27 de ago de 2012

Novo acidente com morte expõe más condições de trabalho nas fábricas de fogos do Centro-Oeste de Minas


Mais um trabalhador morreu no Centro-Oeste de Minas vítima de acidente de trabalho na indústria de fogos. José Antônio Bernardes, 61 anos, era empregado da Fogos Record, localizada na Fazenda Capão Vermelho, na zona rural de Lagoa da Prata.
A morte, ocorrida no dia 4, foi a segunda registrada este ano na região, que concentra dezenas de fábricas do ramo. No dia 8 de maio, outros dois trabalhadores perderam suas vidas em uma explo­são na fábrica de fogos de artifício Estrela, em Santo Antônio do Monte. Em 2011, foram quatro mortos em aci­dentes na região.
Para o Sindicato dos Trabalhadores das Fábricas de Fogos de Artifício de Santo Antônio do Monte, Lagoa da Prata e Itapecerica (Sindifogos), as mortes estão relacionadas às más condições de trabalho nas fábricas e a jornadas extenuantes de trabalho. Impedido pelos proprietários de fiscalizarem as empresas, o Sindicato tem denunciado os casos ao Ministério Público do Trabalho.
Após as últimas mortes, fiscais do Ministério do Trabalho estiveram na região verificando a situação das fábricas de fogos. Em contato com o Sindifogos, os fiscais disseram que a fiscalização deverá ser intensificada, com visitas às fábricas pelo menos a cada dois meses.
Para o presidente do Sindicato, Antônio Camargo dos Santos, somente com uma fiscalização constante e com a punição exemplar dos fabricantes que não estão cumprindo a legislação os acidentes poderão ser minimizados.
“O Sindicato tem feito o que pode para que as empresas ofereçam boas condições de trabalho e segurança para seus empregados. Mas, como somos impedidos de entrar nos locais de trabalho, só mesmo com a ajuda do Ministério Público do Trabalho será possível evitar a ocorrência de novos acidentes”, disse o presidente do Sindifogos.
Para que tragédias como estas não se repitam, o Sindifogos, por meio da CTB Minas, encaminhou ofícios às autoridades tra­balhistas, Procuradoria Federal do INSS, Exército Brasileiro e ao Conselho Nacio­nal de Justiça denunciado as mortes dos trabalhadores e pedindo providências urgentes para a melhoria das condições de trabalho e de segurança nas fábricas de fogos.
A CTB Minas tam­bém solicitou à Assembleia Legislativa de Minas Ge­rais (ALMG) a realização de uma audiência pública para debater os acidentes no tra­balho. Para a CTB, a vida humana não é mercadoria e a segurança no trabalho é direito funda­mental.
“Basta de tragédias nas fábricas de fogos. O Poder Público precisa tomar medidas efe­tivas para se evitar que mais trabalhadores sejam assas­sinados em pleno exercício de suas atividades pela ga­nância do capital que explo­ra e mata”, disse o presidente em exercício da CTB Minas, José Antônio de La­cerda, o Jota.
Multa
Durante a fiscalização em Santo Antônio do Monte, uma fábrica de fogos foi multada em R$ 5 mil por não oferecer copos descartáveis a seus empregados. “Essa situação é um exemplo da precariedade das empresas da região e da falta de respeito dos empresários para com os trabalhadores. Se não oferece copos descartáveis, que segurança os trabalhadores desta empresa vai ter no chão de fábrica?”, questionou a diretora do Sindifogos Silvânia de Sousa Pinto.

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