16 de jan. de 2015

Núcleo Sindical da CTB-UFMG define participação nas marchas nacionais da classe trabalhadora



O calendário de lutas construído pelas Centrais Sindicais para reivindicar a pauta da classe trabalhadora será incorporado como uma das prioridades pelo Núcleo Sindical da CTB-UFMG para o próximo período. Esse foi um dos temas definidos na reunião dirigida por Jair Pereira dos Santos que aconteceu nesta sexta-feira (16/01). O presidente da CTB-Minas, Marcelino Rocha, também esteve presente e falou sobre a jornada de atos marcados para acontecer em janeiro e fevereiro na cidade de São Paulo.

O primeiro ato será em 23 de janeiro para marcar o Dia Nacional de Lutas dos Aposentados/Pensionistas e pelo fim do fator previdenciário. No dia 28 de janeiro acontece o Dia Nacional de Mobilizações “por nenhum direito a menos”. Por fim, no dia 26 de fevereiro, ainda na capital paulista, terá a Marcha Unificada das Centrais.

Durante a reunião, as lideranças discutiram temas da conjuntura, ações jurídicas relativas as perdas da categoria e o papel de destaque na organização do próximo Congresso da Fasubra, que será realizado em maio deste ano.


Vamos à luta!




Educação é fundamental para elevar a vida do povo

remi castioni unb
O ano começou quente para a educação. Logo na posse dia 1º, a presidenta Dilma divulgou o lema de seu segundo governo: Brasil, Pátria Educadora. Ao assumir o Ministério da Educação (MEC) no dia seguinte, Cid Gomes enfatizou as políticas prometidas pela presidenta. Entre as propostas a de reformar o ensino médio, indo além de ampliar o acesso, reformulando currículos e melhorando a qualidade da escola pública.
Portal CTB ouviu, via whatsapp, o professor e pesquisador da Faculdade de Educação da Universidade de Brasília (UnB) Remi Castioni, para entender os real significado do lema do governo federal e os recentes acontecimentos na educação brasileira. Entre outras coisas, o professor falou sobre a novidade de um político à frente do MEC. Para ele é uma boa novidade um político que já foi prefeito e governador para negociar melhor as demandas da educação. A conversa girou também sobre o assombroso número de zeros na prova de redação do Enem 2014, com 529.373 zerando.
Castioni falou também da proposta de reforma do ensino médio, referida pelo ministro. Para ele, “em sua posse, a presidenta Dilma apresentou enlaçamento de valorizar a educação. Fato muito importante para elevar o conhecimento e que essa elevação represente em riqueza para o país com o fortalecimento da indústria e com a criação de empregos de qualidade, além de ampliar o caráter democrático da sociedade brasileira”.
Leia baixo a íntegra da entrevista:
Quase 530 mil candidatos do Enem do ano passado, tiraram nota zero em redação, a que se pode atribuir esse fato? É uma reprovação do ensino médio?
Em primeiro lugar, isso reflete o crescimento do Enem, com um número de inscrições extremamente volumoso. Esse fato faz aumentar também o número de pessoas que podem não estar bem preparadas para as provas. Duas questões mais importantes, porém, levam a esse resultado.
O Inep, órgão responsável pela realização do Enem, sofisticou o método de correção das provas, essencialmente a de redação, para coibir diversos acontecimentos apontados pela mídia como a inserção de receitas de miojo e hinos de clubes de futebol na redação. Além de estabelecer a tolerância zero para os erros ortográficos e as fugidas do tema proposto.

Outro fator crucial é a dificuldade dos jovens nessa faixa etária de se expressar na norma culta da nossa língua. A juventude se comunica muito pelas redes sociais, principalmente por celulares através de mensagens rápidas, quase cifradas de tão abreviadas, às vezes abreviam frases inteiras. De alguma forma isso acaba se refletindo nos textos onde precisam usara a norma culta. E como no Brasil se lê muito pouco, o problema se agrava.
O ministro justificou esses zeros afirmando que o tema – publicidade infantil – tem pouca exposição na mídia, o que teria prejudicado os candidatos. Concorda com isso?
remi castioni
Não creio que isso tenha a ver. Nós vemos todos os dias em diversos veículos de comunicação crianças participando de novelas, programas de auditório, propagandas de produtos, entre outros. Achei o tema um assunto internalizado nas pessoas de alguma maneira e muito presente no cotidiano. Para mim, foi um tema relativamente fácil.

O crescimento do Enem favorece a melhoria da educação no país?
O Enem alcançou um número fantástico de inscritos. Já se tornou o segundo maior processo seletivo do mundo. Em 1998 quando esse exame começou tivemos menos de 200 mil inscritos e 15 anos depois são mais de 6 milhões realizando a prova, percebemos que o Enem se transformou numa esperança de melhoria de vida para milhares de jovens.
Neste ano, entre os que realizaram o exame, somente 1,5 milhão eram concluintes do ensino médio. O que revela o destaque e a importância que adquiriu. Porque o Enem permite acesso a diversos programas como o ProUni, o Sisutec (espécie de ProUni do ensino técnico), além de possibilitar vagas nas universidades e institutos federais e inclusive em universidades portuguesas como a de Coimbra, que tem mais de 500 anos de existência, sendo uma das mais respeitadas do mundo. Hoje temos mais de um milhão de prounistas em universidades particulares.
Único ponto que se poderia dizer desfavorável seria a meu ver a necessidade de se efetuar uma avaliação do ensino médio. No ensino superior isso já ocorre. Há a nota do aluno e a da instituição.
O ministro acenou também com mudanças no Enem. O que pensa a respeito?
O Enem é uma grande possibilidade de a juventude ter acesso às políticas educacionais. A possibilidade de se realizar o exame online é perfeitamente factível. As novas tecnologias permitem a realização de provas online com bastante segurança. Caminhamos para isso num mundo cada vez mais interconectado eletronicamente.
Um ministro que já foi prefeito e governador entende melhor as dificuldades dos estados e municípios para conseguir mais investimentos em educação pública?
Cid Gomes é o único dos 48 ministros da Educação, desde a criação do MEC em 1932, que é originário de uma prefeitura, onde foi prefeito duas vezes, assim como foi governador do Ceará por dois mandatos. Ele criou o projeto Pacto pela Alfabetização na Idade Certa, em Sobral. Esse projeto virou referência nacional. Com base nele o governo federal criou o Pacto Nacional pela Alfabetização na Idade Certa.
Então, você quer dizer que é necessário horizontalizar os diálogos?
É importante verificar a capacidade para dialogar com municípios e estados. E assim encaminhar os projetos necessários para resolver os 
remi castioni proifes
gargalos da educação. A União é responsável pelo sistema federal de educação, ensino médio são os estados, fundamental dividido entre municípios e estados e a educação infantil é de responsabilidade dos municípios. Como o Brasil é uma federação desde 1889, é necessário dialogar com as secretarias estaduais e municipais para identificar quais são as dificuldades que têm.

