16 de mai. de 2019

Desemprego sobe em 14 estados no primeiro trimestre, aponta IBGE

A taxa da chamada subutilização da força de trabalho foi de 25% no primeiro trimestre do ano. Isso significa que faltou trabalho para 28,3 milhões de pessoas no Brasil, segundo os dados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua (Pnad Contínua), divulgada hoje pelo IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística).
O contingente de pessoas subutilizadas é recorde na série da Pnad Contínua, iniciada em 2012. O grupo reúne os desocupados, os subocupados com menos de 40 horas semanais e pessoas disponíveis para trabalhar, mas que não conseguem procurar emprego por motivos diversos.
O desemprego no país no período foi de 12,7%, em média. Foi a maior taxa de desemprego trimestral do país desde maio do ano passado (13,3%). O índice subiu em relação ao trimestre anterior (11,8%), mas caiu na comparação com o mesmo trimestre do ano passado (13,7%).
Segundo o IBGE, o número de desempregados no Brasil nos três primeiros meses de 2019 foi de 13,4 milhões de pessoas. Em 14 das 27 unidades da federação, a taxa cresceu em relação ao trimestre anterior. As maiores taxas foram:
Amapá (20,2%)
Bahia (18,3%)
Acre (18%)
As menores taxas foram:
Santa Catarina (7,2%)
Rio Grande do Sul (8%)
Paraná e Rondônia (ambos com 8,9%)
"O que chama atenção é o perfil de dispersão generalizada da subutilização, que é recorde em todas as regiões", disse o coordenador de Trabalho e Rendimento do IBGE, Cimar Azeredo.
Número de desalentados bate recorde
O número de pessoas que desistiram de procurar emprego também bateu recorde no primeiro trimestre. A chamada população desalentada chegou a 4,8 milhões. Desse total, 60,4% (2,9 milhões) estavam concentrados no Nordeste, de acordo com o IBGE.
Os maiores contingentes estavam na Bahia (768 mil pessoas) e no Maranhão (561 mil) e os menores, em Roraima (8 mil) e no Amapá (15 mil).
Mais mulheres desempregadas
Segundo a pesquisa, as mulheres eram maioria na população em idade de trabalhar no Brasil (52,4%), mas também eram a maior parte (52,6%) da população desocupada. Enquanto o desemprego foi, em média, de 12,7% no país, entre as mulheres a taxa foi de 14,9%. Entre os homens, foi de 10,9%.
A situação dos jovens também é difícil. A taxa de desemprego entre os brasileiros com idade de 18 a 24 anos ficou em 27,3%, mais que o dobro da média nacional.
Taxa é maior entre pretos e pardos
A pesquisa mostrou ainda que, enquanto a taxa de desemprego dos que se declararam brancos (10,2%) ficou abaixo da média nacional (12,7%), a dos pretos (16%) e a dos pardos (14,5%) ficaram acima.
No primeiro trimestre de 2019, os pardos representavam 47,9% da população fora da força de trabalho, seguidos pelos brancos (42,2%) e pelos pretos (8,9%).
O uso do termo "preto" costuma ser criticado nas redes sociais como supostamente preconceituoso, mas é a terminologia oficial da pesquisa do IBGE. O grupo mais genérico de "negros" reúne as cores específicas, "preta" e "parda", explica o IBGE.
Fonte: UOL
Foto: Divulgação/Internet

