11 de ago de 2014

"Não fui eleita para arrochar salários”, diz Dilma em ato das Centrais


Em ato que lotou o ginásio da Portuguesa na última quinta-feira (7), em São Paulo, a presidenta Dilma Rousseff, candidata à reeleição, recebeu o apoio de lideranças das seis principais centrais sindicais do país. O apoio foi acompanhado por uma pauta de reivindicações, que inclui a redução da jornada e o fim do fator previdenciário.
  

Ao coro de “olê, olê, olá, Dilma, Dilma”, a presidenta reafirmou o compromisso de manter a política de valorização do salário mínimo, gerar empregos e garantir mais direitos. “Tenho orgulho de ter modificado a CLT para ampliar direitos. Não fui e nem serei eleita para arrochar salários, desempregar e tirar direitos. Tenho lado. E o meu é ao lado dos trabalhadores”, enfatizou a candidata.

Dilma destacou que as eleições representam a escolha de dois projetos para o Brasil. “Eu represento um projeto, que nós todos ajudamos a eleger. É um projeto que deu ao Brasil presente e futuro. Desenvolveu e distribuiu renda”, disse.

 A presidenta destacou que seu governo “jamais iria jogar nas costas dos trabalhadores” qualquer problema econômico que enfrentasse, e lembrou: “Eles [PSDB] quebraram o Brasil três vezes, e por três vezes levaram o Brasil ao FMI. Nós fomos lá e pagamos o FMI”.

 Sobre as declarações do candidato tucano Aécio Neves, que disse em entrevistas que vai adotar “medidas impopulares“, Dilma disparou: “Querem medidas impopulares de controle inflacionário. Essa medida impopular é acabar com a valorização do mínimo”.

 A presidenta acrescentou que, enquanto o mundo desempregou 60 milhões de trabalhadores, o Brasil gerou, de 2008 a julho de 2014, 11,5 milhões de vagas com carteira assinada e 11 milhões de empregos, isso porque o governo abandonou o legado de controlar a inflação por meio do arrocho dos salários. E foi enfática: “Eles elevaram a inflação à estratosfera antes de entregar para nós o governo. Eles levaram o Brasil ao desemprego e ao arrocho salarial"

 Dilma também rebateu a afirmação de Aécio de que o Mais Médicos tem “data de validade”. “O Mais Médicos vai durar até quando o brasileiro precisar. Só quem não tem sensibilidade é que pode dizer um absurdo como esse”.


Lula: “O futuro já chegou”
  
Ovacionado pelo plenário, o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva ressaltou a característica de contestação dos sindicalistas, mas lembrou o compromisso e a lealdade dos dirigentes. “Eles às vezes reivindicam coisas que a gente não pode atender. Às vezes são duros nas críticas, mas podemos ter a certeza de que numa situação adversa são os primeiros a se levantar para defender um governo dos trabalhadores”, disse Lula.

“Sabem que não foi possível atender tudo. Mas sempre foram tratados com o respeito, dignidade e a decência que merecem os trabalhadores”, completou Lula, lembrando que muitos sindicalistas passavam mandatos inteiros sem conseguir ser recebidos pelo governante.
  

Lula disse ainda que o trabalhador demonstrou ter mais competência para governar do que muito diplomado. “O que essa gente não se conforma é com o fato de que o futuro começou em 2002, quando resolveu eleger um metalúrgico presidente. Que o futuro começou quando o filho da empregada doméstica estava estudando engenharia”, afirmou Lula.

 Sobre as críticas da oposição de que o Brasil deixou de ser competitivo com a valorização do mínimo, Lula lembrou: “Tivemos a coragem de fazer uma política de salário mínimo que o trabalhador não precisava mendigar todo ano aquilo a que ele tem direito”.

 E finalizou: Para eles, o futuro é coisa abstrata. Para nós é o povo construindo junto com o governo as diretrizes desse pais”.

Somos Dilma 
“Não queremos retrocesso”, essa foi a tônica dos discursos dos dirigentes das seis centrais sindicais (CTB, CUT, Força Sindical, UGT, Nova Central e CSB) durante o ato de apoio a Dilma.

“Não queremos o retorno de reajustes congelados, de negociações coletivas na base da polícia de choque. Queremos manter o projeto feito por Lula e continuado por Dilma”, disse Adílson Araújo, presidente da Central dos Trabalhadores e Trabalhadoras do Brasil (CTB).

Ricardo Patah, presidente da União Geral dos Trabalhadores (UGT), destacou as demandas sindicais pendentes. “Queremos a redução da jornada e o fim do fator previdenciário. Queremos ser tratados como cidadãos, como homens e mulheres visíveis“, disse.

Vagner Freitas, presidente da Central Única dos Trabalhadores (CUT), falou sobre os avanços, mas lembrou que é preciso ratificar a Convenção 151, por exemplo, para garantir o direito de negociação dos servidores. “O trabalhador do setor público precisa fazer 30 dias de greve só para começar a negociação“, lembrou.

O secretário-geral da Força Sindical, João Carlos Gonçalves (Juruna), ressaltou a importância da unidade das centrais para fortalecer as reivindicações de interesse dos trabalhadores. “A busca por melhores salários, mais emprego, educação e saúde se dá na unidade dos trabalhadores e na influência que exercer na campanha e no próprio governo, porque não podemos deixar de lado o fato de que o governo é uma composição de partidos e, portanto, uma composição de interesses“.

 Além das lideranças sindicais, o ato também contou com a presença do ministro da Casa Civil, Aloizio Mercadante; o coordenador da campanha de Dilma em São Paulo e prefeito de São Bernardo do Campo, Luiz Marinho; o senador e candidato à reeleição, Eduardo Suplicy; o candidato ao governo de São Paulo, Alexandre Padilha, e seu vice, Nivaldo Santana.




FONTE: Vermelho (fotos: Sala de Imprensa Dilma)

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