16 de jun de 2016

Após denúncia em esquema de propina, Temer engrossa discurso sobre ajuste nos investimentos


Em um discurso de sete minutos no Palácio do Planalto, à imprensa nacional, o interino Michel Temer tentou explicar seu envolvimento em esquema de propina para campanha eleitoral denunciado pelo ex-presidente da Transpetro, Sérgio Machado, em delação da operação Lava Jato.
Ao final, Temer reiterou sua defesa ao pacote de maldades implementado nos últimos 30 dias. “Ao longo deste mês praticamos os mais variados gestos para tirar o país da crise. Temos uma equipe preparada [ministério ficha-suja] que sabe quais medidas [Ponte para o Futuro] precisamos tomar para continuarmos a trabalhar em prol do Brasil”.
Corte nos investimentos
Ao analisar o pacote de maldades de Temer, o diretor técnico do Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese), Clemente Ganz Lúcio, afirmou, durante entrevista ao Portal Vermelho, que a regra fiscal da gestão interina tem como régua uma terapia “parcial”, que pesa sobre o povo e poupa os que lucram com juros da dívida.
Ele avalia que, em um cenário de crise, o Estado deve ser indutor da economia e não um carrasco. É preciso uma “terapia que implique em ampliação dos investimentos, especialmente dos investimentos públicos, porque geram renda e isso significa mercado interno”, diz Clemente. 
O pesquisador alerta que o caminho tomado por Temer é exatamente o contrário. “Há uma concordância de que, no longo prazo, deve-se trabalhar com o equilíbrio fiscal. Mas isso tem que ser construído no momento em que a economia volta a crescer e, portanto, há recuperação da receita do Estado. Fazer um ajuste como este agora é consolidar uma terapia que joga para a sociedade o custo desse ajuste”, critica.
Quem paga a conta?
De acordo com informações do diretor técnico do Dieese, o país tem gasto, por ano, mais de R$ 500 bilhões para pagar juros e encargos da dívida “para meia dúzia de beneficiários dessa transferência”. Só em 2015, foram R$ 540 bilhões direcionados para este fim.
Ao revelar que é o verdadeiro pato, Ganz Lúcio emenda: “Vamos impor aos mais de 200 milhões de brasileiros que não são donos da dívida pública um baita arrocho, para que tenhamos capacidade fiscal de fazer essa transferência. É um escândalo!”.
Recordista em corrupção
Sobre a delação de Machado, que em delação premiada o acusou de acertar R$ 1,5 milhão em propina para a campanha eleitoral do PMDB de São Paulo, o interino classificou como “leviana" as declarações. No entanto, em seus 5 minutos de revolta não conseguiu indicar nenhuma justificativa plausível que invalidasse as declarações.
Temer ainda acrescentou que não deixará "passar em branco essas afirmações", mas, ao mesmo tempo, não indicou quais providências tomará sobre a questão.
Segundo informações dos corredores do Palácio do Planalto, a repercussão da delação causou desconforto e forçou o interino Temer cancelar pronunciamento à nação, em cadeia de televisão e rádio, que estava previsto para esta sexta-feira (17).
Portal CTB - Joanne Mota, com informações do Portal Vermelho.

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