Brasil dá aula de mobilização nas ruas em 15/5. BH supera expectativas

Por Clarice Barreto*

O dia 15 de maio de 2019 ficou marcado na história do país. As inúmeras manifestações em defesa da educação pública e contra o desmonte da Previdência Social superaram as expectativas de norte a sul em todo o país. Centenas de milhares de manifestantes em todas as 26 capitais dos estados brasileiros, Distrito Federal e inúmeras cidades do interior do Brasil deram seu recado: os brasileiros não aceitam que o governo corte verbas da educação pública e rechaçam a proposta de reforma da Previdência apresentada pelo executivo federal.
As manifestações foram gestadas no interior dos movimentos estudantis e dos sindicatos de trabalhadores em educação, após medidas do governo Bolsonaro (PSL) que atacam o orçamento da educação pública e o desenvolvimento da pesquisa científica no país, e logo ganharam amplo respaldo das centrais sindicais e diversos outros movimentos sociais. O que se viu ontem nas ruas do país é que a pauta tocou a sensibilidade daqueles que defendem a educação como o grande instrumento de avanço para a soberania nacional e garantia de um Brasil mais justo e democrático.
Em Minas Gerais, foram batidos recordes históricos de presença em manifestações sociais. Belo Horizonte levou às ruas cerca de 250 mil mineiros, que demonstraram preocupação com os ataques à educação e à Previdência Social em nível federal, mas também protestaram contra o desmonte da educação na rede estadual promovido pelo governo Romeu Zema (Novo), que tem se mostrado bastante insensível à rede estadual de educação.
Segundo jornalistas dos grandes veículos comerciais da mídia presentes no ato, esta Greve Nacional da Educação pode ter sido a maior manifestação de rua no estado desde os atos de 2013. A própria Polícia Militar afirmou não conseguir estabelecer um número preciso de participantes, ao ser questionada pela imprensa mineira, devido à magnitude dos atos.
Na capital, os mineiros começaram a agenda muito cedo. Panfletagens nos principais pontos do metrô em Belo Horizonte e Contagem, bem como nas estações do MOVE, foram assumidas por sindicatos e movimentos estudantis de várias tendências ideológicas. A concentração se deu a partir das 9h30, na Praça da Estação, chamada pelas centrais sindicais, e posteriormente tomada pela comunidade da UFMG (estudantes e professores), CEFET-MG e IFETs, que estavam em assembleias próprias, mas que seguiram em marcha pela Avenida Afonso Pena para se juntarem aos demais manifestantes.
O ato seguiu pela Avenida Amazonas até a Praça Raul Soares, na região central da capital, com término às 13h. Durante o trajeto, pode-se observar a adesão de inúmeros transeuntes e movimentos de causas específicas, como indígenas, rurais, negros, LGBTQI+ e mulheres. Pela tarde, o ato seguiu para o Campus da UFMG, na Pampulha, para debate sobre a reforma da Previdência promovido pelo Sindifes (sindicato que representa os técnicos-administrativos da UFMG), com adesão das demais entidades que organizaram o evento na capital.
A unidade foi a tônica em todo o país. Na capital mineira, a manifestação foi encabeçada pelas entidades: CTB Minas, CUT Minas, CSP-Conlutas, Sinpro Minas, SindUTE/MG, SindREDE, SindCEFET, SAAEMG, APUBH, SindIFES, AdPUC, CONTEE, CNTE, ANDES, FASUBRA, FITEE, FITE, UNE, UEE, DCE-UFMG e DCE-PUC MG.
Diversos municípios no interior de Minas Gerais também marcaram forte presença nas mobilizações da Greve Nacional da Educação, entre eles Ouro Preto, Viçosa, Mariana, Diamantina, Poços de Caldas, São João del Rei, Uberlândia, Barbacena e Montes Claros.
Segundo a coordenação do movimento, o 15 de maio cumpriu um papel de relevância histórica e servirá como mola propulsora para a articulação da Greve Nacional da Classe Trabalhadora contra a Reforma da Previdência, prevista para o dia 14 de junho no país.
*Sindicato dos Professores de Minas Gerais (Sinpro-MG)
Edição: Denílson Cajazeiro
Foto: Anderson Pereira

14 de mai. de 2019

Nota de Falecimento

A Central dos Trabalhadores e Trabalhadoras do Brasil em Minas Gerais (CTB-MG) lamenta o falecimento da professora Ana Maria Guimarães. Ana faleceu no início da tarde de ontem, vítima de um infarto fulminante. Filiada ao PCdoB e integrante da CTB-MG, Ana Guimarães teve uma vida atuante em defesa da democracia e da classe trabalhadora. No período da Ditadura Militar, Ana transcrevia notícias da Rádio Albânia, veiculadas em inglês, para o português. Dessa forma, informações sobre política e conjuntura internacional censuradas pelos militares chegavam até os brasileiros. Combativa, Ana também colaborou com os militantes comunistas na Guerrilha do Araguaia e teve um papel destacado na reorganização do PCdoB. A professora Ana deixa vários alunos e sua maior aula foi, sem dúvida, a luta pela democracia. Ana, estaremos nas ruas todos os dias unidos pelos mesmos ideais. 

O velório de Ana Guimarães ocorre desde às 11h, no Cemitério Parque da Colina, em Belo Horizonte. O enterro será às 16h.

Foto: CTB-MG
Professora Ana Maria Guimarães

13 de mai. de 2019

Encontro em Varginha debate os impactos da Reforma da Previdência em Minas e no Brasil


Foi realizado em Varginha, cidade do Sul de Minas, um debate regional, na última sexta-feira, sobre os Impactos da Reforma da Previdência em Minas e no Brasil. O encontro ocorreu no Clube de Varginha, às 19h, e reuniu dezenas de trabalhadores, estudantes, lideranças políticas e sindicais da região. A diretora do Sindicato dos Professores de Minas Gerais (Sinpro-MG), Mônica Lacerda, também compareceu.

Ela afirmou que o modelo de reforma da Previdência apresentado pelo governo vai afetar drasticamente os trabalhadores, em especial as trabalhadoras, ao retirar direitos conquistados.

A diretora do Sinpro-MG explicou que hoje uma professora de educação básica do setor privado não precisa de idade mínima para aposentar desde que contribua por 25 anos, cinco  anos a menos que os homens. Após a reforma, segue a mesma regra dos outros trabalhadores e se aposenta aos 62 anos mulheres e 65 homens.

“Essas mudanças propostas pela reforma impactam de modo particular as mulheres que hoje têm critérios mais flexíveis do que os homens para se aposentar em função das desigualdades de gênero que ainda permanecem no mercado de trabalho”, disse ela.

Para exemplificar essas desigualdades, Mônica Lacerda lembrou que a taxa de desocupação feminina é superior a masculina (13,5% entre as mulheres e 10,1% entre os homens).

Ainda segundo ela, as mulheres estão em ocupações menos valorizadas que os homens nas áreas de educação, saúde, serviços sociais, comércio e serviços domésticos.

“A atual previdência funciona como um mecanismo que repara minimamente essas desigualdades”, disse ela.   

