11 de nov de 2013

Metalúrgicos de Betim e Região dão recado à intransigência da Fiemg: recusam banco de horas e decretam “Estado de Greve” na categoria

Em uma assembleia participativa, realizada na manhã do último domingo (10), os metalúrgicos de Betim e Região voltaram a rejeitar, em votação unânime, a proposta de reajuste oferecida pela Federação das Indústrias do Estado de Minas Gerais (Fiemg), rechaçaram a proposta patronal de implantação do banco de horas nas fábricas e decretaram “Estado de Greve” na categoria.
Com isso, num prazo de 48 horas de comunicação da decisão dos trabalhadores aos patrões, as fábricas metalúrgicos situadas em Betim, Igarapé e São Joaquim de Bicas - base de representação do Sindicato - podem ter a produção paralisada a qualquer momento.
Durante a assembleia, ficou evidente o descontentamento dos trabalhadores da categoria com a chantagem feita pela Fiemg, que condiciona a elevação do percentual de reajuste de 5,9% à aceitação, por parte da categoria, da implantação do banco de horas.
“Esta é uma proposta inaceitável”, reafirmou, durante a assembleia, o presidente do Sindicato, João Alves de Almeida, explicando em seguida os motivos do inconformismo dos trabalhadores com este sistema de compensação.
“Em Betim, os metalúrgicos já viveram uma experiência negativa com o banco de horas. Além disso, é uma forma de compensação pela qual o empregado trabalha sem receber, tem suas folgas exclusivamente determinadas pela empresa e, além do mais, passa a ficar mais tempo dentro da fábrica e, portanto, mais longe do convívio social com a família e amigos”, enumerou.
Presente à assembleia, o dirigente sindical Francisco Xavier, que integra a diretoria do Sindicato dos Metalúrgicos de Belo Horizonte e Contagem – entidade que faz parte da Campanha Salarial Unificada 2013 – também condenou o banco de horas e conclamou os trabalhadores para resistirem à proposta patronal. “Unidos aos sindicatos, temos que ter muito resistência,  coragem e perseverança na luta par não cedermos, em hipótese alguma, à chantagem da Fiemg”, sugeriu.
“Esta é uma luta de todos os metalúrgicos, que não podem aceitar a retirada de direitos e a imposição do banco de horas pela Fiemg”, reforçou o vereador Tiago Santana, do PCdoB de Betim, que criticou o fato de muitas empresas receberem incentivos fiscais dos governos municipal, estadual e federal, como terrenos e isenção de impostos, e não darem uma contrapartida social ao valorizar com salários mais dignos e condições de trabalho adequadas seus trabalhadores.
Também o presidente da Central dos Trabalhadores e Trabalhadoras do Brasil (CTB), seção Minas Gerais, Marcelino da Rocha, voltou a criticar a diferença salarial entre metalúrgicos de várias regiões do país, que coloca os trabalhadores da categoria em Minas Gerais na quarta pior posição no que diz respeito aos pisos salariais.
“Enquanto em muitos outros estados, como na Bahia, São Paulo, Rio de Janeiro e Rio Grande do Sul, metalúrgicos já têm acordos com mais de 2% de aumento real, aqui em Minas, sofremos com uma proposta vergonhosa da Fiemg, a única que foi apresentada nestes três meses de negociações”, acentuou. “Mobilizados nas fábricas e unidos aos sindicatos, temos a oportunidade de parar muitas fábricas, a partir da decretação do “estado de greve” e de, assim, fazer a diferença para melhor nesta Campanha Salarial Unificada”, complementou.
Em audiência de conciliação realizada na última quinta-feira (7), na Superintendência Regional do Trabalho e Emprego, ficou acertado que metalúrgicos e patrões voltam à mesa de negociações no próximo dia 19.

Fonte: Departamento de Imprensa – Sindbet. 

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