25 de mai de 2016

Segundo turno do golpe começa com clima de virada da resistência



A capital mineira pode ter se tornado o marco para um segundo momento da trama política com a reação popular ao golpe. Na última sexta-feira (20/05) Belo Horizonte se preparou para receber a presidenta Dilma que iria  participar do 5o Encontro de Blogueir@s e Ativistas Digitais, primeira aparição pública depois de seu afastamento. Um ato espontâneo dos belo-horizontinos superou a convocação da Frente Brasil Popular e levou de forma rápida mais de 40 mil pessoas para frente do hotel que acontecia o encontro.  Dilma foi ovacionada e recebida por um ato emocionante de apoio. Frases como “Fora Temer” e “Volta querida” ecoaram pelas ruas próximas ao hotel.

A presidenta legitimamente eleita foi recepcionada pelo presidente da  CTB/MG, Marcelino da Rocha e a presidenta da CUT/MG Beatriz Cerqueira. Dezenas de manifestações de carinho se juntou a soltura de balões vermelhos que levaram o símbolo da liberdade aos céus da capital. As centrais sindicais e as entidades que compõem a Frente Brasil Popular seguiram com a manifestação até a porta da Funarte, onde ocorre mais uma ocupação das 22 espalhadas por todo o País em protesto contra o golpe.    



Do lado de dentro, Dilma Rousseff disse estar surpresa e chorosa com a enxurrada de apoio que acabava de receber. A emoção, porém, não afastou a sua força para reafirmar que irá resistir até o fim e desmascarar os golpistas na segunda fase do processo no Senado.  Na abertura do encontro, Dilma denunciou o projeto golpista de desmonte do Estado com algumas das ações que já ganharam as manchetes do jornal nesse período de governo ilegítimo. A presidenta também se defendeu mais uma vez das acusações. Segundo ela, o conteúdo dos decretos que fazem parte da peça de acusação são idênticos a outros assinados por ex-presidentes. Ela citou o caso de Fernando Henrique Cardoso que durante seu mandato assinou 30 decretos iguais aos seis que foram apresentados pelos autores do impeachment. “Não era crime naquela época e não é crime agora” reafirmou.     

Derrotar o golpe
A capacidade de reverter o quadro de golpe no Brasil foi reafirmada por todos os participantes das mesas de debate do encontro que aconteceu até domingo. O presidente da CTB/MG, que esteve na manifestação no dia anterior, conduziu as duas mesas do debate da manhã junto com a presidenta da CUT/MG, Beatriz Cerqueira. “Foi montado uma máfia em Brasilia, e em sete dias fizeram mais assaltos aos direitos individuais e coletivos ao povo brasileiro do que em décadas passadas. Espero que a gente possa nas ruas com muita ousadia reverter esse quadro”


O jornalista e blogueiro Paulo Moreira Leite reafirmou por diversas vezes que acredita que o golpe pode ser derrotado. “A resistência da população ao golpe começou antes do golpe, continuou e tende a prosseguir. A manifestação em BH foi um marco, um protesto importantíssimo de resistência popular.” Paulo Moreira Leite também chamou atenção para a imposição da pauta golpista no Congresso que derrotada quatro vezes nas eleições.    

Contrainformação



O papel da comunicação no enfrentamento do golpe também foi tema de debate. Para Laula Capriglione, idealizadora do Jornalistas Livres, o momento é fundamental para dialogar com a classe média que começa a entender os riscos do golpe. Para ela a desconfiança básica com a rede Globo foi introduzida na “corrente sanguínea da população brasileira”. Laura alertou também para que o ativismo digital não favoreça mentiras que podem prejudicar o debate. “Os golpitas vão jogar cascas de bananas para a gente cair. É preciso saber disso e não cair. Espalhar informações sem credibilidade é uma casca de banana para depois eles nos acusar” alertou.

A voz da antinarrativa também foi defendida por Marco Weissheimer, jornalista e blogueiro de Santa Catarina.  Para ele, o que acontece no Brasil é um combate a onda fascista que cresce em escala mundial. “O Brasil não é um ponto fora da curva, o que está acontecendo aqui, está acontecendo – com diferenças e escalas – na Argentina, na Bolívia, na Venezuela, no Equador e em vários países.”

Direito à comunicação
Na segunda mesa, os participantes destacaram as ameaças à comunicação pública, ao marco civil regulatório e a internet no Brasil. Esses ataques tem ações concretas do novo governo golpista que nas primeiras medidas demitiu ilegalmente o presidente da Empresa Brasil de Comunicação (EBC). O retrocesso pode ser ainda maior com risco direto à construção da comunicação pública, segundo uma das coordenadoras do Fórum Nacional de Democratização da Comunicação (FNDC), Rosane Bertolli.


    
A internet como conhecemos hoje também é alvo da pauta conservadora do Congresso que ganha força com a equipe de Temer/Cunha. De acordo com Bia Barbosa, do Coletivo Intervozes, as mudanças nas leis podem intervir radicalmente nos direitos dos internautas. Para ela estão claramente ameaçados a neutralidade na rede e o acesso à internet. A neutralidade diz respeito a visualização do conteúdo, um principio em disputa em todo mundo. Mantida a neutralidade, não se pode priorizar um conteúdo sob o outro. Então, portais da grande mídia tem o mesmo critério de acesso que blogs progressistas, por exemplo. Outros projetos que censuram e espionam o usuário na internet podem entrar em pauta a qualquer momento na Câmara. Limitar a franquia na internet fixa também é uma sanha do mercado que pode vir com mais força com os usurpadores no poder.

Cultura
O teatrólogo Marcelo Bones esteve no encontro para relatar o posicionamento da Frente Nacional do Teatro, criado a partir do movimento de ocupações de sedes do Ministério da Cultura em 23 estados. Bones afirmou que tem convicção de que o fim do MinC não é provocado pelo desejo de eficiência dos gastos públicos, mas sim para desmontar o que foi criado nos últimos anos. De acordo com ele, a luta dos(as) artistas não termina com a volta do MinC porque a trincheira que foi construída é contra o golpe.      



Carta
Os(as) blogueiros(as) e ativistas digitais aprovaram ao final do encontro um documento com diretrizes de luta. A Carta de Belo Horizonte estabelece as ações dos(as) ativistas para enfrentar o governo ilegítimo que se instalou no Brasil no último dia 12.

  

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