Professores e trabalhadoras rurais

A diretora do Sinpro-MG, Mônica Lacerda, lembrou que a categoria dos professores é composta em sua maioria por mulheres e o aumento do tempo de contribuição terá um impacto negativo na vida das trabalhadoras.

“Hoje, um professor do setor público se aposenta com 60 anos de idade, 30 de contribuição desde que comprove 10 anos no serviço público e cinco anos no cargo. Com a reforma, aumenta cinco anos na idade mínima e tempo de contribuição para professoras numa categoria que é composta majoritariamente por mulheres”.

Lacerda também falou sobre os impactos da reforma da Previdência na vida das trabalhadoras rurais. A idade mínima para elas passa para 60 anos, mesma idade para ambos os sexos e aumenta de 15 para 20 anos o tempo de contribuição.

"O trabalho no campo é penoso. As mulheres iniciam cedo, em média aos 14 anos de idade. Muitas, ao longo do tempo, sofrem lesões que reduzem a sua capacidade laboral e expectativa de vida”, lembrou ela.

A reforma da Previdência também atinge as trabalhadoras domésticas. O tempo de contribuição aumenta de 15 para 20 anos.

Dados do Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese), revelam que, em 2018, 73% das domésticas de um total de 5,8 milhões de trabalhadoras atuavam sem carteira de trabalho.

“Os objetivos da reforma da previdência são reduzir as despesas públicas com Previdência e Assistência e estimular a financeirização e a privatização do sistema público. As trabalhadoras rurais, professoras e domésticas serão as mais afetadas com essa reforma”, afirmou Mônica Lacerda.

Fotos: CTB-MG






Metade das mulheres grávidas são demitidas na volta da licença-maternidade

            Claudia Santos saiu do emprego quando engravidou e só conseguiu carteira assinada dois anos depois.
                                                                                                  (foto: Vinicius Cardoso Vieira/Esp. CB/D.A Press )


Fonte: Vera Batista - Jornal Correio Braziliense

A maternidade permanece polêmica para empregadas e empregadores. Quando uma trabalhadora engravida, o foco das empresas continua sendo nas “perdas” que terá nos próximos anos. O tempo passa, mas os empecilhos são os mesmos: receio de a mãe faltar ao trabalho, caso o filho passe mal; de ela pedir para chegar mais tarde para ir a uma reunião escolar; ou de se atrasar, devido à exaustão da rotina. Os benefícios da maternidade para as empresas e até para a economia do país, mesmo comprovados por diversos estudos, ainda são ignorados.


Na contramão do senso comum, especialistas apontam que as mães são mais produtivas e flexíveis, porque as atividades neurais, ligadas à criatividade, aumentam durante a gestação. Além disso, o hábito de acumular duplas jornadas as deixam com maior capacidade de otimizar o tempo — tornam a vida das mulheres mais fácil no mercado de trabalho. Ainda assim, persiste o pensamento de que o empregador não suportará o tempo de afastamento, sem preencher aquela necessária vaga. Fora isso, há o temor de que o período em que fica com a criança a deixará desatualizada em relação à tecnologia, que avança rápido.

Esse pensamento leva, quase sempre, a uma realidade cruel. Estudo da Fundação Getulio Vargas (FGV) aponta que metade das mães que trabalham são demitidas até dois anos depois que acaba a licença, devido à mentalidade de que os cuidados com os filhos são praticamente uma exclusividade delas. Grasiela Maria de Araújo, 36 anos, foi demitida logo depois de ter o terceiro filho, em 2013. “Tirei a licença e mais um mês de férias. Ao voltar, fui desligada”, conta.

Mas não esmoreceu. Fez bicos enquanto esperava emprego de carteira assinada, que só veio dois anos depois. Grasiela entrou para o mercado de trabalho aos 18 anos, como atendente em uma lanchonete. Hoje, tem um filho de 18 anos e outros dois, de 15 e seis, de uma união estável que já dura 17 anos. “A gente ouve o tempo todo que mãe não trabalha, faz corpo mole. É difícil. Já perdi emprego porque de cara disseram que eu não estaria disponível para viajar”, assinala.

Pesquisa dos profissionais da Catho de 2018, com mais de 2,3 mil mães, afirma que 30% das mulheres deixam o trabalho para cuidar dos filhos. Entre os homens, esse número é quatro vezes menor: 7%. Claudia Santos, 38, preferiu pedir as contas antes de ser demitida. Nascida em Belém, ela começou a trabalhar aos 14 anos, vendendo salgados nas ruas, e, aos 17, foi contratada por um restaurante. Engravidou em seguida e não aguentou o calor do fogão. “Deixei o emprego antes de ser demitida. Ouvia o chefe dizendo que mulher grávida é problema porque falta ao serviço e aumenta o custo por causa do salário-família”, lembra. Ela só conseguiu voltar a trabalhar fora depois de dois anos.

De volta à ativa

Dani Junco, fundadora e diretora executiva (CEO) da B2Mamy, aponta que, a cada 10 mulheres, quatro não conseguem retornar ao mercado após a licença-maternidade, de acordo com a consultoria Robert Half. “Percebo que é uma questão cultural. Em minha experiência, senti que as pessoas achavam estranho quando eu deixava meus filhos na escola o dia inteiro”, relata Claudia Consalter, mãe de gêmeos e fundadora da Orthodontic, rede de clínicas de ortodontia.