Muitos governadores e prefeitos dizem ter sérias dificuldades para pagar o Piso Nacional Salarial dos educadores. Dialogando podemos descobrir o que a União poderá fazer para ajudar. Nesse aspecto o MEC tem o importante papel de ser o articulador dessa agenda federativa. As decisões vindas de cima para baixo não funcionam. Porque os projetos precisam ser internalizados nas secretarias de educação dos municípios e estados para vencerem as dificuldades para serem efetivadas.
O MEC teve um corte em seu orçamento de pouco mais de R$ 7 bilhões. Isso pode prejudicar a educação pública?
Não creio que vá afetar. O Orçamento do ministério ultrapassa os R$ 100 bilhões. Esse corte de R$ 7 bilhões é uma indicação de corte no custeio. O que pode alterar o funcionamento do dia a dia da máquina.Deverá haver redução de viagens, passagens, diárias e alugueis. Os recursos destinados ás políticas educacionais e ao próprio funcionamento do Sistema Federal de Educação não tem cortes, que restringem as políticas.
Esse é um processo momentâneo, de ajustes. Mesmo porque o Orçamento federal ainda não foi aprovado. Além disso, o MEC é um dos que mais tem executado nos últimos anos. A execução do ministério ultrapassa os 90% da dotação orçamentária. Portanto, o que é dotado é efetivamente gasto. O que se pode discutir é a efetividade das execuções.
Qual o papel da educação pública numa sociedade como a nossa?
Essa é uma questão de fundo. Diz respeito inclusive ao lema que a presidenta divulgou na sua posse. Brasil, Pátria Educadora remete à interlocução de um grande educador da nossa história. Muito pouco valorizado, o professor Anísio Teixeira, que esteve presente nos grandes projetos e nas discussões sobre a educação pública nas décadas de 1940, 50 e 60.
Teixeira foi perseguido pelo Estado Novo, pela ditadura militar, justamente porque foi o grande incentivador na educação pública. Ele tinha a escola como um elo extremamente importante na formação da cultura do povo brasileiro. A escola como mediadora dessa cultura. Segundo ele, a máquina que prepara a democracia é a escola pública. Assim teve enormes embates com os defensores do ensino particular. Os mesmos que hoje combatem a expansão do ensino público.
Dilma em sua posse apresentou o enlaçamento de valorização da educação como os novos tempos pedem. A educação pública deve elevar o conhecimento e que isso possa ser usado para produzir mais riqueza para o país, com uma indústria forte e empregos de qualidade e tornar a sociedade brasileira mais democrática.
É necessário também democratizar o sistema de relação de trabalho que de democrático não tem nada no Brasil. Existe uma enorme dificuldade em resolver conflitos e para isso melhorar, a sociedade terá que reconhecer as diferenças para se ter novas conquistas para o povo brasileiro e a educação é fundamental em todos esses aspectos.
Por Marcos Aurélio Ruy – Portal CTB

15 de jan. de 2015

Apoio à greve dos Agentes de Saúde de Belo Horizonte (ACS e ACE)

Os Agentes Comunitários de Saúde (ACS) e Agentes de Combate à Endemias (ACE) de Belo Horizonte estão em greve desde o dia 05 de janeiro. A categoria cobra o cumprimento da Lei 12.994/14, sancionada em julho de 2014, que cria o Piso Nacional dos Agentes no valor de R$1.014,00. A CTB-Minas divulga nota de solidariedade aos ACS e ACE e, entre as ações de apoio, irá encaminhar à Prefeitura da Capital ofício para reforçar a combrança pelo cumprimento da lei. 

Veja abaixo a nota que está sendo distribuída pela CTB-Minas: 




  

Estudo da FGV afirma que inflação da terceira idade subiu 6,62% em 2014

terceira idade









O Índice de Preços ao Consumidor da Terceira Idade (IPC-3i), que mede a variação da cesta de consumo de famílias majoritariamente compostas por indivíduos com mais de 60 anos, acumulou alta de 6,62% em 2014, de acordo com a Fundação Getulio Vargas (FGV). Em 2013, a inflação para essa parcela da população tinha subido 5,48%.
A variação do indicador ficou abaixo da taxa acumulada pelo IPC-BR, que mede a inflação das famílias em geral e que foi de 6,87% no mesmo período.
Quarto trimestre
No quarto trimestre, o IPC-3i acumulou alta de 2,02%, ante 0,46% no terceiro trimestre. Todas as oito classes de despesa componentes do índice registraram taxas mais altas, com destaque para alimentação, que saiu de deflação de 0,62% para alta de 2,92%.
Hortaliças e legumes subiram 21,36% no quarto trimestre, depois de terem registrado queda de 25,29% no período anterior.
As outras taxas foram: habitação (1,22% para 1,94%), transportes (0,51% para 1,96%), educação, leitura e recreação (0,07% para 2,94%), vestuário (-0,59% para 2,16%), comunicação (-1,08% para 0,85%), saúde e cuidados pessoais (1,07% para 1,47%) e despesas diversas (0,30% para 0,56%).
Para cada uma dessas classes de despesa, a FGV ressalta o comportamento do condomínio residencial (0,46% para 2,27%), tarifa de táxi (0,31% para 9,39%), passagem aérea (-1,23% para 30,97%), roupas (-0,96% para 2,28%), tarifa de telefone móvel (0,69% para 2,28%), medicamentos em geral (-0,29% para 0,42%) e alimentos para animais domésticos (-0,59% para 2,21%), respectivamente.
Com agências

Trabalhadoras domésticas querem seus direitos garantidos

leidasdomesticas

Desde abril de 2013, as trabalhadoras domésticas lutam pela regulamentação de várias emendas relacionadas à Emenda Constitucional 72, conhecida como Lei das Domésticas. Em novembro, o Senado aprovou relatório de Romero Jucá (PMDB-RR) vetando 58 emendas apresentadas pela Câmara dos Deputados ao Projeto de Lei do Senado (PLS) 224 (confira aqui). Agora o PLS aguarda votação na Câmara. “A rejeição de todas as nossas emendas no ano passado foi um balde de água fria, mas já estamos rearticulando as movimentações em todo o país para reaver os nossos direitos”, afirma Lucileide Mafra, presidenta da Federação das Trabalhadoras Domésticas da Região Amazônica e dirigente nacional da CTB.

Lucileide Mafra Federacao das trabalhadoras Domesticas
Lucileide quer uma audiência pública com o Ministério do Trabalho e Emprego, juntamente com as presidências da Câmara e do Senado para explicar a justeza das reivindicações das trabalhadoras. “As 8 milhões de trabalhadoras domésticas aguardam a regulamentação dessas emendas para terem os direitos que todos os trabalhadores têm. Já conquistamos avanços com a aprovação da lei, mas estaremos lutando para a regulamentação completa do texto que negociamos para ser aprovado no Congresso”, garante Lucileide. Para ela, “FGTS (Fundo de Garantia por Tempo de Serviço), indenização por demissões sem justa causa e adicional noturno fazem parte das conquistas da classe trabalhadora e as domésticas não podem ficar mais sem esses direitos”, preconiza. “Queremos as 58 emendas transformadas em direito para as trabalhadoras domésticas”, defende.

Por Marcos Aurélio Ruy – Portal CTB

14 de jan. de 2015

Centrais vão às ruas contra perda de direitos trabalhistas; veja agenda

reuniao centrais
As centrais sindicais cobrarão do governo a revogação medidas anunciadas pelo ministro da Casa Civil, Aloizio Mercadante no dia 29 de dezembro. As novas medidas, duramente criticadas pelo movimento sindical, alteram acesso a benefícios trabalhistas e previdenciários, como seguro-desemprego, pensão por morte, auxílio-saúde, auxílio-doença e abono salarial.
Em reunião na manhã desta terça-feira (13), dirigentes da CTB, CUT, CSB, FS, NCST e UGT decidiram levar a reivindicação de revogação das medidas em reunião marcada para a próxima segunda-feira (19), em São Paulo, com os ministros Miguel Rossetto (Secretaria-geral da Presidência) e Manoel Dias (Trabalho e Emprego).
“Essa a reunião dá um passo importante para retomada do diálogo entre as centrais sindicais. A reunião serve como elemento estratégico na construção de uma agenda unitária com um calendário de atividades, que aponta para o caminho da mobilização”, afirmou o presidente da CTB, Adilson Araújo. Segundo o sindicalista, é preocupante que um governo que tenha manifestado a intenção de manter o diálogo anuncie medidas que retiram direitos dos trabalhadores.
De acordo com Araújo, ganhar as ruas e fazer pressão sobre o governo será fundamental para manutenção dos direitos da classe trabalhadora. “Esse é o momento de mobilizarmos e sairmos às ruas contra qualquer ataque aos direitos trabalhistas”, destacou o sindicalista.
Calendário unitário
No calendário construído unitariamente pelas centrais estão ainda o Dia Nacional de Mobilizações em defesa de Empregos e Direitos, marcada para o dia 28 de janeiro; e a grande Marcha da Classe Trabalhadora, prevista para o dia 26 de fevereiro.
Segundo Adilson Araújo, o objetivo é promover fortes mobilizações para impedir que haja algum retrocesso na agenda da classe trabalhadora. "O governo tende a fazer ajustes na economia às custas dos trabalhadores", argumento, lembrando do discurso de posse da presidenta Dilma Rousseff, reafirmando a manutenção de todos os direitos.
Entre as medidas anunciadas pelo governo, as maiores preocupações das centrais são em relação às resoluções do abono salarial e seguro desemprego.
No caso do abono salarial, a carência para ter direito ao benefício será elevada de um mês para seis meses ininterruptos de trabalho. O pagamento será proporcional ao tempo trabalhado no ano base, como ocorre com o pagamento proporcional do 13º salário.
Já sobre o seguro-desemprego, o governo elevou o período de carência de seis para 18 meses na primeira solicitação e para 12 meses na segunda solicitação. A partir daí, volta a valer a carência de seis meses.
"As medidas anunciadas pelo governo de fato tiram direitos", reagiu Carmen Foro, presidente em exercício da CUT. "Estamos registrando claramente a nossa insatisfação com o tratamento dado às centrais", acrescentou a dirigente, lembrando que as entidades foram apenas informadas sobre as mudanças, sem conversa prévia. "Essas medidas dificultam o acesso dos mais pobres a direitos".
Opinião compartilhada por Miguel Torres, presidente da Força. "Tínhamos o entendimento de que todas as questões relativas ao movimento sindical seriam discutidas com as centrais", afirmou Torres. “Não adianta falar que é readequação, é perda de direitos", disse o sindicalista.
Se não conseguirem a revogação das MPs, os sindicalistas prometem mobilizar bancadas no Congresso para que as medidas não sejam aprovadas. "Temos de cobrar que o governo mantenha os compromissos assumidos em campanha", reforçou o presidente da CTB, Adilson Araújo. "A pauta trabalhista, contida na Agenda da Classe Trabalhadora se encontra contingenciada”, ressaltou o presidente da CTB ao lembrar a configuração conservadora do Congresso Nacional. “Atualmente, temos um Congresso conservador, que não hesitará em retirar direitos dos trabalhadores. Por isso temos que estar preparados”.
Entre os vários itens da pauta, apresentada desde 2010, estão redução da jornada legal de trabalho, correção da tabela do Imposto de Renda e manutenção da política de valorização do salário mínimo (que o governo já sinalizou que preservará), além da adoção, pelo Brasil, da Convenção 158 da Organização Internacional do Trabalho (OIT), contra dispensas imotivadas.
Ameaça de desemprego
No que tange o tema, outro ponto que levantou a preocupação dos sindicalistas foram recentes demissões anunciadas pela Volkswagen e pela Mercedes-Benz, sob alegação de crise no setor. Para os dirigentes não é possível que o governo mantenha uma política de incentivo fiscal às montadoras sem contrapartida social.
Para os sindicalistas, há um caso de chantagem das multinacionais, afirmando que o setor automobilístico remeteu para o exterior em torno de US$ 16 bilhões nos cinco últimos anos.
“Enquanto o governo concede incentivo fiscal às montadoras sem exigir a manutenção dos empregos, o setor foi o campeão de remessas de lucros ao exterior. Portanto, é preciso pensar no trabalhador, que é o primeiro prejudicado quando uma ameaça de crise surge no horizonte”, destacou o presidente da CTB.
No Dia Nacional de Mobilizações e na Marcha da Classe Trabalhadora dirigentes também levantarão sa bandeiras da manutenção do emprego e dos direitos na indústria automobilística.
Calendário construído pelas centrais:
Dia 19 de janeiro - Reunião com os ministros Miguel Rossetto (Secretaria-geral da Presidência) e Manoel Dias (Trabalho e Emprego) - em São Paulo
Dia 28 de janeiro - Dia Nacional de Mobilizações em Defesa dos Empregos e Direitos
Dia 29 de janeiro - Reunião com representantes do Ministério Público do Trabalho
Dia 26 de fevereiro - Marcha da Classe Trabalhadora - em São Paulo
Por Cinthia Ribas - Portal CTB

