12 de fev de 2010

Sindicato dos Metalúrgicos contabilizou aumento de 36,4% de demissões em 2009

Fonte: Sindicato dos Metalúrgicos de Betim, Igarapé e Bicas


Em 2009, foram homologadas pelo Sindicato dos Metalúrgicos de Betim 6912 rescisões contratuais de trabalhadores com um ano ou mais de emprego. O total foi 36,4% superior às homologações contabilizadas em 2008. Somados os dois anos, o número de demitidos chega a 11.981.

A maior parte das demissões contabilizadas em 2009 se concentrou nos primeiros três meses do ano, quando foram homologadas 3.899 rescisões – 56,4% do total.

Para o presidente do Sindicato, Marcelino da Rocha, o fato mostra que as empresas “se precipitaram por não terem aguardado que as medidas tomadas pelo governo federal após a eclosão da crise mundial tivessem o efeito esperado”. Tais medidas – redução do IPI cobrado sobre a venda de automóveis e ampliação da oferta de crédito ao consumidor – levaram a Fiat a registrar o melhor primeiro semestre de sua história no país. Junho de 2009 foi também o melhor em vendas para a fabricante italiana até aquela data.

Já no mês seguinte, por conta da incerteza em torno da prorrogação do incentivo – que, a princípio, seria oferecido até 30 de junho –, o número de demissões voltou a subir. Naquele mês, foram contabilizadas 601 dispensas – 8,7% do total apurado no ano –, após a queda registrada nos três meses anteriores.
Setor Automotivo

O setor automotivo, que engloba a Fiat e outras 13 empresas fornecedoras de autopeças, foi responsável por 56,6% das demissões registradas em 2009. Comparado a 2008, o crescimento do número de demitidos no setor foi de 48,3%. Somente a Fiat, que demitiu 1836 trabalhadores em 2009, respondeu por 26,7% das demissões.

Segundo Rocha, o número de dispensas só não foi maior graças a um acordo firmado em 17 de fevereiro, que garantiu emprego ou salário na montadora e na Aethra, Brembo, Comau, Denso Máquinas Rotantes, Denso Sistemas Térmicos, Isel, Magnetti Marelli, Mardel, Powertrain, Resil, Stola, Teksid do Brasil e Tower até o dia 10 de março, sem que fosse exigida qualquer contrapartida dos trabalhadores – em 13 de março, o acordo foi renovado até o dia 20 de abril, quando as medidas tomadas pelo governo já haviam impulsionado a retomada das vendas de automóveis e comerciais leves.

Adoecimento preocupa

Além das próprias dispensas, outro motivo de preocupação para o Sindicato foi o fato de, entre os demitidos, 649 – 9,4% do total – terem apresentado diagnóstico médico ou revelado possuir algum sintoma de doença relacionada ao trabalho. Segundo Rogério Djalma de Oliveira, diretor de saúde do Sindicato, tem preocupado, sobretudo, o número de casos de trabalhadores que recorrem à entidade para relatar sintomas de adoecimento mental, tanto na montadora quanto em fornecedoras de peças.

www.metalúrgicosdebetim.org.br. Publicado em 08/02/2010

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