A tributarista Rhuana Rodrigues, 38, sócia do Chenut, Oliveira, Santiago Advogados, acredita que o peso maior da responsabilidade com os filhos sempre recai sobre a mãe. “Mas costumo dizer que meu marido me ajuda, ele compartilha o cuidado com as crianças, que também cabe a ele”, argumenta. Casada desde 2006, ela teve o primeiro filho, de quatro anos, aos 33 anos. O segundo é recente: está com apenas três meses.
“Especialmente comigo, não houve discriminação, porque sou dona do meu negócio e diretora de Recursos Humanos do escritório. Mas ouço histórias terríveis”, conta.

Durante o tempo da licença-maternidade, Rhuana aproveitou que o “bebê dormia o dia inteiro”, para concluir a monografia de pós-graduação em direito digital.
Efeitos positivos
Desconsiderar os efeitos positivos da maternidade no mercado de trabalho é um erro não apenas do ponto de vista da vida das mulheres, mas das finanças do país. É o que aponta a empresária Dani Junco, fundadora e diretora executiva (CEO) da B2Mamy, empresa dedicada a selecionar mães empreendedoras para negócios. Ela propõe uma simulação, que chama de “distopia Handmaid’s Tale”: “Acabamos de acordar com o mundo completamente estéril, assim como você já deve ter desejado ao saber que a moça da sua equipe está grávida. E agora?”, questiona.

Os resultados seriam desastrosos. Primeiro, diz, o faturamento de R$ 50 bilhões que representa o segmento infantil, de acordo com a Consultoria Nielsen, deixaria de ser injetado na economia. “Não estão somados aqui turismo, entretenimento e outras áreas correlatas que atendem a esses 20% da população”. Em segundo lugar, com a população envelhecendo, não teria mão de obra para manter alguns serviços. “Sem falar das novas cabeças que não nasceriam. Portanto, pesquisa, inovação e desenvolvimento seriam escassos”, diz.

A influência das mulheres no mercado de trabalho é evidente. Entre 2005 e 2015, o número de famílias compostas por mães solo subiu de 10,5 milhões para 11,6 milhões, segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). O número de lares brasileiros chefiados por mulheres cresceu de 23% para 40% entre 1995 e 2015, de acordo com a pesquisa Retrato das Desigualdades de Gênero e Raça, de 2017, do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea).
A lei e a vida real
Assegurada por lei desde 1943, a licença-maternidade atendeu mais de 53 mil brasileiras em 2018, pelos dados da Secretaria Especial de Previdência e Trabalho do Ministério da Economia. “Atualmente, o empregador é obrigado a conceder 120 dias, mas é possível estender até 180 para os que aderirem ao programa Empresa Cidadã, que gera benefícios fiscais para os contratantes”, conta o advogado João Badari, especialista em direito previdenciário do escritório Aith, Badari e Luchin Advogados.

Mesmo com o direito garantido no papel, a lei, às vezes, é ignorada. Raramente as mães contam com a ajuda de que precisam depois da gravidez. Mesmo assim, muitas narram histórias de sucesso. Maire Laide Albernaz Neiva, 62, administra um restaurante com 20 funcionários, depois de criar três filhas (43, 41 e 38 anos). “Comecei cedo, aos 14 anos, em uma agência de automóveis. Aos 15, fui transferida para a área de cobrança. Cheguei a chefe do setor financeiro, aos 25”, relata.

As três filhas foram criadas, praticamente, dentro da concessionária. Os patrões montaram berço e a infraestrutura para as crianças. “Mas nunca tirei licença-maternidade. Voltava a trabalhar 15 dias após ter neném. Precisava do dinheiro e tinha a opção de ganhar dobrado”, afirma. Depois que os filhos cresceram, Maire entrou para a Faculdade de Moda e conseguiu o diploma, aos 50 anos. Uma vitória para quem tem uma mãe de 85 anos “que não sabe ler nem escrever”. “Hoje, minhas filhas têm vidas próprias. Mas ainda cuido de minha mãe e de uma sobrinha especial, de 45 anos”, destaca.

Não deixar de ter ambições próprias é uma das dicas que Luzia Costa, CEO do Grupo Cetro, dá para quem é mãe e quer iniciar a vida de empreendedora. Mãe de dois filhos, ela ressalta a importância de enfrentar julgamentos e aceitar ajuda.“Sem dúvidas, muitas pessoas irão lhe criticar por dedicar um tempo do seu dia para trabalho e vida profissional, deixando filhos com avós, babás, em escolinhas, entre outros. Mas precisamos realizar nossos sonhos, até mesmo para dar condições melhores para nossos filhos”, ensina.