22 de dez. de 2014

Um ano de muitas lutas e uma grande vitória política

  
adilson araujo apoio aos metroviarios
Chegamos ao fim de mais um ano comemorando, em 12 de dezembro, o sétimo aniversário da CTB, com a consciência do dever cumprido. 2014, um ano de muitas lutas, terminou coroado com a quarta grande vitória do povo brasileiro nas eleições presidenciais. A reeleição de Dilma Rousseff afastou o risco de retrocesso neoliberal e garantiu a continuidade do novo ciclo político inaugurado com a posse de Lula em 2003.
A nova derrota tucana livrou o Brasil das receitas recessivas, temperadas por demissões em massa, fim da política de valorização do trabalho e dos salários, flexibilização da legislação trabalhista, perseguição e criminalização das lutas sociais, restauração de uma política externa subserviente aos EUA e União Europeia, privatização do Banco do Brasil, Caixa Econômica e Petrobras.
 
Luta de classes
Por essas e outras razões é que consideramos a reeleição de Dilma como uma grande vitória da classe trabalhadora. A burguesia em geral, e em particular os barões da mídia golpista, banqueiros, especuladores, testas de ferro das multinacionais, bem como velhos e novos latifundiários, apoiaram Aécio Neves. Embora divididos e em certa medida desnorteados pela campanha midiática, associada ao terrorismo no mercado de capitais, os trabalhadores e trabalhadoras votaram majoritariamente na presidenta.
 
Mas das urnas não emergiram apenas boas novas para o Ano Novo. As eleições parlamentares resultaram no avanço das forças conservadoras. A correlação de forças no Congresso Nacional, que já não era boa, sofreu um notório revés e tornou-se ainda mais adversa aos interesses da classe trabalhadora. O ambiente tornou-se mais favorável às forças conservadoras, hostil aos projetos oriundos dos movimentos sociais, partidário da agenda regressiva apresentada por porta-vozes do patronato.
 
O avanço da direita e da extrema direita, na onda do denuncismo e do falso moralismo, também se refletiu no resultado final da eleição presidencial. Nota-se uma crescente radicalização da luta de classes no Brasil e no mundo, bem como das contradições e conflitos internacionais, fenômenos que têm por pano de fundo a crise econômica e geopolítica do sistema capitalista mundial, que já faz sete anos e, de resto, evidencia os limites históricos do modo de produção burguês e a necessidade objetiva do socialismo.
 
Avançar nas mudanças
A leitura classista da conjuntura indica que é indispensável avançar nas mudanças para consolidar o que foi conquistado ao longo dos últimos 11 anos, evitar futuros retrocessos e viabilizar a agenda da classe trabalhadora por um novo projeto de desenvolvimento nacional com valorização do trabalho, soberania e democracia, que compreende também a integração da América Latina e a transição para uma nova ordem internacional.
 
Temos pela frente o grande desafio de elevar o grau de consciência e mobilização da classe trabalhadora e do povo brasileiro, aprofundar as mudanças e lograr o atendimento de demandas históricas do nosso povo e das centrais traduzidas na pauta aprovada em junho de 2010 na 2ª Conferência Nacional da Classe Trabalhadora (Conclat).
 
A Conclat aprovou uma agenda classista por um novo projeto de desenvolvimento fundado na valorização do trabalho, na soberania e na democracia, daí extraindo uma pauta unificada. Nela, as centrais propõem mudanças na política econômica (com o fim do malfadado supe­rávit primário; a redução substancial dos juros; o controle do câmbio; a taxação das remessas de lucros); a extinção do fator previdenciário; mais inves­timentos no SUS, bem como na educação e transporte públicos; reformas democráticas (política, agrária, urbana, tributária, da educação e do Judiciário); integração soberana da AL; democratização da mídia; redução da jornada de trabalho sem redução de salários; rejeição do PL 4330, que escancara a terceirização; igualdade de oportunidade para homens e mulheres; fortalecimento da agricultura familiar; ratificação e regulamentação das convenções 158 e 151 da OIT.
 
