10 de out de 2016

O filme Aquarius desnuda o capital que destrói o mundo e a vida para ter lucro



Humberto Carrão, Sonia Braga e Kleber Mendonça Filho, equipe de Aquarius é afinada

Apesar do retrocesso político no país, com o golpe jurídico-parlamentar que trouxe de volta o fantasma do Fundo Monetário Internacional, e todo o caos que isso representa para a classe trabalhadora, o cinema nacional tem uma safra de obras ímpares.
Aquarius, do pernambucano Kleber Mendonça Filho, já nasce clássico. Causou polêmica desde o protesto promovido pelo elenco do filme no Festival de Cannes, na França, em maio. Por causa disso, a equipe foi alvo de uma denúncia vazia por um crítico.
Também se estabeleceu a idade de 18 anos como mínima para assisti-lo. E para coroar a perseguição golpista, a obra foi preterida pelo Ministério da Cultura na seleção do candidato brasileiro para o Oscar 2017. Com muita delicadeza, Mendonça mostra na telona as transformações que o Brasil sofreu nas últimas décadas.
Com um roteiro sólido, intrincado com uma trilha sonora perfeita, a obra encena a trajetória de Clara (Barbara Colen, no começo e Sonia Braga), uma mulher de fibra, como é forte a mulher brasileira. Através da vida de Clara, a trama desenrola as mudanças do país.
A película se fia totalmente à canção tema Hoje, de Taiguara (1945-1996). Como na música, a questão do tempo é forte do começo ao fim da obra. A plateia se emociona com os versos: “(...) Hoje/Homens sem medo aportam no futuro/Eu tenho medo acordo e te procuro/Meu quarto escuro é inerte como a morte (...)”.
Um filme para a recuperar os tempos da delicadeza sem retroceder, caminhando sim com os olhos no futuro e resistir às opressões no presente. Por isso, “Eu não queria a juventude assim perdida/Eu não queria andar morrendo pela vida/Eu não queria amar assim como eu te amei” (Hoje).
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A vida entre o velho que insiste em ficar e o novo lutando para brotar permeia toda a obra. Quando o herdeiro de uma construtora de Recife, Diego Bonfim (Humberto Carrão) manda introduzir um cupinzeiro no prédio onde Clara morava e se recusava a vender seu apartamento.
Uma certa atualização da famosa frase do escritor paulista Mário de Andrade (1893/1945), no livro Macunaíma (1928) “muita saúva e pouca saúde os males do Brasil são”. Com os cupins representando a voracidade do capital sobre a classe trabalhadora, o meio ambiente, a vida.
Mendonça Filho nos leva a uma viagem incrível de sonhos, magia e cultura. Onde se vê claramente as nuances da luta de classes num país único como é o Brasil. Na resistência fica a esperança no futuro.
“Hoje/Homens sem medo aportam no futuro/Eu tenho medo acordo e te procuro/Meu quarto escuro é inerte como a morte”, como diz Taiguara na canção tema do filme. Em cartaz.
Portal CTB – Marcos Aurélio Ruy

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