18 de mai de 2012

Greve dos servidores administrativos de escolas de Ibirité continua: categoria reivindica reajuste salarial de 22% e jornada de 30 horas semanais


Os trabalhadores administrativos da rede municipal de Educação de Ibirité, na Região Metropolitana de Belo Horizonte, realizarão uma nova assembleia para avaliar a greve, iniciada na última quarta-feira, 16. A assembleia será na próxima quarta-feira, 23, em frente à Prefeitura Municipal (Rua Arthur Campos, 906, bairro Alvorada), às 14h.
Professor da rede municipal de Ibirité, o diretor de Política Educacional da CTB Minas, Rafael Calado, tem participado do movimento. “É justa a indignação da categoria, pois escola não funciona somente com professores, diretores e vice-diretores. Os profissionais administrativos também são educadores e merecem ser respeitados e valorizados”, disse.
Para Calado, a tentativa do governo municipal de dividir a categoria é uma demonstração do descaso e falta de compromisso da prefeitura com o conjunto dos trabalhadores da rede municipal de Educação, estudantes e a população.
“Em março, após uma greve, os professores obtiveram 11% de reajuste salarial. Para os demais profissionais da Educação, após três rodadas de negociações, o governo municipal não ofereceu nenhum reajuste”, criticou o dirigente da CTB Minas.
Os trabalhadores administrativos das escolas de Ibirité reivindicam reajuste salarial de 22%, conforme o Fundeb, e redução da jornada de trabalho de 37 horas para 30 horas semanais.
Segundo o Sindicato Único em Educação em Ibirité (Sind-UTE), mais de 300 trabalhadores, o equivalente a 80% da categoria, e cerca de 25 escolas, aderiram à greve. A paralisação atinge os auxiliares de secretaria, biblioteca e administrativos; serventes e secretários escolares.
Sem cantineiras, em algumas escolas, diretores e vice-diretores estariam servindo leite com biscoito para os alunos.
Em protesto contra a intransigência do governo municipal, no dia 16 mais de 150 trabalhadores saíram em passeata pelas principais ruas do centro da cidade e fizeram uma manifestação em frente à sede da prefeitura.
Confira a nota divulgada pelo Sind-UTE de Ibirité sobre a greve:


Intransigência da prefeitura empurra setor administrativo das escolas a entrarem em greve
Educação palavra fácil de ser definida, mas difícil de ser construída. Uma Educação Pública de qualidade é resultado de um longo processo, que envolve família, comunidade, Poder Público, trabalhadores e alunos, ou seja, envolve toda a sociedade.
Os trabalhadores em Educação de Ibirité possuem essa compreensão. Ou seja, no nosso entendimento para o trabalho ser desempenhado de forma qualificada é preciso à união de esforços das famílias, funcionários, Poder Público e alunos. Nós entendemos que o ambiente escolar é coletivo e somente união dessas forças irá proporcionar um resultado positivo para os filhos de Ibirité.
Infelizmente, para a prefeitura, educação não se constrói dessa forma. Para eles o trabalho educacional é feito apenas pelos professores, especialistas e diretores. Ignorando o importante e fundamental papel desempenhado pelos serventes escolares, secretários escolares, auxiliares de secretaria escolar, auxiliar de biblioteca e auxiliares administrativos.
Não é possível construir uma educação sem esses profissionais, não é possível ver uma escola funcionar sem esses trabalhadores. Para o Sind-UTE-Ibirité todos aqueles que trabalham no ambiente escolar contribuem diretamente para a formação dos alunos e portanto são também educadores e merecem o mesmo respeito e tratamento que os demais profissionais.
Por isso convocamos a todos, trabalhadores, comunidade, pais e alunos a defenderem as reivindicações desse segmento, não contemplado pela
prefeitura no processo de campanha salarial. Solicitamos o envolvimento de todos para apontar ao poder público municipal, que educação é resultado da união de esforços dentro e fora do ambiente escolar.
Não adianta dividir, pois nossa união vai parar a Educação em Ibirité até nossas justas reivindicações sejam atendidas.
Por uma jornada de trabalho justa e de acordo com a realidade das demais redes de ensino do estado de Minas Gerais. Pela defesa de um salário digno com ganho real e valorização profissional. Por uma educação inclusiva e coletiva, abaixo o divisionismo pregado pela prefeitura e em nome da união de esforços para a construção de uma educação pública e de qualidade.
Nossas reivindicações:
- Redução da jornada de trabalho semanal para 30 horas (como ocorre nos municípios de Minas Gerais e o na Rede Estadual de Ensino. Os municípios de Sarzedo e Mário Campos, que se emanciparam há pouco tempo, aplicam esta jornada de trabalho, por que Ibirité insiste nesta injustiça com seus servidores?);
- Reajuste salarial já (os auxiliares administrativos escolares de Ibirité não tiveram nenhum reajuste salarial, nem sequer o índice inflacionário que é uma obrigação da prefeitura).

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