Somente com grandes mobilizações e lutas sociais será possível romper a resistência e a contraofensiva da direita neoliberal e das forças conservadoras. Precisamos politizar e envolver a juventude trabalhadora nas batalhas políticas, ganhar as ruas, praças e avenidas para derrotar a direita golpista e neoliberal, avançar na direção de uma reforma política democrática, da democratização da mídia, da concretização da pauta unitária das centrais e das transformações que a classe trabalhadora e o povo brasileiro reclamam.
 
Sete anos de luta
O balanço que fazemos da CTB (Central dos Trabalhadores e Trabalhadoras do Brasil) em 2014, bem como dos seus sete anos de fundação, também é positivo. Foram sete anos de muitas lutas, coerência classista e ênfase na unidade da classe trabalhadora e do movimento sindical brasileiro. Nossa central é a que mais cresceu no Brasil entre 2008 e 2013, segundo informações do Ministério do Trabalho e Emprego (MTE). Contamos hoje com mais de 1000 entidades filiadas, muitas ainda em processo de regularização do cadastro no ministério.
 
Buscando caminhar em unidade com as demais centrais sin­dicais, a CTB tem se empenhado na mobilização e conscientização das suas bases, buscando sempre elevar o nível de intervenção e o protagonismo da classe trabalhadora na luta política nacional.
 
A direção realizou e aprovou o planejamen­to estratégico, constituiu o Centro de Organização, Apoio e Logística às Entidades Sindicais (projeto Coral), enfatizando o apoio às CTB’s estaduais. Ampliou os investimentos na Comu­nicação, viabilizando novos projetos gráficos e editoriais para o Portal CTB, as revistas Visão classista, Mulher D’Classe, Rebele-se e Juventude CTB e a publicação do Jornal Olho crítico, com uma tiragem de 100 mil, que inicialmente dialoga mais com a população paulistana, em especial usuários do Metrô, mas com a pretensão de estender seu alcance para todo o país. Prevalece a compreensão de que a Comunicação é um fator decisivo para tornar mais eficiente a nossa propaganda e dialogar mais e melhor com as bases e a sociedade. O papel político da mídia ficou ainda mais claro nas eleições presidenciais deste ano.
 
Unidade interna
As reuniões da direção executiva e plena sempre foram pautadas por um espírito de unidade na diversidade e respeito às diferentes opiniões dos dirigentes da Central, que por natureza é plural e autônoma em relação aos partidos políticos, contando entre seus filiados partidários de diferentes organizações políticas, além de sindicalistas independentes. As decisões políticas e orientações são atualizadas de forma plural, democrática e coletiva.
 
No terreno das propostas aprovadas no 3º Congresso, realizado em agosto de 2013, referendadas no Planejamento Estratégico Situacional (PES), destacam-se as prioridades atribuídas à Comunicação e Formação. A concretização do pro­jeto de criação da Escola Nacional da CTB, com foco na formação política da juventude trabalhadora e em estreita parceria com o Centro de Estudos Sindicais (CES), é o principal desafio para 2015. Também colocamos em prática a ideia do mandato itinerante, realizando em dezembro a reunião da Direção Nacional e a comemoração dos sete anos da nossa Central na capital da Bahia.
 
A compra da sede própria, a implantação do Posto Avançado de Ação Sindical e Institucional (Passi), um espaço de apoio e logística para os dirigentes e movimentos sociais que atuam em Brasília, bem como ponto de articulação política e de pressão junto ao Congresso Nacional, devem inaugurar uma nova fase da central.
 
 Na frente internacional a CTB tem uma das mais importantes tarefas em seus sete anos de existência, que é realizar no Brasil em outubro de 2015 o Encontro Sindical Anti-imperialista e o Simpósio Internacional da Federação Sindical Mundial (FSM) que completa seus 70 anos de luta no dia 3 de outubro do próximo ano. Prevê-se a participação de 200 sindicalistas estrangeiros e representação de 50 países.
 
A reunião do Conselho, prevista para 2015, deve se constituir numa ferramenta fundamental de atualização da nossa plataforma política e do plano de lutas, elementos substanciais para a vida orgânica e política da Central.

Adilson Araújo, Presidente da Central dos Trabalhadores e Trabalhadoras do Brasil-CTB

19 de dez. de 2014

Os “petrobrax” querem matar dois coelhos com uma cajadada só

size 960 16 9 Operários da Petrobras embrulhados na bandeira do Brasil na Plataforma P 26 na Bacia de Campos
 
Na carona das denúncias de corrupção envolvendo a Petrobras, provenientes da chamada Operação Lava Jato e erguendo a falsa bandeira do moralismo, a direita neoliberal procura tirar vantagens para realizar objetivos que contrariam os interesses da classe trabalhadora e da nação brasileira. Mas não transparecem com nitidez nos noticiários, permanecem na sombra.
 
Nesta empreitada os liberais contam com total apoio e respaldo da mídia burguesa, que amplifica o escândalo ao mesmo tempo em que esconde a grossa corrupção tucana no Metrô de São Paulo. Esta última não tem o destaque merecido nos veículos que monopolizam a comunicação no Brasil, mas ao longo dos últimos 20 anos acumulou falcatruas dos governos liderados pelo PSDB que resultaram em prejuízos estimados em mais de R$ 2 bilhões para os cofres públicos.
 
A campanha orquestrada de que é vítima a Petrobras é orientada por dois objetivos centrais. Em primeiro lugar visa desestabilizar o governo Dilma. A direita quer o impeachment e os mais extremistas apelam aos quartéis para um golpe militar. O outro objetivo é desmoralizar completamente a gestão pública da empresa para abrir caminho à privatização.
 
