24 de mar de 2014

Mafalda, a famosa argentininha, faz 50 anos sem envelhecer

QUINO AO LADO DA ESTÁTUA DE SUA CRIAÇÃO NA PRAÇA MAFALDA EM BUENOS AIRES

Criada pelo argentino, que completa 82 anos dia 17 de julho, Joaquín Salvador Lavado Tejon, mais conhecido como Quino, a menininha Mafalda extrapolou o território argentino e ganhou as páginas dos jornais e de livros em todo o mundo nesses 50 anos de vigor renovado na contestação de uma garotinha carregada de bom humor e crítica ácida ao autoritarismo e á hipocrisia de uma elite antinacional e antipopular. Publicada de 1964 a 1973, ao mesmo tempo em que as tiras de Mafalda nos fazem rir nos levam à profundas reflexões sobre a vida, o mundo e o que queremos legar para as futuras gerações. Apesar de ter sido criada em 1962, sua primeira publicação só ocorreria dois anos após.
O próprio Quino argumenta, em tom muito humilde, que em seu trabalho, “apelava para as notícias do dia, e escrevia sobre o que saía nos jornais; o mundo era assim. Eu não disse, 'vou a fazer uma menina contestadora'; não, saiu assim. Muitas vezes desenhava coisas pelas quais me sentia impelido". As tiras de Mafalda, uma menina de seis anos de idade, que odeia sopa e adora os Beatles apresentam uma visão límpida da sociedade argentina sempre questionando o status quo com os olhos de uma menina de 6 anos sem soberba, mas crítica contundente de valores quase patriarcais, colonialistas e anti-povo da elite de seu país.
Mas Mafalda sobrevive ao tempo pelo que apresenta de caráter humano quando mostra sentimentos e questões sociais no âmago das pessoas dialeticamente introjetados e finamente reflexivos. A jornalista Nubia Silveira afirma que “o traço simples, leve, limpo e expressivo de Quino transforma em obra de arte cada quadro de uma tira. Os pequenos detalhes compõem as historietas que nos fazem sorrir e pensar. Os temas são os cotidianos: as guerras mundiais, o engarrafamento no trânsito, o alto custo de vida, as férias na praia, o aprendizado escolar”.
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Equivalente a Quino no Brasil é o cartunista Henrique de Sousa Filho, o nosso Henfil (1944-1988).  A diferença entre ambos é que Henfil viveu sob a ditadura e Quino encerrou sua mais famosa tira quando se instaurava a ditadura na Argentina. Talvez por isso Henfil seja mais ácido em sua crítica social e do elitismo de setores sociais brasileiros com personagens fantásticos, mas sem ganhar a notoriedade mundial de Mafalda, apesar de conterem a mesma força e o mesmo caráter contestatório, na vontade expressa de ambos os gênios em respeitar a dignidade humana, a inteligência e a diversidade, com ampla liberdade de criação.
Mafalda, no entanto, ganhou corações e mentes em todo planeta. Comparável somente aos Charlie Brown e Snoopy, da série Peanuts do cartunista norte-americano Charles Schulz, nos anos 1950 e eternizados. A diferença reside em que Mafalda uma típica latino-americana traz em seu bojo as características do humor latino-americano, que ri de si mesmo e ridiculariza os que querem determinar todas as regras de vida, sem maiores questionamentos. Esse humor refinado foi abraçado por milhares de crianças, jovens e adultos de todo o mundo. A famosa menina argentina completa 50 anos com o mesmo vigor de quando nasceu.
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Marcos Aurélio Ruy – Portal CTB

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