5 de nov de 2015

"O uso político da Lava Jato não pode paralisar a economia do País", diz presidente da CTB


Dirigentes de entidades sindicais, entre elas, CTB, CUT e a Confederação Nacional dos Trabalhadores na Agricultura (Contag), se reuniram nesta terça-feira (3) com o ministro do Trabalho e Previdência Social, Miguel Rossetto, para discutir temas estratégicos à retomada de crescimento frente ao período de instabilidade política e econômica que o País atravessa.
O grupo faz parte do Fórum de Debates sobre Políticas de Emprego, Trabalho e Renda e Previdência Social, criado pelo governo com o objetivo de discutir propostas de melhorias das políticas públicas. A equipe é formada por representantes de trabalhadores, empresários, aposentados e pensionistas. Na ocasião os participantes debateram ainda a permanência do Fórum, previsto para ser encerrado em fevereiro do ano que vem.
Segundo os participantes, neste momento, a agenda de debates precisa ser revista e ter como foco a recuperação da economia, emprego, e discussões como uma possível reforma da Previdência devem ficar em segundo plano. Os integrantes do Fórum foram unânimes em reconhecer a necessidade de priorizar a retomada do crescimento no atual momento de recessão que o Brasil vive. Para a equipe presente, discutir a situação do setor da indústria de transformação, traçando estratégias para recuperar o desenvolvimento é indispensável nesta hora.
Uma das soluções apontadas pelos sindicalistas para impedir a estagnação da economia é de os órgãos, Controladoria Geral da União (CGU) e Advocacia-Geral da União (AGU), façam acordos de leniência com as empresas envolvidas em corrupção, investigadas pela Operação Lava Jato, da Polícia Federal. De acordo estimativa do Ministério da Fazenda, as ações da Lava Jato em organizações como a Petrobrás foram responsáveis por dois pontos percentuais na queda do crescimento.
O acordo de leniência permite uma empresa ou pessoa física envolvida em ilegalidade denunciar o esquema para auxiliar na investigação, em troca de benefícios como a redução de pena e a isenção do pagamento de multas.
Para os dirigentes sindicais, a medida é essencial e deve ser analisada, considerando o ambiente do Fórum, que envolve capital, trabalho e governo. Segundo afirmam, a decisão traria benefícios à estrutura econômica, produtiva e social.
Em nome da CTB, Adilson Araújo e Pascoal Carneiro disseram que a central estará aberta ao diálogo e defenderam uma mesa de debate permanente entre governo e trabalhadores. “Temos total interesse em dialogar, inclusive com empresários. Precisamos desatar os nós na Petrobrás, na indústria, construção civil. A gente sabe que o ambiente hoje não é favorável a acordos, mas precisamos construir caminhos, afirmou Adilson, presidente da entidade.
Pascoal Carneiro, Secretário de Previdência, Aposentados e Pensionistas da CTB, ressaltou que a organização sindical defende a adoção da política de leniência para reconstruir o crescimento econômico, promover a geração de emprego e distribuição de renda. “É preciso punir corruptos e corruptores, mas também preservar a engenharia nacional, que não pode parar, em função das investigações de corrupção. Entendemos também que não é hora de se falar em reforma da Previdência, quando o congresso nacional está o tempo todo discutindo a política regressiva. Não é essa agenda que interessa aos trabalhadores”, disse Carneiro.
Para o presidente da CTB, "o uso político da Lava Jato não pode paralisar a economia do País. É preciso manter as obras da construção, da Petrobrás, do Pré-Sal. Há uma retração evidente na economia e o debate agora deve girar em torno do desenvolvimento nacional. Precisamos discutir uma política justa de geração de emprego, renda e investimentos”, declarou Adilson.
Miguel Rossetto ouviu as opiniões dos representantes da classe trabalhadora e prometeu considerar suas reivindicações. “É muito importante preservar o Fórum. Vamos convidar toda a equipe econômica do governo, e demais órgãos, para fazer um debate sobre crescimento econômico e trabalhar com as sugestões colocadas aqui”, afirmou o ministro.

De Brasília, Ruth de Souza – Portal CTB

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