Convém lembrar que durante o governo FHC a privataria tucana ensaiou alguns passos nessa direção. Para agradar os gringos e facilitar as coisas, propôs até a alteração do nome da estatal para Petrobrax. As críticas soaram fortes e entreguistas, então desistiram da ideia. Porém, os “petrobrax” continuaram alimentando o propósito da privatização, embora sem muito alarde, agindo nas sombras.
 
A Operação Lava Jato reanimou o ânimo desses agentes das multinacionais e do imperialismo, que agora já falam abertamente contra a propriedade estatal petrolífera, que apontam como a mãe da corrupção, esquecendo que o papel de corruptores em geral tem sido exercido por grandes empresas, principalmente multinacionais, e empresários.
 
É imprescindível a apuração rigorosa dos crimes cometidos, bem como a punição exemplar de corruptos e corruptores. Todavia, não é tolerável que o escândalo descoberto pela Operação Lava Jato seja usado como pretexto para desestabilizar o governo Dilma (que mandou investigar) e abrir caminho à privatização da Petrobras.
 
Os interesses que se movem nos bastidores deste caso são poderosos e não devem ser subestimados. Estão de olho na riqueza do pré-sal e nos lucros do petróleo brasileiro. O movimento sindical e a classe trabalhadora devem colocar as barbas de molho e ficar de prontidão para a luta. A defesa da Petrobras como empresa pública contra a ganância do capital estrangeiro e os lacaios nativos é vital para o futuro do Brasil e a perspectiva do desenvolvimento nacional com valorização do trabalho, democracia e soberania.

Por Wagner Gomes, secretário-geral da CTB.
Os artigos publicados na seção “Opinião Classista” não refletem necessariamente a opinião da Central dos Trabalhadores e Trabalhadoras do Brasil (CTB) e são de responsabilidade de cada autor.

18 de dez. de 2014

Nasce a FESAAEMG


Auxiliares de Administração Escolar aprovam a criação da Federação Sindical dos Auxiliares de Administração Escolar de Minas Gerais

 

Em votação, trabalhadores aprovaram a criação da FESAAEMG


Em assembleia realizada sábado (13/12), no auditório do Sindicato dos Auxiliares de Administração Escolar de Minas Gerais (SAAEMG), em Belo Horizonte, os Auxiliares de Administração Escolar aprovaram a criação da Federação Sindical dos Auxiliares de Administração Escolar de Minas Gerais (FESAAEMG).
Durante o encontro, também foi eleita a diretoria da entidade e aprovado o seu estatuto. O diretor do SAAEMG, João Batista da Silveira, será o presidente da federação pelos próximos quatros anos.  O dirigente, no seu primeiro discurso, afirmou que a fundação sempre esteve nos planos dos trabalhadores da educação.
 “Este é um momento muito importante para a categoria e uma realização de um objetivo que esteve presente no imaginário das lideranças dos Auxiliares de Administração Escolar no Estado de Minas Gerais desde a fundação do SAAEMG no final do ano de 1977”, disse ele ao lembrar que, com a criação dos Sindicatos regionais originados após o desmembramento do SAAEMG, as condições objetivas para a criação da federação foram cumpridas.
Além do SAAEMG, a entidade reúne os cinco Sindicatos do interior: (Sindicato dos Auxiliares de Administração Escolar do Nordeste Mineiro (SAAENE), Sindicato dos Auxiliares de Administração Escolar da Região Sul de Minas Gerais (SAAESUL),  Sindicato dos Auxiliares de Administração Escolar do Norte de Minas Gerais (SAAENORTE), Sindicato dos Auxiliares de Administração Escolar do Sudeste de Minas Gerais (SAAESEMG) e Sindicato dos Auxiliares de Administração Escolar do Triângulo Mineiro e Alto Paranaíba (SAAETM-AT).
O presidente do Sindicato dos Auxiliares de Administração Escolar do Norte de Minas (SAAE NORTE), Hugo Dias, explicou que, a partir de agora, os trabalhadores da educação ganham maior representatividade . 
“A partir de agora, temos uma federação exclusiva. Isso é inovador e, a partir de agora, vamos trabalhar a nível nacional com demandas unificadas como, por exemplo, as campanhas salariais. Outro ponto que merece destaque é que, com a federação, os sindicados regionais serão mais qualificados com o suporte necessário para as suas atividades cotidianas”, disse ele.
O presidente do Sindicato dos Auxiliares de Administração Escolar da Região Sul do Estado de Minas Gerais (SAAESUL), Leandro Carneiro, também acredita que esse é um marco histórico para os Auxiliares de Administração Escolar. “É um feito importante que coloca os Auxiliares de Administração Escolar como protagonistas na luta por melhores condições de trabalho. Ganhamos em força e representatividade”.
Para o diretor da Central dos Trabalhadores e Trabalhadoras do Brasil em Minas Gerais (CTB-MG), Gelson Alves da Silva, que também esteve presente durante a criação da FESAAEMG, a criação da nova entidade “é um avanço na luta sindical”.
FESAAEMG já nasce grande.
A FESAAEMG e a Federação dos Trabalhadores na Agricultura do Estado de Minas Gerais (FETAEMG) são as duas maiores entidades estaduais filiadas à Central dos Trabalhadores e Trabalhadoras do Brasil (CTB-MG). Provisoriamente, a entidade funcionará nas instalações do SAAEMG, em Belo Horizonte.

João Batista da Silveira (esquerda), presidente da FESAAEMG,
 Hugo Dias (secretário) e Gelson Alves da Silva (CTB)

Dirigente da CTC avalia retomada de relações entre Cuba e EUA

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Após 53 anos, os presidentes de Cuba, Raúl Castro, e dos Estados Unidos, Barack Obama, anunciaram, nesta quarta-feira (17), um histórico acordo para retomar as relações diplomáticas entre os dois países.
“Acordamos o restabelecimento das relações diplomáticas, embora isso não queira dizer que o principal foi resolvido que é o bloqueio econômico, comercial e financeiro que provoca grandes danos e deve cessar”, informou Raúl Castro em seu discurso feito em cadeia nacional (veja abaixo a íntegra)
 
 
 
 
Como parte da aproximação, Havana e Washington trocaram presos. Os Estados Unidos libertaram Gerardo Hernandez, Antonio Guerrero e Ramon Labañino - os três integravam o grupo dos cinco antiterroristas cubanos, enquanto Cuba libertou dois norte-americanos, Alan Gross e um agente de inteligência. 
 
