16 de mar de 2015

Sistema partidário é desafio para mulheres na política


















Participantes do ciclo de debates aderiram à campanha #MaisMulheresNaPolitica, promovida pela ALMG para incentivar a participação feminina na política - Foto: Sarah Torres


Participantes do ciclo de debates aderiram à campanha #MaisMulheresNaPolitica, promovida pela ALMG para incentivar a participação feminina na política












Os desafios para a maior participação feminina na política foram o centro das discussões do painel “Reforma política e a representação das mulheres no Brasil: Desafios atuais e propostas elaboradas”, que integrou a programação do Ciclo de Debates Reforma Política, Igualdade de Gênero e Participação: O que querem as mulheres de Minas, promovido pela Assembleia Legislativa de Minas Gerais (ALMG) nesta sexta-feira (13/3/15).

A deputada Rosângela Reis (Pros) destacou a luta da bancada de mulheres da ALMG pela igualdade de gênero e a recente criação da Comissão Extraordinária de Mulheres. “Participando e indo para as ruas é que vamos avançando”, defendeu.

A vereadora de Belo Horizonte Elaine Matozinhos defendeu mudanças na organização interna dos partidos políticos, de modo a assegurar mais apoio para as candidaturas femininas e voz ativa para as mulheres na política. Ela também levantou a questão da sobrecarga de atividades na rotina das mulheres, que também contribui para a baixa participação delas na política. “Precisamos conscientizar os homens sobre a divisão de tarefas no âmbito familiar”, afirmou.

Financiamento público de campanha é apontado como solução

Para a coordenadora do Sindicato Único dos Trabalhadores na Educação (Sind-UTE), Beatriz Cerqueira, o financiamento privado de campanha é responsável pela corrupção do País. Ela acredita que, a não ser que haja uma Constituinte exclusiva, a reforma política não sairá do papel. “O sistema e os partidos políticos nos excluem e fazem o possível para que continuemos excluídas. Quantas de nós conseguiríamos disputar uma eleição no atual sistema político?”, questionou.

A sindicalista também destacou que uma mulher ocupando um espaço de poder sempre tem de lidar com uma carga maior de ódio e machismo. “Quando um deputado federal diz que a colega deputada nem merece ser estuprada por ser muito feia e tudo fica como está, o empresário no condomínio de luxo acha que pode esfaquear a mulher na frente do filho. A violência contra a mulher está vindo dos espaços públicos”, afirmou.

A coordenadora do Núcleo de Estudos e Pesquisas sobre a Mulher (Nepem-UFMG), Marlise Matos, disse que muitas informações sobre a política são inacessíveis não só para as mulheres, mas para a população em geral. “Não é à toa. É para que as pessoas se afastem e os atuais poderosos se reelejam indefinidamente. Quem aqui sabe calcular o coeficiente eleitoral?”, provocou. Ela também se manifestou contra o que chamou de “câncer que mina o potencial transformador da política”: o financiamento empresarial de campanha.

Palestrantes falaram sobre financiamento de campanhas eleitorais, violência e discriminação contra as mulheres, entre outros
Palestrantes falaram sobre financiamento de campanhas eleitorais, violência e discriminação contra as mulheres, entre outros - Foto: Sarah Torres
 
Discriminação racial - A coordenadora do N'Zinga Coletivo de Mulheres Negras, Benilda Regina Brito, focou seu discurso na discriminação racial, que segundo ela perpassa todas as questões, inclusive as de gênero. “O mito de vivermos numa democracia racial prejudica um debate sério sobre o racismo. Mas as mulheres negras ganham 45% menos que as brancas. E a bancada de deputados federais é composta por 80% de homens brancos. Quando um Parlamento tem 0,6% de mulheres negras, fica difícil acreditar numa discussão séria e com a qualidade necessária de temas que interessem a elas”, disse.

Ela também frisou a necessidade de se acabar com o financiamento privado das campanhas eleitorais, para que as mulheres negras possam disputar as eleições em pé de igualdade com os homens.

PEC propõe reserva de vaga na Mesa da ALMG

Na fase de debates, as parlamentares cobraram mais espaço para elas na ALMG. A deputada Celise Laviola (PMDB) disse que a bancada de mulheres luta para conseguir que pelo menos uma mulher ocupe um dos sete cargos da Mesa. Para obter essa conquista, ela avalia que a melhor forma seria mudar o Regimento Interno e aprovar uma proposta de emenda à Constituição (PEC 16/15, que aguarda a designação de relator de 1º turno).

A deputada Marília Campos (PT) conclamou as mulheres presentes a apoiarem essa causa. “Entre 77 parlamentares, são só sete deputadas e só uma é vice-líder. Nas 22 comissões permanentes, apenas duas têm mulheres na vice-presidência. Para avançarmos, contamos com todas vocês, inclusive para lutarmos pela aprovação da PEC 16/15, disse”.

A deputada Geisa Teixeira (PT) afirmou estar muito feliz com a realização do ciclo de debates. “Neste ano, nossa bancada não quis entregar flores para as mulheres; e se voltou para os espinhos, para as dificuldades que elas têm para ocupar os espaços de poder”, disse.

Por fim, a deputada Rosângela Reis anunciou que nesta terça-feira (17), às 9h30, será realizada uma reunião preparatória para a fase de interiorização do ciclo de debates.

Fonte: ALMG

Nenhum comentário:

Postar um comentário