10 de mai. de 2019

Músicas de artistas consagrados ajudam a contextualizar o atual momento político e econômico do país

No próximo dia 15, professores, auxiliares de administração escolar e todos os brasileiros estão convocados para participar do Dia Nacional de Luta em Defesa da Educação e da Aposentadoria. O movimento é contrário a reforma da Previdência e o corte anunciado pelo governo Federal na educação superior, ensino técnico e básico de mais de 30%. Neste momento, muitas músicas começam a ser lembradas para contextualizar o atual cenário político, econômico e social do país.
Uma delas é “O Trono do Estudar”. A canção é do cantor e compositor Dani Black e foi lançada em 2015 em homenagem aos estudantes que ocuparam as escolas estaduais de São Paulo para protestar contra o fechamento de escolas. Quatro anos depois, a música permanece bastante atual.
Outra música é “Saco de Feijão”, da cantora Beth Carvalho. A canção da madrinha do samba, falecida recentemente, trata do baixo poder de compra dos brasileiros.
No ritmo da MPB, a música do saudoso Jair Rodrigues, “Operário Brasileiro”, destaca, com bom humor, a difícil vida do trabalhador brasileiro. Lançada em 1994, a canção destaca o sufoco de quem anda no “trem sempre apertado” e “só chega atrasado”.
Salário Mínimo
Em abril, o governo Bolsonaro anunciou o fim da política de valorização do salário mínimo adotada em 2004 e estabelecida por lei em 2007. A fórmula repunha as perdas inflacionárias desde o último reajuste, pelo INPC, e concedia aumento real de acordo com o crescimento do PIB referente ao ano anterior.
O valor do salário mínimo para 2020 será de R$ 1.040, aumento de R$ 42 sobre ao atuais R$ 998. O projeto de Lei de Diretrizes Orçamentárias (LDO) apresentado pela equipe econômica levou em conta somente a reposição da inflação medida pelo INPC (Índice Nacional do Preços ao Consumidor).
Dieese
O salário mínimo necessário para sustentar uma família de quatro pessoas deveria ser de R$ 4.277,04. O valor é 4,29 vezes o salário mínimo em vigor. A estimativa é do Dieese (Departamento Intersindical de Estatísticas e Estudos Socioeconômicos).
Paralisação
Em BH, a concentração para o Dia Nacional de Luta em Defesa da Educação e da Aposentadoria (15) será a partir das 9h30, na praça da Estação.

Foto: Divulgação/Internet


Entidades formam movimento em defesa da educação

A Contee, a Confedereção Nacional dos Trabalhadores em Educação (CNTE), sindicatos do setor e entidades estudantis se encontraram em Belo Horizonte (MG) nesta quinta-feira, 9, para debater a formação de um movimento em defesa da educação. “A educação está sendo duramente atacada pelo governo Bolsonaro, e temos que nos organizar para uma luta permanente em sua defesa. Nosso primeiro desafio é garantir o êxito da greve nacional dos trabalhadores no ensino no próximo dia 15”, considerou o coordenador-geral da Contee, Gilson Reis.
O Palácio do Planalto resolveu cortar 30% das verbas de todas universidades federais, sucateando-as e preparando o caminho da privatização. O investimento em educação no Brasil caiu 56% nos últimos quatro anos. Entre 2014 e 2018, diminuiu de R$ 11,3 bilhões para R$ 4,9 bilhões. Ao mesmo transforma os professores em inimigos público número 1 dos cidadãos brasileiros, mandando filmá-los e denunciá-los como doutrinadores quando ministram suas aulas. Mesmo sem ter sido aprovado, o projeto Escola sem Partido já acontece na prática. Bolsonaro chegou a publicar em seu Twitter o vídeo em que uma estudante instiga uma professora de cursinho a criticar Olavo de Carvalho. A autora do vídeo, Tamires de Souza Costa de Paula, é secretária-geral do PSL em Itapeva (SP) e registrou candidatura a deputada estadual pelo partido em 2018. Ao mesmo tempo, Bolsonaro investe contra a aposentadoria dos professores e demais trabalhadores da educação, cortando direitos, aumentando a idade e o tempo de contribuição e preparando a privatização da Previdência.
“A dimensão dos ataques à educação e à cultura e aos direitos do povo exigem resposta enérgica. É preciso ir às ruas, divulgar os motivos da nossa greve do dia 15 e preparar a greve geral de 14 de junho. Para isso é fundamental o fortalecimento dos sindicatos e das entidades populares e a formação de fóruns em defesa da educação em todos os municípios e estados. Estamos empenhados nisso e nas manifestações contra os projetos antipovo de Bolsonaro. Às ruas”, conclama o coordenador-geral da Contee.
Estiveram presentes representações das seguintes entidades: Fitee; CTB; Sinprominas: UJS; SINDUTE; SindRede; ADPUC; Contee; JSB/PSB ; DCE-UFMG.
Justificativas de ausência: Saaemg, Sindifes, Apub, Fasubra.
Todas essas entidades, presentes e ausentes, estão na articulação.
Foto: Divulgação/Internet 

8 de mai. de 2019

Trabalhadores da PBH criam Comitê de Lutas

Os trabalhadores da BHtrans, Urbel e Prodabel – empresas municipais de Belo Horizonte – criaram nessa segunda-feira (06), na sede do Sindicato dos Trabalhadores em Empresas de Assessoramento, Pesquisa, Perícias, Informações e Congêneres de Minas Gerais (SINTAPPI),o Comitê Central de Lutas das Empresas Públicas de BH (CCLE-BH). O objetivo do comitê é unificar as campanhas salariais para fazer frente a agressão da Prefeitura de Belo Horizonte (PBH) que propõe a retirada de direitos desses trabalhadores. A CTB-MG foi representada por Gildásio Consenza. 
A PBH propõe aumentar os descontos referentes ao plano de saúde e vale refeição dos trabalhadores. Além disso, o Executivo Municipal quer reduzir o auxílio creche e o adicional noturno.  
A próxima reunião do CCLE-BH está marcada para segunda-feira (13), às 14h, no Sindicato dos Empregados em Empresas de Processamento de Dados, Serviços de Informática e Similares do Estado de Minas Gerais (SINDADOS).