“A liberdade dos herois cubanos é uma vitória da resistência de um povo. A CTB se orgulha em integrar e se solidarizar com as lutas deste povo irmão”, exclamou o secretário de Relações Internacionais da central sindical, Divanilton Pereira.
 
Em entrevista exclusiva para o Portal CTB, o chefe do departamento de Relações Internacionais da Central dos Trabalhadores de Cuba (CTC), Ernesto Freire Cazañas, agradeceu a solidariedade internacional e disse que continuarão trabalhando e desenvolvendo o país.
 
“Para os trabalhadores cubanos este dia significa uma reafirmação dos nossos princípios, da nossa soberania e da demonstração da verdade”, afirmou o cubano. Ele lembrou-se das palavras de Fidel Castro, que dizia que “Os Cinco Herois voltariam”. Para Ernesto, “o fato de ter reconhecido esta verdade é um compromisso de continuarmos firmes com os nossos princípios”.
 
Para o dirigente da CTC, ainda é cedo para avaliar como esta aproximação se refletirá na sociedade. “Cuba, em igualdade de condições, terá relações com o mundo todo, como temos com outros países que compartilham das mesmas razões pelas quais lutamos. Por outro lado, podemos ter unidade na ação mesmo com a diversidade”, explicou.
 
Nesse sentido, ele exemplificou com o Encontro Sindical Nossa América (Esna), espaço onde diversas organizações sindicais de correntes diferentes se organizam por uma agenda em comum em prol da classe trabalhadora.
 
“Acredito que devemos acompanhar os acontecimentos. Vamos continuar trabalhando, desenvolvendo nosso país e, sobretudo, seguir sendo internacionalistas”, concluiu.
 
Por Érika Ceconi - Portal CTB

As 29 recomendações do relatório da Comissão Nacional da Verdade

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Em seu relatório final, a Comissão Nacional da Verdade – que investigou os crimes e violações de direitos humanos durante a ditadura militar no Brasil (1964-1985) -, compilou uma lista de 29 recomendações às autoridades, sendo a maioria delas voltada à responsabilização civil e criminal.
 
Além disso, o documento propôs mudanças que gerariam grande impacto na área de segurança pública, como a desmilitarização da polícia e reformas no sistema carcerário.
 
Foram listados também os nomes de 377 pessoas apontadas como responsáveis por crimes durante esse período, incluindo tortura, assassinato, desaparecimento forçado e ocultação de cadáver.
 
É possível acessar o relatório final aqui. Leia, abaixo, as 29 recomendações da CNV:
 
1. Reconhecimento de culpa
Segundo a CNV, até agora as Forças Armadas não negaram que ocorreram abusos de direitos humanos cometidos em suas instalações, cometidos por seus militares. Mas isso não seria suficiente. A primeira recomendação do relatório final é que as forças reconheçam sua responsabilidade institucional pelos abusos ocorridos entre a ditadura.
 
2. Punição de agentes públicos
A CNV entendeu, com base em legislação internacional que a Lei de Anistia não pode proteger autores de crimes contra a humanidade. Por isso recomenda que os agentes do Estado envolvidos com episódios de tortura, assassinatos e outros abusos sejam investigados, processados e punidos.
 
3 .Acusados de abusos devem custear indenizações de vítimas
O Estado brasileiro já foi condenado a pagar diversas indenizações a vítmas de abusos de forças de segurança durante a ditadura. O documento final da CNV recomenda agora que o Estado tome medidas administrativas para que os agentes públicos cujos atos resultaram nessas condenações sejam obrigados a ressarcir os cofres públicos.
 
4. Proibição das comemorações do golpe militar de 1964
A CNV recomenda a proibição de qualquer celebração oficial relacionada ao tema. Associações relacionadas aos militares tradiconalmente comemoram os aniversários da revolução de 1964.
 
5. Alteração dos concursos públicos para as forças de segurança
O documento recomenda que os processos de recrutamento das Forças Armadas e das polícias levem em conta os conhecimentos dos candidatos sobre preceitos teóricos e práticos relacionados à promoção dos Direitos Humanos.
 
6. Modificação do currículo das academias militares e policiais
A CNV recomenda alterações no ensino sobre os conceitos de democracia e direitos humanos nas academias militares e de polícia do Brasil. Essas entidades deveriam ainda suprimir qualquer referência à doutrina de segurança nacional.
 
7. Mudanças nos registros de óbito das vítimas
A alteração de registros de causas de óbitos de vítimas do regime militar é outra das recomendações da comissão. O objetivo é tornar oficial que diversas pessoas morream em decorrência de violência de agentes do Estados e não por suicídio.
 
8. Mudanças no Infoseg
A CNV recomenda que os registros criminais de pessoas que posteriormente foram reconhecidas como vítimas de perseguição política e de condenações na Justiça Militar entre 1946 a 1988 sejam excluídos da rede Infoseg – o banco de dados que tenta integrar as informações de segurança pública dos Estados brasileiros. A comissão pede ainda a criação de um banco de DNA de pessoas sepultadas sem identificação para facilitar sua posterior identificação.
 
9. Criação de mecanismos de prevenção e combate à tortura
Segundo o documento, a tortura continuaria a ser praticada em instalações policiais pelo Brasil. Esse entendimento levou a comissão a recomendar a criação de mecanismos e comitês de prevenção e combate à tortura nos Estados e na Federação.
 
10. Desvinculação dos IMLs das Secretarias de Segurança Pública
A apuração pela CNV de casos de conivência de peritos com crimes de agentes do Estado e a produção de laudos imprecisos durante o regime militar fez a comissão recomendar a desvinculação dos Institutos Médicos Legais das polícias e Secretarias de Segurança Pública. O objetivo seria a melhora na qualidade de produção de provas, especialmente em casos de tortura.
 
