uma epidemia. Foram 5 milhões de vítimas num intervalo de apenas sete anos - entre 2007 e 2013 -, com 19,5 mil mortos e 101 mil inválidos.
As vítimas registradas neste período, segundo dados mais atuais do Instituto Nacional de Seguro Social (INSS), demonstram que os acidentes de trabalho matam seis vezes mais do que a dengue, doença sazonal que todo verão impõe aos brasileiros o medo em escala epidemiológica.
Dos 5 milhões de acidentes de trabalho registrados pelo INSS entre 2007 e 2013, quase 3 milhões foram acidentes típicos, 668 mil acidentes de trajeto e 128 mil doenças do trabalho (o 1,2 milhão restante decorreu de causas ignoradas). O estado de São Paulo responde por 34% dos acidentes, com 1,7 milhão de casos no período, seguido de Minas Gerais, com 533 mil (10,5%), e Rio Grande do Sul, com 409,8 mil (8%).
Desrespeito com a vida
Diante desse cenário crescente, neste dia 28, as entidades vão a público mais uma vez denunciar as tragédias dos “acidentes de trabalho”. De acordo com os sindicalistas, a exploração do trabalho expõe as pessoas a riscos que ocasionam acidentes e doenças do trabalho com graves consequências que mutilam e matam trabalhadores.
Esses dados dão a dimensão da irresponsabilidade patronal de desrespeito às normas de proteção à saúde dos trabalhadores e coloca para o Estado, para toda a sociedade e, em especial, os movimentos sindical e popular, importantes desafios a serem enfrentados em defesa da vida e dos direitos da classe trabalhadora.
O rompimento da Barragem de rejeitos minerais do Fundão em Mariana/MG caracteriza-se como um verdadeiro crime humano e ambiental. A tragédia ocorrida em Mariana deixa um saldo de 18 mortos (16 trabalhadores e 2 crianças); 1 trabalhador desaparecido; mais de 10 mil postos de trabalho fechados com comerciantes, agricultores e pescadores desempregados; mais de um milhão de pessoas atingidas; e a destruição da Bacia do Rio Doce.
Um crime contra a vida e contra os trabalhadores que o movimento sindical jamais deixará cair no esquecimento.
Confira programação:
AF Folder 15x21cm DiaMundialVitimasAcidentesTrabalho programacao
Dia 27 de Abril
Seminário Nacional de Saúde e Segurança do Trabalhador/a: Desafios e Perspectivas (inscreva-se)
Local: Auditório do Departamento de Geologia da Universidade Federal de Ouro Preto (DEGEO/UFOP)
Rua Nove, 857, Campus do Cruzeiro, UFOP
Ouro Preto/MG

Dia 28 de Abril
Audiência Pública da Assembleia Legislativa de Minas Gerais
Solenidade 28 de Abril - Dia Mundial em Memória às Vítimas de Acidente de Trabalho
Local: Centro de Convenções
Mariana/MG

Cinthia Ribas - Portal CTB