Foto: CTB-MG 



Em nota, CNBB cita Papa Francisco e diz que Reforma da Previdência deve ser duramente denunciada

Em uma nota dura e importante, a Comissão Brasileira Justiça e Paz da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), representada pelo secretário-executivo Carlos Moura, desmonta a reforma da Previdência apresentada ao Congresso Nacional pelo governo Jair Bolsonaro e desmente argumentos propagados pelos meios de comunicação, como o de que a reforma é necessária para tirar o Brasil da crise.
“Os elogios à proposta divulgados pelos meios de comunicação não são verdadeiros quando dizem que esta Reforma é necessária para o país sair da crise econômica e que sem ela o atual modelo de seguridade social vai quebrar em pouco tempo. Isto é uma falsidade para angariar o nosso apoio. A verdade é outra. A reforma correta de que a Previdência precisa é exatamente o contrário desta que estão propondo”, diz um trecho do texto.
“Esta reforma da Previdência tem que ser firmemente denunciada, pois é a mais injusta e a mais cruel tentativa de demolição dos direitos dos trabalhadores e segurados, garantidos na Constituição Federal”, continua a nota.
A CNBB também já emitiu comunicados contra a reforma trabalhista, aprovada em 2017 pelo governo Michel Temer, e em defesa da democracia durante a campanha de Bolsonaro.
Leia a íntegra da nota da CNBB sobre a reforma da Previdência:
CBJP e a PEC 06/2019: a retórica da reforma e a realidade da desigualdade social
“O Senhor ilumina os cegos, o Senhor levanta os abatidos,
o Senhor ama os justos,
O Senhor cuida dos migrantes, sustenta o órfão e a viúva,
confunde o caminho dos ímpios” (Salmos, 146 8-9)
A iníqua proposta de reforma da Previdência feita pelo Governo Federal, em tramitação na Câmara dos Deputados, é contra os interesses dos segurados e benéfica para empresas e para o sistema financeiro.
Os elogios à proposta divulgados pelos meios de comunicação não são verdadeiros quando dizem que esta Reforma é necessária para o país sair da crise econômica e que sem ela o atual modelo de seguridade social vai quebrar em pouco tempo. Isto é uma falsidade para angariar o nosso apoio. A verdade é outra. A reforma correta de que a Previdência precisa é exatamente o contrário desta que estão propondo.
Esta reforma da Previdência tem que ser firmemente denunciada, pois é a mais injusta e a mais cruel tentativa de demolição dos direitos dos trabalhadores e segurados, garantidos na Constituição Federal. Se ela vier a ser aprovada, aqueles que hoje dependem do INSS e os que dele vierem a precisar amanhã, estarão sujeitos a se transformarem em indigentes, como já acontece em todos os países em que esta falsa reforma foi feita, como é o caso do Chile.
Ao contrário do que apregoam seus defensores, a proposta de emenda à Constituição nº 06/2019 “quebra” as contas públicas e aumenta as desigualdades. Quase todo o valor de 1 trilhão de reais, que segundo eles vai ser gerado, será retirado dos setores mais vulneráveis. Não apresentaram nenhum cálculo que comprovasse esta poupança, esconderam os estudos feitos.
A causa do chamado “déficit da previdência”, é, na verdade, decorrente dos desvios dos recursos da DRU, “Desvinculação de Receitas da União” e das injustificáveis dispensas de pagamento dos impostos, “desonerações”, sem as devidas contrapartidas sociais e decorrem ainda das milionárias dívidas das empresas para com o INSS que não são devidamente cobradas.
Diferentemente do que insinuam, a Previdência Social, que nas últimas décadas tornou-se um potente instrumento de diminuição das desigualdades e motor da “economia social”, eis que fortalece as economias locais, como tem sido reconhecido em estudos e em depoimentos de prefeitos e governadores, principalmente dos municípios menos desenvolvidos.
A PEC 06/2019 cria, sem nenhum fundamento, regras perversas de transição, obrigam os trabalhadores a contribuírem por muito mais tempo e, aqueles poucos que conseguirem se aposentar, receberão proventos menores do que os que hoje recebem. É uma verdadeira “quebra de contrato”.
As mulheres, os trabalhadores rurais, os idosos, os deficientes e os aposentados por invalidez serão penalizados pela malandragem de cálculos financeiros e pela esperteza contábil de tal reforma. Os homens e mulheres contribuintes deixam de ser pessoas e são transformados em números, servindo aos interesses do “mercado”, isto é, de uma economia desumana.
O Papa Francisco, ao refletir sobre a situação atual dos excluídos, principalmente idosos afirmou: “Em uma civilização em que não há lugar para os idosos ou são descartados porque criam problemas, esta sociedade leva consigo o vírus da morte”.
Assim como venderam a ilusão de que com a terceirização (lei nº13.429/2017), a aniquilação dos direitos trabalhistas, a PEC 95, os empregos, os salários e os investimentos privados voltariam, agora renovam as vãs promessas para aprovação desta reforma.
Ledo engano. O que se repete a cada crise, é o contrário: a fortuna dos ricos aumenta, na mesma medida em que aumenta a pobreza dos pobres. Essa repudiável realidade é usada para se alegar que a suposta crise, artificialmente gerada, para ser vencida, exige de “todos” muitos sacrifícios. Mas todos sabemos que quem paga no final a conta, são os mais desvalidos. As melhorias prometidas não chegam nunca. De crise em crise, quem lucra são os insaciáveis interesses financeiros.
A Comissão Brasileira Justiça e Paz, organismo vinculado à CNBB, reunida em Sessão Ordinária nos dias 26 e 27 de abril, cumpre seu dever de se colocar ao lado das forças sociais que defendem os interesses dos trabalhadores e segurados que resistem para impedir a retirada “dos pobres do orçamento e da Constituição”. Isto é a luta para impedir que se enfie o dinheiro dos impostos no bolso de poucos abastados.
A Seguridade Social é um direito do cidadão e um dever do Estado, um projeto de nação e não um negócio de compra e venda!
A histórica manifestação unitária das centrais sindicais de 1º de maio teve a nossa solidariedade e queremos compartilhar de novas iniciativas que almejem impedir o desmonte da Previdência pública como maior conquista do povo brasileiro.

