24 de nov de 2015

"Temos que nos unir para que não haja retrocesso na região", diz dirigente da CTB


Após 12 anos de governo kirchnerista que, entre outras conquistas, conseguiu tirar a Argentina de uma das piores crises econômica e social de sua história (2001-2002) com a distribuição de renda, defesa dos direitos humanos, democratização da comunicação; com a constitucionalização lei dos meios, entre outras medidas em benefício dos setores mais populares, o país será presidido pela direita. 

Esta foi a primeira vez que a Argentina elegeu seu presidente em segundo turno. No último domingo (22), Maurício Macri (Cambiemos) - que assumirá no dia 10 de dezembro - venceu com 51,45% contra 48,55% do governista Daniel Scioli (Frente para la Victoria).

O empresário foi presidente por oito anos do maior clube de futebol do país o Boca Juniors, atualmente é o prefeito de Buenos Aires. Sua fortuna vem do império criado pelo pai dono de um conglomerado Sociedade Macri (SOCMA), que teve crescimento destacado durante a ditadura militar naquele país (1976-1983). 

Entre outras medidas, Macri anunciou que pretende aplicar um ajuste neoliberal no país, pedirá a suspenção da Venezuela do Mercosul (Mercado Comum do Sul), irá negociar com os fundos abutres, fazer com o Reino Unido um acordo “amistoso” sobre as Ilhas Malvinas (território argentino ocupado ilegalmente pelos ingleses) e deixar para trás os julgamentos pelas graves violações aos direitos humanos que ocorreram no regime militar. 

De acordo com o economista e analista internacional Ernesto Mattos a política exterior de Macri estará totalmente voltada para os Estados Unidos e a direita continental que, segundo ele, esperam que haja um efeito dominó na região. 

“Macri buscará filiar-se ao Acordo Transatlântico de Livre Comércio e Investimento (TTIP, sigla em inglês), e também retomar o Acordo de Livre Comércio das Américas (Alca)”, afirmou em entrevista para a TeleSur. 

Este ano completou-se 10 anos que o referido projeto foi derrotado em Mar del Plata, justamente na Argentina após uma campanha continental de rechaço à proposta. Néstor Kirchner, Lula e Hugo Chávez, enterraram o projeto, durante a 4ª Cúpula das Américas. 

Na opinião do secretário de Relações Internacionais da CTB, Divanilton Pereira, “A derrota do projeto progressista na Argentina é uma combinação entre a ação desestabilizadora imperialista, os efeitos da crise capitalista e os limites de uma coligação política”, expressou. 

Na análise do sindicalista, o ciclo de governos progressistas e de esquerda na região inaugurado em 1998 por Hugo Chávez na Venezuela precisa ser fortalecido. Para ele, com o avanço da direita e as ameças imperialistas cada vez mais frequentes a integração se faz necessária "temos que nos unir para que não haja retrocesso na região", informou para o Portal CTB

“Nunca tivemos a ilusão de que o novo ciclo inaugurado em nossa região estaria consolidado. Ainda enfrentaremos idas e vindas. Esse insucesso eleitoral faz parte das possibilidades desse processo. Saberemos extrair lições e venceremos”, declarou Divanilton.

Érika Ceconi - Portal CTB, com informações da TeleSur

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