19 de dez de 2014

Os “petrobrax” querem matar dois coelhos com uma cajadada só

size 960 16 9 Operários da Petrobras embrulhados na bandeira do Brasil na Plataforma P 26 na Bacia de Campos
 
Na carona das denúncias de corrupção envolvendo a Petrobras, provenientes da chamada Operação Lava Jato e erguendo a falsa bandeira do moralismo, a direita neoliberal procura tirar vantagens para realizar objetivos que contrariam os interesses da classe trabalhadora e da nação brasileira. Mas não transparecem com nitidez nos noticiários, permanecem na sombra.
 
Nesta empreitada os liberais contam com total apoio e respaldo da mídia burguesa, que amplifica o escândalo ao mesmo tempo em que esconde a grossa corrupção tucana no Metrô de São Paulo. Esta última não tem o destaque merecido nos veículos que monopolizam a comunicação no Brasil, mas ao longo dos últimos 20 anos acumulou falcatruas dos governos liderados pelo PSDB que resultaram em prejuízos estimados em mais de R$ 2 bilhões para os cofres públicos.
 
A campanha orquestrada de que é vítima a Petrobras é orientada por dois objetivos centrais. Em primeiro lugar visa desestabilizar o governo Dilma. A direita quer o impeachment e os mais extremistas apelam aos quartéis para um golpe militar. O outro objetivo é desmoralizar completamente a gestão pública da empresa para abrir caminho à privatização.
 
Convém lembrar que durante o governo FHC a privataria tucana ensaiou alguns passos nessa direção. Para agradar os gringos e facilitar as coisas, propôs até a alteração do nome da estatal para Petrobrax. As críticas soaram fortes e entreguistas, então desistiram da ideia. Porém, os “petrobrax” continuaram alimentando o propósito da privatização, embora sem muito alarde, agindo nas sombras.
 
A Operação Lava Jato reanimou o ânimo desses agentes das multinacionais e do imperialismo, que agora já falam abertamente contra a propriedade estatal petrolífera, que apontam como a mãe da corrupção, esquecendo que o papel de corruptores em geral tem sido exercido por grandes empresas, principalmente multinacionais, e empresários.
 
É imprescindível a apuração rigorosa dos crimes cometidos, bem como a punição exemplar de corruptos e corruptores. Todavia, não é tolerável que o escândalo descoberto pela Operação Lava Jato seja usado como pretexto para desestabilizar o governo Dilma (que mandou investigar) e abrir caminho à privatização da Petrobras.
 
Os interesses que se movem nos bastidores deste caso são poderosos e não devem ser subestimados. Estão de olho na riqueza do pré-sal e nos lucros do petróleo brasileiro. O movimento sindical e a classe trabalhadora devem colocar as barbas de molho e ficar de prontidão para a luta. A defesa da Petrobras como empresa pública contra a ganância do capital estrangeiro e os lacaios nativos é vital para o futuro do Brasil e a perspectiva do desenvolvimento nacional com valorização do trabalho, democracia e soberania.

Por Wagner Gomes, secretário-geral da CTB.
Os artigos publicados na seção “Opinião Classista” não refletem necessariamente a opinião da Central dos Trabalhadores e Trabalhadoras do Brasil (CTB) e são de responsabilidade de cada autor.

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