7 de fev de 2014

Movimentos se mobilizam pela democratização da comunicação


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Dezenas de pessoas se reuniram, na noite da última quinta-feira (6), na sede do Centro de Estudos da Mídia Alternativa Barão de Itararé, em São Paulo para debater maneiras de fortalecer a luta pela democratização dos meios de comunicação neste ano. 

Representantes do movimento sindical, de mulheres, da juventude e negro deram sua contribuição para a ampliação da campanha “Para Expressar a Liberdade”, que objetiva coletar assinaturas para a votação da Lei da Mídia Democrática, o projeto de iniciativa popular precisa de um milhão e trezentas mil assinaturas para ser analisado na Câmara dos Deputados. De acordo com a coordenadora do Fórum pela Democratização da Comunicação (FNDC), Rosane Bertotti, apesar de um grande número de entidades aderirem à iniciativa o número de assinaturas ainda não é suficiente para a aprovação do projeto. 

Neste sentido, o presidente do Barão de Itararé, Altamiro Borges, contou sobre a experiência da Argentina que conseguiu aprovar a Ley de Medios no país, após a presidenta Cristina Kirchner quebrar o monopólio do Grupo Clarín, que detinha o direito sobre os jogos de futebol e fazia a transmissão somente na televisão paga. “A Ley de Medios argentina é uma das mais avançadas no mundo. Cristina Kirchner decidiu democratizar a comunicação para que o futebol fosse dos argentinos”, contou Miro, ele sugeriu que, a exemplo do país vizinho, também usemos o futebol como instrumento para sensibilizar a população sobre a necessidade de democratizar a mídia e pediu que a juventude se aproprie mais desta luta. 

“Vamos chutar a Globo para escanteio”

Durante o debate, o publicitário e criador da página “Política no Face”, Mauro Panzera, apresentou uma ideia de slogan para ser usado na campanha “Vamos chutar a Globo para escanteio” e destacou a importância do uso das redes sociais como ferramenta para combater o monopólio midiático.

“As redes sociais desmoralizam a mídia”, disse, ao citar como exemplo a repercussão das declarações da jornalista do SBT, Raquel Sherazade, que defendeu a ação de policiais do Rio de Janeiro que prenderam um adolescente de 16 anos - acusado de cometer furtos no bairro do Flamengo - nu a um poste com o pescoço acorrentado por uma trava de bicicleta e com parte da orelha cortada. 

O comentário preconceituoso gerou polêmica nas redes sociais e estimulou a criação de eventos no facebook como “Chaves no Lugar da Rachel Sherazade”, que teve a adesão de mais de 17 mil pessoas em menos de 24 horas.

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Também foram feitas montagens com vídeos, uma delas aponta a repórter comentando sobre a prisão do também adolescente Justin Bieber mas, desta vez em outro tom (Veja abaixo). O Sindicato dos Jornalistas Profissionais do Município do Rio de Janeiro e a Comissão de Ética desta entidade emitiram uma nota em repúdio à postura da apresentadora. 
Para combater estas e outras atrocidades da mídia, os participantes decidiram, no fim da plenária, que foi transmitida ao vivo pela TVT, ampliar as ações concretas para a coleta de assinaturas. No  ano em que a ditadura militar- apoiada pela imprensa - completa 50 anos no Brasil, assim como a realização de grandes eventos como a Copa do Mundo e as eleições presidenciais, será uma oportunidade para a divulgação de materiais que conscientizem a população da urgência na aprovação de uma regulamentação para a mídia, que a torne democrática. 

Fonte: Portal da CTB

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