10 de ago de 2015

Frente Mineira é constituída para defender a democracia



O auditório do Conselho Regional de Engenharia e Arquitetura (CREA) ficou pequeno para a quantidade de pessoas que estiveram presentes no lançamento da Frente Mineira pelo Brasil na noite da última sexta-feira (7). Resistir, lutar e defender a democracia. Os participantes lembraram diversos momentos da história em que a mobilização do povo foi necessária para barrar o fascismo e construir a democracia. Outro destaque da noite foi a quantidade de entidades representadas no ato. Movimentos sociais, sindicais, estudantis, do campo e da cidade, se uniram para enfrentar as articulações de golpe e a onda conservadora. Uma agenda unitária foi estabelecida com grande convocação para protestos no dia 20 de agosto. A manifestação ocorre nacionalmente sob o tema “Tomar as ruas por direitos, liberdade e democracia”.


Para marcar o lançamento da Frente, foi convidado o teólogo Frei Leonardo Boff que sinalizou para retomada das bandeiras que deram origem ao projeto popular do governo. Ao lado de Leonardo Boff, compuseram a mesa de debate o vice-presidente da CTB-Minas, José Antonio Lacerda, o Jota, a presidente da CUT-MG, Betariz Cerqueira, o deputado estadual Rogério Correia (PT), a deputada federal Jô Moraes (PCdoB) e o coordenador nacional do Movimento dos Atingidos por Barragens (MAB), Joceli Andreolli.


Além da reação ao golpe, os participantes defenderam mudanças estruturais para que a esquerda no Brasil avance. Entre os pontos que unificam a frente ampla estão a posição contraria a retiradas de direitos trabalhistas, representada no Congresso Nacional pelo projeto de terceirização e o pacote de ajustes fiscais.

A disputa internacional, com ataques estratégicos aos projetos nacionais como é o caso da Petrobras também foram lembrados nas avaliações da conjuntura que desmontam as práticas da direita golpista brasileira.

Como parte das ações da Frente, será realizado em Belo Horizonte uma Conferência Nacional da Frente Popular, nos dias 05 e 06 de setembro que deverá reunir cerca de 5 mil pessoas.  


Leia abaixo a carta de lançamento da Frente Mineira pelo Brasil:

MINAS SE LEVANTA EM DEFESA DO BRASIL
Carta de lançamento da Frente Mineira pelo Brasil
Belo Horizonte, 7 de agosto de 2015

Percebemos em curso a restauração e alinhamento de um campo neoliberal antipopular e antinacional, demarcado pelo Imperialismo e composto pela grande mídia, a oligarquia financeira, líderes políticos conservadores e setores do judiciário. Estes atacam os direitos sociais, os direitos dos trabalhadores e trabalhadoras, à soberania nacional e orquestram pretextos artificiais para a interrupção da legalidade democrática. Aproveitam-se para isto do aprofundamento da crise econômica internacional e de erros cometidos por setores democráticos e populares, entre os quais aqueles cometidos pelo governo federal. A Frente Mineira pelo Brasil se posiciona convicta e firmemente contra qualquer tentativa de golpear o Estado Democrático de Direito.
O combate à corrupção é dever do Governo e de toda a sociedade, mas a operação Lava-Jato não pode manter sua descarada seletividade, ou deixará de cumprir a função de expor os desvios e promiscuidades estabelecidas entre o setor privado e o Estado. Nesse sentido a Frente Mineira pelo Brasil chama atenção para que no debate da reforma política seja privilegiado o debate do fim do financiamento privado de campanhas eleitorais.
No Congresso Nacional, o mais conservador e mais caro desde a abertura democrática, busca-se a aprovação de uma contrarreforma política, a redução da maioridade penal, a generalização da terceirização no trabalho e a alteração na Lei de Partilha do Pré-Sal, onde se sedimenta os planos de privatização da Petrobrás, a maior empresa do país.
Portanto, não há governabilidade ou pacto possível no terreno antipopular capitaneado por Eduardo Cunha!
O braço ideológico e mobilizador do bloco conservador, a grande mídia, cultiva o ódio entre o povo e dissemina o veneno a ser inoculado nas veias da Democracia. Com isso, prepara palco para a naturalização das pretensões das elites reacionárias e enfurecidas de retornarem ao poder central mesmo que para isso precisem arrastar o país para o fundo do poço. A desfaçatez com que foi tratado o ataque fascista ao Instituto Lula é sintomático da completa ausência de compromisso democrático desta grande mídia.
Barrar o golpismo, isolá-lo e derrota-lo é a missão urgente a ser enfrentada. Somente uma ampla unidade será capaz de realizá-la. A Frente Mineira pelo Brasil se coloca nesta trincheira.
Governabilidade popular
Nos últimos meses as organizações sociais do povo brasileiro deram uma poderosa demonstração de que há muita energia para resistir e superar o avanço conservador. As dezenas de atos e manifestações realizadas impediram que retrocessos maiores acontecessem. Essa resistência indica o caminho a ser perseguido no próximo período. O programa vitorioso em 2014 precisa ser resgatado.
Não é mais aceitável que 0,3% dos que declaram imposto de renda no Brasil detenham 22,7% da riqueza do país e que as grandes fortunas, heranças e o rentismo não sejam taxados, especialmente em um momento de crise internacional em que a conta é empurrada sobre a classe trabalhadora mundo afora.
A democracia brasileira é amordaçada pelo poder do dinheiro privado na definição das eleições e pelo monopólio dos meios de comunicação. As grandes cidades são estranguladas pela especulação imobiliária e pelos oligopólios do transporte público. O campo clama por uma reforma agrária popular. O extermínio dos jovens pobres e negros nas periferias é o retrato mais dramático da necessidade de construção de um vigoroso processo de lutas por avanços em direitos sociais, econômicos, cultuais e políticos.
O Brasil precisa construir um outro ciclo de desenvolvimento para atender as históricas e as novas demandas de seu povo. Este ciclo deve almejar em seu horizonte a realização de reformas democráticas e estruturais, ampliação de direitos sociais, uma política econômica marcada pela geração de emprego, distribuição de renda e fortalecimento da indústria nacional ao contrário da política de juros altos vigentes. Este ciclo somente se abrirá e será vindouro se for conduzido pela força social organizada de milhões de brasileiros.
Os mineiros conheceram, combateram e derrotaram o projeto conservador que pretende se restaurar no país. A reforma neoliberal do Estado batizada de Choque de Gestão e conduzida por Aécio Neves foi a responsável por colocar Minas na pior situação de sua história. A realidade ocultada por doze anos, mas amargada pelo povo mineiro, veio à luz: elevação da dívida pública, precarização do funcionalismo público e serviços públicos e fragilização da indústria, economia e empresas públicas. Sem falar das denúncias de corrupção sistematicamente blindadas pelo aparato conservador da grande mídia, Ministério Público, Tribunal de Contas e demais órgãos de controle.
A resposta do povo chegou nas eleições de 2014, o campo conservador perdeu em Minas nos dois turnos e foram exemplarmente derrotados no primeiro turno da eleição para o Governo Estadual. Conscientes de nossa responsabilidade nesse momento do país, novamente nos embandeiramos de esperança e ousamos enfrentar o conflito necessário.
A história de nosso país é a história da luta de seu povo. A herança maior de Minas para a construção da nação brasileira é o exemplo da luta do povo pela Liberdade. É com este espírito, alicerçado nos interesses e lutas do povo brasileiro, que nasce a Frente Mineira pelo Brasil.


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