2 de mar de 2015

Conselho da CTB afina discurso contra supressão de direitos

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Discutir o atual momento político enfrentado pelo Brasil, orientar o posicionamento da CTB nas discussões que estão sendo propostas e definir uma agenda de lutas para o próximo período foram os temas da pauta da Reunião do Conselho Político da CTB, realizada nesta quinta-feira (26), em São Paulo.
O encontro, que contou com a participação da diretoria ampliada da CTB e de dirigentes de entidades filiadas, fez uma radiografia do estágio de complexidade que o país vive, principalmente diante do conservadorismo da composição do Congresso Nacional, da politica de austeridade fiscal e dos ajustes que o governo tem promovido que geram impactos que envolvem um processo visível de flexibilização de direitos e abrem caminho para a precarização das condições de trabalho.
Adilson Araújo, presidente nacional da CTB, compôs a mesa de abertura com Joílson Cardoso, vice-presidente; Wagner Gomes, secretário-geral; Ivânia Pereira, secretária da Mulher Trabalhadora, e Alberto Broch, presidente da Contag, sendo substituído posteriormente pelo secretário de Finanças e presidente da Fetaemg, Vilson Luiz.
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O presidente da CTB iniciou os trabalhadores abordando a complexidade da atual conjuntura e a relevância da agenda que vai dar repercussão ao enfrentamento em um quadro de dificuldades. Para ele é imperativo que a central parta para ofensiva para combater a onda golpista que cresce de forma oportunista a cada dia que passa.
Coube a Ivânia Pereira destacar a importância da unidade nesse contexto. “Ganhamos a presidência, mas fomos derrotados na eleição parlamentar. Agora estamos num estágio em que todos os projetos nocivos para a classe trabalhadora poderão ir para votação. E não temos dúvida que se não houver uma ampla mobilização essas propostas serão aprovadas. Dessa forma, a unidade é a palavra chave e a saída para essa crise que vivemos”, afirmou.
Ataques à democracia
Para nortear os debates, coube ao assessor político Umberto Martins apresentar uma profunda análise de conjuntura, que ressaltou os principais desafios que estão colocados tanto para os sindicalistas, como para o conjunto da classe trabalhadora. “Nesse cenário de crise econômica e radicalização da luta política, que não se restrige apenas ao Brasil, é preocupante a ofensiva golpista da direita neoliberal que, neste momento, defende o impeachment da presidenta Dilma, atropelando a vontade popular expressa recentemente nas urnas, com propósitos reacionários e antidemocráticos. Esse é um cenário que demanda muita preocupação”, alertou Umberto Martins.
Nesse sentido, de acordo com o assessor, os trabalhadores terão pela frente dois desafios: defender os direitos trabalhistas, ao mesmo tempo em que defendem a democracia. “Temos que promover uma ampla frente em defesa da democracia em nosso país, mas isso não significa que vamos abrir mão da defesa dos direitos dos trabalhadores, a exemplo das MPs 664 e 665, que são falsos argumentos para corrigir distorções e do ponto de vista da economia são contraproducentes”, ressaltou Umberto Martins.
Para que haja mudanças expressivas, segundo Umberto Martins, é preciso que os trabalhadores se mobilizem para pressionar o governo e impedir o avanço dessa onda golpista. “É preciso criar uma ampla frente democrática em defesa da democracia, da soberania e dos direitos sociais para fazer frente à ofensiva reacionária e ampliarmos a mobilização das bases em defesa dos direitos, dos interesses da classe trabalhadora, pela mudança da política econômica, defesa da Petrobras, reforma agrária e fortalecimento da agricultura familiar, conquistas que abrirão caminho para um novo projeto de desenvolvimento nacional com valorização do trabalho. Não adiantar só pensar em administrar essa crise”, finalizou o assessor político da CTB.
Petrobras
Após a análise de conjuntura, o plenário foi aberto para as intervenções dos participantes de deixaram claro o grau de preocupação com os rumos dos acontecimentos no cenário nacional. A defesa da Petrobras foi um dos temas que encontraram eco nas falas dos sindicalistas, preocupados com a ofensiva das forças golpistas que promovem ataques diuturnamente.
Posicionamento defendido pelo petroleiro Divanilton Pereira, secretário de Relações Internacionais da CTB, ao lembrar que a petrolífera sempre foi alvo de ataques, que agora encontram repercussão na grande imprensa com seu amplo poder de alcance. “O que desequilibra a situação no atual momento é o alcance dos grandes meios de comunicação que tentam 24h desmoralizar a Petrobras como se os 86,111 funcionários fossem corruptos. Por isso entendemos que essa disputa na Petrobras está inserida na grande disputa política geral. Inviabilizar uma empresa com esse nível de investimento - cerca de 300 milhões por dia - significa inviabilizar o desenvolvimento do Brasil. Daí a importância de promovermos mobilizações, articulando em todos os estados esse posicionamento para vencermos mais uma vez os derrotados de ontem e de hoje”, afirmou o petroleiro.
PL 4330: a terceirização desenfreada
O desengavetamento do Projeto de Lei (PL) 4330, que promove a terceirização desenfreada, foi outro destaque levantado pelos cetebistas. Joílson Cardoso, vice-presidente da CTB, apresentou um relatório das discussões feitas em Brasília e reforçou a necessidade do movimento sindical partir para o ataque, pressionando parlamentares e o governo a se posicionarem contrários ao PL, que promove e, acima disto, escancara a terceirização e precariza as condições de trabalho.
“A CTB lidera a defesa nos conselhos contra esse posicionamento do relator Arthur Maia, que quer colocar o projeto em votação em abril. E vamos para o parlamento pressionar e dialogar com as lideranças partidárias para sensibiliza-las para o prejuízo do texto. Na próxima semana, estaremos no Congresso promovendo esse esforço gigantesco, que demandará inclusive uma mobilização na nossa base e nos estados, para pressionar os deputados a se posicionarem sobre o tema. Também faremos campanhas em aeroportos, que além de combater o PL 4330, terão o objetivo de defender mais uma vez a revogação das MPs 664 e 665”, afirmou o vice-presidente da CTB.
Agenda de Lutas
Além das amplas discussões acerca dos direitos trabalhistas e das tentativas de desestabilizar o governo Dilma Rousseff, os dirigentes da CTB trouxeram para o debate um panorama da luta promovida nos estados e nas categorias. As eleições sindicais que se aproximam, as mobilizações dos trabalhadores rurais, como o 20º Grito da Terra, a 5ª Marcha das Margaridas e o calendário da Jornada de Lutas, que se inícia no dia 02 de março com atos nas STRs; foram algumas das atividades que passaram a integrar a o calendário construído pela Central para os próximos meses.
Ao final, os dirigentes aprovaram a criação de uma comissão responsável pela construção e aprovação daResolução Política da reunião, que contém o posicionamento da Central diante a complexidade do atual momento político enfrentado no país.
Cinthia Ribas - Portal CTB

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