11. Fortalecimento das Defensorias Públicas
Segundo as investigações da CNV, a dificuldade de acesso dos presos à Justiça facilitou a ocorrenência de abusos de direitos humanos nas prisões durante o regime. Situação semelhante persistiria no sistema penitenciário atual. Por isso, seria necessário melhorar a atuação dos defensores públicos e amentar seu contato com os detentos.
 
12. Dignificação do sistema prisional e do tratamento dado ao preso
O relatório final da CNV faz uma série de críticas às condições do sistema prisional e ecomenda ações de combate à superlotação, aos abusos de direitos humanos e às revistas vexatórias. A comissão critica ainda o processo de privatização de presídios que já ocorre em alguns Estados do país.
 
13. Instituição de ouvidorias do sistema penitenciário
A comissão recomenda a adoção de ouvidorias no sistema penitenciário, na Defensoria Pública e no Ministério Público para aperfeiçoar esses órgãos. Os defensores devem ser membros da sociedade civil.
 
14. Fortalecimento de Conselhos da Comunidade para fiscalizar o sistema prisional
Os Conselhos da Comunidade já estão previstos em lei e devem ser instalados em comarcas que tenham varas de execução penal. Eles devem acompanhar o que acontece nos estabelecimentos penais.
 
15. Garantia de atendimento às vítimas de abusos de direitos humanos
De acordo com a CNV, as vítimas de graves violações de direitos humanos estão sujeitas a sequelas que demandam atendimento médico e psicossocial contínuo – que devem ser garantidos pelo Estado.
 
16. Promoção dos valores democráticos e dos direitos humanos na educação
Basicamente, os integrantes da comissão pedem que as escolas ensinem a seus alunos a história recente do país e “incentivem o respeito à democracia, à institucionalidade constitucional, aos direitos humanos e à diversidade cultural”.
 
17. Criação ou aperfeiçoamento de órgãos de defesa dos direitos humanos
A comissão recomenda a criação e o apoio a secretarias de direitos humanos em todos os Estados e municípios do país. O grupo também pede reformas em órgãos federais já existentes, como o CNDH (Conselho Nacional dos Direitos Humanos), a CEMDP (Comissão Especial sobre Mortos e Desaparecidos Políticos) e a Comissão de Anistia.
 
18. Revogação da Lei de Segurança Nacional
A CNV quer a revogação da Lei de Segurança Nacional (que define os crimes contra a segurança nacional e a ordem política e social), adotada na época do regime militar e ainda vigente.
 
19. Mudança das leis para punir crimes contra a humanidade e desaparecimentos forçados
A comissão solicita a incorporação na legislação brasileira do crime de “desaparecimento forçado” – quando uma pessoa é detida secretamente por uma organização do Estado – e dos crimes contra a humanidade. Segundo a CNV esses crimes já estão previstos no Direito internacional, mas não nas leis brasileiras.
 
20. Desmilitarização das polícias militares estaduais
Para a CNV, a estrutura militar da Polícia Militar dos Estados e sua subordinação às Forças Armadas é uma herança do regime que não foi alterada com a Constituição de 1988. Segundo a comissão, essa estrutura não é compatível com o Estado democrático de direito e impede uma integração completa das forças policiais. O grupo recomenda que a Constituição seja alterada para desmilitarizar as polícias.
 
21. Extinção da Justiça Militar estadual
Com a desmilitarização das polícias dos Estados, a Justiça Militar estadual deveria ser extinta. Os assuntos relacionados às Forças Armadas seriam tratados pela Justiça Militar Federal.
 
22. Exclusão de civis da jurisdição da Justiça Militar federal
A comissão recomenda que se acabe com qualquer jurisdição da Justiça Militar sobre civis e que esse ramo do Judiciário tenha atribuições relacionadas apenas aos militares.
 
23. Supressão, na legislação, de referências discriminatórias da homossexualidade
A CNV recomendou a retirada da legislação de referências supostamente discriminatórias a homossexuais. O grupo cita como exemplo uma lei militar descreve um crime como “praticar, ou permitir o militar que com ele se pratique ato libidinoso, homossexual ou não, em lugar sujeito a administração militar”.
 
24. Extinção do auto de resistência
A comissão recomenda que as polícias não usem mais classificações criminais como “auto de resistência” ou “resistência seguida de morte”. Geralmente essas tipificações são usadas em casos que suspeitos são feridos ou mortos pela polícia. A CNV sugere tipificações como “lesão corporal decorrente de intervenção policial” e “morte decorrente de intervenção policial”.
 
25. Introdução da audiência de custódia
A comissão recomenda a introdução no ordenamento jurídico brasileiro da audiência de custódia. Ou seja, todo preso teria que ser apresentado a um juiz até no máximo 24 horas após sua prisão. O objetivo é dificultar a prática de abusos.
 
26. Manutenção dos trabalhos da CNV
A comissão entendeu que não foi possível esgotar todas as possibilidades de investigação até a sua conclusão. Por isso recomenda que um órgão permanente seja criado para continuar as apurações e verificar a implementação de medidas sugeridas.
 
27. Manutenção da busca por corpos
O grupo sugeriu ainda que orgãos competentes recebam os recursos necessários para continuar tentando encontrar os corpos de desaparecidos políticos – frente em que a comissão não fez grandes avanços.
 
28. Preservação da memória
A comissão sugere uma série de ações para preservar a memória dos abusos cometidos durante a época do regime militar. Entre elas estão a criação de um Museu da Memória, em Brasília e o tombamento de imóveis onde ocorreram abusos. Eles também querem que nomes de acusados de abusos deixem de nomear vias e logrradouros públicos.
 
29. Ampliação da abertura dos arquivos militares
A comissão deseja que o processo de abertura de arquivos militares relacionados ao regime expandam seu processo de abertura. O grupo estimulou ainda a realização de mais pesquisas sobre o período nas universidades.
 
Fonte: Agência Brasil