Brasília, 06 de maio de 2019
Fonte: URBS Magna
Foto: Divulgação/Internet

7 de mai. de 2019

CTB-MG alerta trabalhadores do interior sobre os impactos da reforma da Previdência

A Central dos Trabalhadores e Trabalhadoras do Brasil em Minas Gerais (CTB-MG) segue percorrendo o Estado para alertar os trabalhadores sobre os impactos da reforma da Previdência. Nesta semana, a presidenta da central, Valéria Morato, está em Paracatu, João Pinheiro e Unaí - municípios localizados na região Noroeste de Minas.

Em Paracatu, Valéria Morato participou, segunda-feira (06), de uma Audiência Pública na Câmara dos Vereadores que reuniu vários trabalhadores, entre eles o presidente do Sindicato dos Servidores Municipais, Geraldo Edson Alves.

Durante o debate, a presidenta da CTB-MG destacou os impactos da reforma na vida dos trabalhadores do campo e da cidade e também sobre as mulheres que, na maioria dos casos, têm dupla jornada de trabalho e serão as mais prejudicadas.

Valéria Morato pediu também que a população e os vereadores pressionem os deputados Federais em Brasília para que votem contra essa proposta.

“As cidades sofrerão um grande impacto econômico com essa reforma e os vereadores precisam cobrar dos deputados que eles apoiaram nas últimas eleições uma posição sobre a reforma da Previdência. Afinal de contas, no próximo ano, eles (deputados Federais) voltarão para pedir votos. Esta será uma boa chance para que os eleitores também saibam de que lado estão os deputados”, disse ela.

Nesta terça-feira (07), Valéria Morato está na cidade de João Pinheiro. Na agenda, entrevistas a rádios locais (Tropical FM e Nova FM), visitas a várias escolas e uma Audiência Pública, às 19h, na Câmara dos Vereadores.

Amanhã, quarta-feira (08), a presidenta da CTB-MG estará na cidade de Unaí.

Fotos: CTB-MG










Trabalhadores dizem não às privatizações


Não à privatização das empresas públicas. Este foi o recado dado pelos trabalhadores e sindicalistas ao governo Estadual e Federal durante audiência pública realizada nessa segunda-feira (06), na Assembleia Legislativa de Minas Gerais (ALMG).

“Nos últimos anos, as privatizações demonstraram que não geram emprego. Pelo contrário, tem gerado desemprego e precarizado os serviços contratando trabalhadores terceirizados”, disse o Secretário-Geral da Central dos Trabalhadores e Trabalhadoras do Brasil em Minas Gerais (CTB-MG), Gelson Alves da Silva.

Ele ainda lembrou que a Copasa registrou um crescimento significativo nos últimos anos, assim como a CEMIG. Portanto, esse discurso privatista do atual governador do Estado, Romeu Zema (Novo), deve ser rechaçado.

Os participantes da audiência propuseram também a união das categorias em torno de uma pauta comum: a defesa da soberania nacional e dos serviços públicos. Segundo eles, essa movimentação deve culminar com a participação maciça em duas greves nacionais: da educação, marcada para 15 de maio, e a greve geral, prevista para 14 de junho.
A audiência, que foi requerida pela deputada Beatriz Cerqueira (PT), teve como objetivo debater o modelo de privatizações adotado por esses governos e as suas consequências para a classe trabalhadora.
Letícia Gomes de Faria, do Movimento dos Atingidos por Barragens (MAB), apregoou que a privatização leva à perda do controle dos bens naturais, como água, minérios e energia, e dos processos de trabalho e de produção.
Ela exemplificou com a Vale, privatizada há 22 anos, que apresenta lucros altíssimos, mas traz grandes prejuízos para a população, como ocorreu nos rompimentos de barragens em Mariana (Central) e Brumadinho (RMBH).
Já Anselmo Silva Braga, coordenador do Sindipetro/MG, afirmou que a sua categoria sobreviveu às ameaças de privatização da Petrobras, levadas à frente pelos ex-presidentes Fernando Collor e Fernando Henrique, e vai sobreviver ao atual governo.
Ele ainda disse que não faz sentido privatizar a Refinaria Gabriel Passos, em Betim (RMBH), pois a empresa vende toda sua produção. Ainda alertou para o risco de um desastre na unidade, uma vez que as manutenções estariam sendo deixadas de lado.
Fonte: CTB-MG com informações da ALMG
Fotos: Willian Dias (ALMG)





