29 de set de 2016

Metalúrgicos paralisam fábricas contra ataques aos direitos trabalhistas; confira o panorama



Metalúrgicos de todo o Brasil promovem nesta quinta-feira (29) o "Dia Nacional de Paralisações e Luta em Defesa dos Direitos" contra os ataques aos direitos trabalhistas/sociais e a Reforma da Previdência.
A mobilização, considerada mais um passo rumo à Greve Geral, é organizada pela FitMetal, entre outras entidades do setor, em repudio às medidas que o governo Temer quer impor ao país, como: a flexibilização da CLT, aumento da carga horária de trabalho, a possibilidade do negociado prevalecer sobre o legislado nas relações trabalhistas, idade mínima para aposentadoria, a proposta de terceirização para atividades-fim, entre outros projetos.
“Essa é mais uma ação preparatória de um setor importante da economia, que é o setor metalúrgico e operário, na construção de uma Greve Geral no Brasil que está cada vez mais próxima. A mobilização de hoje tem um caráter de aumentar a pressão, aumentar a unidade e construir ações que reforcem esse caráter nacional da luta dos metalúrgicos”, diz.
A paralisação também é contra a falta de uma política industrial, a médio e longo prazo, que permita um processo de reindustrilização do país, aponta Marcelino. Nos anos 70, a indústria tinha 30% de participação no PIB nacional, hoje em dia essa participação fica abaixo de 9%.
“As manifestações das Centrais, e agora a paralisação dos metalúrgicos, mostram que os trabalhadores não irão aceitar nenhum retrocesso. Essa ação nacional metalúrgica é uma somatória às categorias com data-base no segundo semestre, lutando pelas suas pautas específicas e em defesa de todos os trabalhadores do país”, completa Marcelino Rocha.
Em Minas Gerais, os metalúrgicos de Betim-MG inciaram cedo com o travamento da BR-381 nesta manhã. A mobilização começou às 5h30. 
No Rio de Janeiro, a paralisação começou pela manhã na Itaguaí Construção Naval (ICN), no litoral fluminense, e na Nuclep, dois polos importantes do setor naval brasileiro, que atualmente desenvolvem a construção do primeiro submarino brasileiro com propulsão nuclear.
“As ‘maldades’ que têm sido divulgadas por este governo nos ajudam a mobilizar e motivar os trabalhadores para que eles não deixem a luta de lado para pensar na sobrevivência. Ou nos mobilizamos ou iremos amargar terceirização, privatizações, demissões e perda de direitos”, afirma Jesus Cardoso Reis, 40 anos, presidente da Sindimetal-RJ e dirigente da Central dos Trabalhadores e Trabalhadoras do Brasil (CTB).   
Em São Paulo, os atos aconteceram nas cidades de São Caetano e São Bernardo, Diadema, Ribeirão Pires e Rio Grande da Serra. No total, cerca de 8 mil trabalhadores participaram dos atos. Na cidade de São Bernardo, estiveram na mobilização cinco mil metalúrgicos de 12 empresas. Outros 2,5 mil trabalhadores de oito fábrica fizeram parte do ato em Diadema.
No Rio Grande do Sul, metalúrgicos paralisam atividades em ao menos 13 municípios. Na Grande Porto Alegre, trabalhadores bloquearam um trecho da BR-290 no início da manhã.
Em Porto Alegre, os metalúrgicos protestam contra a possibilidade de mudanças provocadas pelas reformas trabalhista e previdenciária, em um ato contra o governo de Michel Temer. Já os metroviários liberaram as catracas das duas estações como forma de protestar contra a privatização da Trensurb, o sistema de trens metropolitanos.
Em Curitiba, trabalhadores da Renault em protesto. Na capital paranaense, os protestos acontecem nas principais indústrias desde as 6h da manhã, com participação efetiva de mais de 30 mil trabalhadores da capital e região metropolitana. Em São José dos Pinhais, região metropolitana de Curitiba, trabalhadores das principais montadoras - Renault, Volkswagen, Volvo, Audi, Bosch - protestaram contra as reformas trabalhista e da previdência.
Em Catalão, interior de Goiás, trabalhadores ocupam a BR-050.
Confira as fotos da mobilização: