22 de mar de 2017

Auxiliares de Administração Escolar dizem não à reforma da Previdência



Em Belo Horizonte, cerca de 150 mil pessoas participaram do Dia Nacional de Greve da Educação




Os auxiliares de administração escolar de Belo Horizonte atenderam ao chamado do sindicato e se uniram a milhares de outros trabalhadores para protestar contra as reformas da Previdência e Trabalhista do governo Temer no dia 15 deste mês. As manifestações ocorreram em todo o país e reuniram um milhão de pessoas. Na capital mineira, cerca de 150 mil trabalhadores participaram do Dia Nacional de Greve da Educação.


Às 9h, o Sindicato dos Auxiliares de Administração Escolar do Estado de Minas Gerais (SAAEMG) e trabalhadores de várias escolas particulares de Belo Horizonte já estavam concentrados na praça da Estação. Durante a caminhada, que durou cerca de 4h, a categoria seguiu para a praça da Assembleia Legislativa de Belo Horizonte.



Ao lado de vários estudantes e professores que também aderiram ao movimento, a  presidente do sindicato, Rogerlan Augusta de Morais, considerou positiva a participação dos trabalhadores da educação.


“Essa grande participação no dia de hoje mostra que a sociedade entendeu a gravidade das propostas do governo Temer. Nós temos o direito de aposentar com dignidade. Não podemos nos conformar com essa reforma que tem como objetivo impedir a aposentadoria do brasileiro”, disse ela.


O Proposta de Emenda Constitucional do governo Temer (PEC 287/2016) quer acabar com a aposentadoria por tempo de contribuição, propondo aposentadoria apenas por idade, aos 65 anos, indistintamente para homem ou mulher. A PEC estabelece ainda nada menos do que 49 anos de contribuição para o recebimento do salário da aposentadoria integral.


Vigilantes

Durante a caminhada, o vice-presidente do sindicato, Amaury Alonso Barbosa, pediu aos trabalhadores que ficassem atentos aos parlamentares mineiros que já anunciaram os seus votos em favor da “reforma” da Previdência.


“Vamos ficar vigilantes, pois não podemos reelegê-los nas próximas eleições. E essas ‘reformas’ não foram apresentadas aos eleitores durante as eleições de 2014. Se fossem, não seriam vitoriosas naquele ano. Sendo assim, o governo golpista do Temer não tem legitimidade para levar essa PEC adiante”, esclareceu ele.



Presente na manifestação, o auxiliar de administração escolar Marco Aurélio Bizarria Werneck, coordenador de Educação Física do Colégio Santo Agostinho, na cidade de Nova Lima – região metropolitana de Belo Horizonte – afirmou que a união dos trabalhadores nesse momento será fundamental para impedir qualquer retrocesso.


“Temos que marcar posição nessa atual conjuntura política que o país atravessa. Essa proposta de ‘reforma’ da Previdência prejudica todos os trabalhadores”.


Em seguida, ele questionou: Por que eles (governo Temer) não alteram as suas aposentadorias antes de atacar as nossas?


A auxiliar de administração escolar Kelli Gaudêncio, de 39 anos, funcionária da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), também criticou a atual proposta do governo e ressaltou que essa é uma luta de todos os trabalhadores.


“Essa é uma reclamação do setor público e particular. Por isso, essa é uma causa de todos nós”, argumentou ela.


Os diretores do sindicato Aloísio Dias, João Batista da Silveira, José Geraldo Vieira, Anderson Silva e todos os trabalhadores do sindicato também participaram da manifestação.  


Aposentadoria mais distante

A manifestação passou por diversas vias de Belo Horizonte, como as avenidas Amazonas, Olegário Maciel e praça Sete. Durante a caminhada, vários trabalhadores liberais e do comércio assistiram a passeata. A empregada doméstica Marli de Souza Cláudio, de 61 anos, era uma dessas pessoas que observavam os protestos.


A caminho do trabalho, ela contou que exerce a profissão há sete anos e contribui há 13 com a Previdência. Se a nova regra do governo for aprovada, dona Marli só vai se aposentar com 25 anos de contribuição, contra os atuais 15 anos que são exigidos pela lei.  
Para ela, a “reforma” vai prejudicar os mais pobres.


“Sou contra essa proposta”, afirmou ela.


O vendedor ambulante Marcos Alves, de 26 anos, que também estava na av. Amazonas durante a passeata, criticou a PEC 287/2016. Ele contribui há três anos para a Previdência e trabalha como ambulante há dois anos e meio. Se a “reforma” for aprovada, ele terá de contribuir por 25 anos.


“Eles (os patrões) falam que estamos atrapalhando o trânsito, mas estamos lutando pelos nossos direitos”, disse ele.


Clique aqui e veja as fotos do Dia Nacional da Greve na Educação. 


Crédito das fotos: Anderson Pereira

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