3 de mai. de 2019

Centrais sindicais também se unem em Minas Gerais contra a Reforma da Previdência


“Precisamos de uma frente ampla com todos que entendem que a reforma da Previdência é danosa para o povo. Essa unidade é muito importante neste momento. Juntos, podemos vencer essa batalha”, afirmou nessa quarta-feira, no Clube do Sindicato dos Metalúrgicos de Betim, o Secretário-Geral da instituição, Alex Santos, durante o lançamento da Campanha “Quero Viver Depois de Trabalhar”. O encontro contou, pela primeira vez, com a presença de todas as centrais sindicais neste 1º de Maio – Dia Internacional do Trabalhador. A Central dos Trabalhadores e Trabalhadoras do Brasil no Estado (CTB-MG) foi representada pela sua presidenta, a professora Valéria Morato.

Valéria Morato também ressaltou a importância de unidade da classe trabalhadora, dos movimentos sociais e partidos progressistas para derrotar a proposta de reforma da Previdência.

A presidenta da CTB-MG destacou ainda os impactos da reforma na vida dos trabalhadores do campo e da cidade e também sobre as mulheres que, na maioria dos casos, têm dupla jornada de trabalho. Ela pediu que cada trabalhador converse com os seus conhecidos e esclareça sobre os males da reforma da Previdência.

“Conversem com os amigos, vizinhos e familiares sobre a reforma. Vamos discutir o que está por trás dessa reforma. Não é reforma. É um desmonte dos nossos direitos. Nós não podemos deixar que o governo retire o salário das pessoas com deficiência e passe a pagar R$ 400. Nós não podemos permitir que o trabalhador rural só consiga se aposentar depois de contribuir por 20 anos para o INSS”, disse Valéria Morato.

A presidenta da CTB-MG ainda falou sobre a proposta de capitalização que está na reforma da Previdência. Essa medida retira a responsabilidade de contribuição do governo e dos patrões para a Previdência e acaba com o seu aspecto social.

No Chile, esse modelo foi implantado e resultou num alto índice de suicídios entre os idosos que não conseguem se manter depois de trabalhar a vida inteira.

“Nós não temos salário digno, como vamos conseguir poupar para a Previdência Social? Nós não podemos permitir isso conosco e nem com os nossos pais que trabalharam por tantos anos para conseguir aposentar”, disse Valéria Morato.

Outro aspecto negativo da reforma da Previdência prevê o aumento do tempo mínimo de contribuição para 35 anos e 65 de idade. Para conseguir 100% do benefício, o trabalhador terá de contribuir por 40 anos.

Por outro lado, a reforma mantém os privilégios de determinadas categorias, como os militares, por exemplo. Além do mais, a proposta de reforma da Previdência ignora a dívida das grandes empresas junto à Previdência que já somam mais de R$ 470 bilhões.

Evento familiar

O 1º de maio também foi marcado por momentos de descontração e lazer entre os trabalhadores e seus familiares no Clube dos Metalúrgicos de Betim. Além do lançamento da campanha “Quero Viver Depois de Trabalhar”, foi realizada a Corrida e Caminhada do Trabalhador e da Trabalhadora, sorteio de brindes e show com o cantor sertanejo Marcelinho de Lima.

A aposentada Isabel Cavalcanti, de 70 anos, resolveu participar da caminhada. O percurso foi de 5 km, assim como o da corrida, pelas ruas do bairro Niterói, em Betim, onde está localizado o Sindicato dos Metalúrgicos. No total, foram 850 inscritos.

Dona Isabel aprovou a iniciativa do sindicato. “Eu gostei muito, porque nós temos poucas opções de lazer. Agora penso em treinar para participar da Corrida da Pampulha, em Belo Horizonte”, disse ela bem humorada.

Fotos: Anderson Pereira













2 de mai. de 2019

Ferramenta permite pressionar deputados contra a "Reforma" da Previdência

A Associação Nacional dos Auditores Fiscais da Receita Federal (Anfip) criou uma ferramenta para que trabalhadores aumentem a pressão contra a "reforma" da Previdência. O site permite a comunicação direta com os gabinetes dos deputados por e-mail. A mensagem e-mail pode ser enviada a um parlamentar específico, para todos, ou então direcionar a mensagem, podendo-se agrupar os deputados por estado ou partido.
Um texto pronto fica disponível na ferramenta, mas o usuário pode alterá-lo se desejar ou elaborar a sua própria justificativa para dizer que não aceita o projeto do governo Bolsonaro para alterar as regras para aposentadorias dos trabalhadores.
"A Proposta de Emenda Constitucional (PEC) 6/2019, da reforma da Previdência, contém ataques e crueldades contra os trabalhadores da iniciativa privada, trabalhadores rurais, servidores públicos, aposentados, pensionistas e os pobres que têm direito de receber o Benefício de Prestação Continuada", diz o texto.
Fonte: Rede Brasil Atual