13 de jun. de 2016

Ruas de BH são tomadas com coro de “Fora Temer”



O Ato unificado “Fora Temer! Nenhum Direito a Menos”, organizado pela Frente Brasil Popular e Frente Brasil Sem Medo, levou mais de 40 mil pessoas às ruas da capital mineira na sexta-feira (10/06). Completando um mês de governo ilegítimo, Michel Temer acumula proposta que pretendem retirar direitos sociais além de denúncias de corrupção que atingem em cheio o primeiro escalão do seu minguado ministério. A manifestação em Belo Horizonte começou com a tradicional concentração na Praça Afonso Arinos.


Centenas de balões vermelhos davam tom à diversidade social que era vista nas ruas. Mulheres, homens, negros, brancos, índios, jovens e velhos ecoavam pelo centro da capital o grito que poderia ser escutado em vários quarteirões de distância: “Fora Temer!” e “Volta querida”. A manifestação desta vez seguiu caminho diferente e desceu pela Avenida Bias Fortes, passou pelo Mercado Central, até chegar na Praça Sete e terminar o ato na Praça da Estação.

Durante o trajeto era comum ver populares se somando as fileiras do protesto ao saírem do trabalho.  Representantes das ocupações Mata Machado, na Faculdade de Direito, Funarte, Ministério da Saúde e Centro de Referencia da Juventude estiveram no ato unificado.  Também estiveram presentes vários parlamentares mineiros como a deputada federal Jô Moraes (PcdoB), Wadson Ribeiro (PCdoB), Padre João (PT), o deputado estadual Rogério Correia (PT), e o vereador de Belo Horizonte, Gilson Reis (PCdoB).      

O presidente da CTB-Minas, Marcelino Rocha, informou que as mobilizações contra o golpe aconteciam simultaneamente em, ao menos, 19 estados brasileiros e refletem a revolta popular com o golpe encabeçado por Michel Temer e Eduardo Cunha.

Além de Belo Horizonte, houve manifestações contra o golpe em várias cidades  mineiras. A CTB-Minas esteve presente nos atos de Uberaba, Uberlândia, Pouso Alegre, Divinópolis, Governador Valadares, Juiz de Fora, Campo Grande, Ouro Preto e Varginha.










10 de jun. de 2016

É nesta sexta: ato Fora Temer vai ocupar as principais capitais brasileiras; confira atividades



Nesta sexta-feira, 10 de junho, Dia Nacional de Mobilizações, milhares de pessoas devem ocupar novamente as ruas das principais capitais brasileiras e cidades do exterior em um protesto contra o governo golpista de Michel Temer.
 
Organizado pela Frente Brasil Popular e Frente Povo Sem Medo, que congrega entidades dos movimentos sociais e sindical, o ato Fora Temer será realizado em todas as capitais brasileiras com as bandeiras ‘Fora, Temer’ e ‘nenhum direito a menos’. O ex-presidente Luís Inácio Lula da Silva participará do ato em São Paulo, que acontece a partir das 17h, no Vão Livre do Masp, na Avenida Paulista.
 
No primeiro dia do governo ilegítimo de Michel Temer cerca de 50 mil manifestantes tomaram as ruas em São Paulo, nos dias seguintes a cena se repetiu no Rio de Janeiro, Porto Alegre, Minas Gerais. Além dos movimentos, as mulheres e os estudantes também foram às ruas pelo menos duas vezes por semana.
 
Para o presidente da CTB, Adilson Araújo, o momento é de ampla resistência de todos os setores que lutam pelo estado democrático de direito e contra o golpe, sem trégua ao governo interino que vem atacando diariamente os direitos sociais e trabalhistas."Não iremos conciliar com o golpe e o projeto de retrocesso neoliberal em curso. A CTB definiu mobilização total para empreender a luta contra o governo ilegítimo, defender a democracia, a soberania e a valorização do trabalho".
 
Araújo conclama toda a militância da Central, bem como os dirigentes nos estados, a não medir esforços na mobilização em torno da agenda unitária dos movimentos sociais contra o golpe, da qual se destacam: o Dia Nacional de Mobilização contra o golpe em 10 de junho; a greve nacional dos portuários dia 13 e o ato público em Brasília em defesa da democracia, da Previdência Social e pelo retorno do Ministério do Desenvolvimento Agrário dia 16.

Confira abaixo a relação das atividades nos estados:

Veja aqui a lista de cidades onde os atos já foram marcados:

ACRE - RIO BRANCO 
17h – Em frente ao Estádio José de Melo 

ALAGOAS - MACEIÓ
09h – Praça do Centenário

AMAPÁ - MACAPÁ
15h – Ato em frente ao Teatro das Bacabeiras

BAHIA - SALVADOR
15h – Campo Grande
ITABUBA
14h – Jardim do Ó

CEARÁ - FORTALEZA
15h – Concentração na Praça Luiza Távora (Av. Santos Dumont)

DF - BRASÍLIA
17h – Concentração no Museu da República

ES - VITÓRIA
06h – Mobilização em frente a Petrobras /categoria fará paralisação de 24 h coordenada pelo Sindipetro,
- durante todo dia acampamento na praça Oito e Vitória, com telão informando que o golpe é contra o trabalhador
17h - concentração no Tancredão
18h - caminhada até a Praça Oito encerramento com ato em defesa da democracia e contra o golpe

GO - GOIÁS
09h - em frente à Superintendência do INSS, na Avenida Goiás.
16h - Concentração em frente ao Tribunal de Justiça de Goiás, onde será denunciada a criminalização dos movimentos sociais - prisão de militantes do MST.
Após esse ato, os manifestantes seguirão em passeata até a Praça Universitária, onde acontecerá um evento cultural.

MG - BELO HORIZONTE
17h - Praça Afonso Arinos
UBERABA
Praça dos Correios
POUSO ALEGRE
18h - Praça Senador José Bento
UBERLÂNDIA
17h - Praça Clarimundo Carneiro
DIVINOPÓLIS
17h- Quarteirão fechado na Rua São Paulo
GOVERNADOR VALADARES
17h – Praça dos Pioneira (dia 9/6)
JUIZ DE FORA
17h – Praça da Estação
MS - CAMPO GRANDE
09h - Praça do Rádio

MT - CUIABÁ
15h - Praça da República
RONDONOPOLIS
17h – Praça Brasil

PA - BELÉM
17h - Concentração na Praça da República
Em seguida, caminhada até o Mercado de São Brás - mais ou menos 3 km de distância.

PB - JOÃO PESSOA
15h - Concentração no Liceu Paraibano e caminhada pelo centro de João Pessoa
CAMPINA GRANDE
08h – Praça Clementino Procópio

PE - RECIFE
15h – Concentração na Praça da Democracia (Derby).

PI - TERESINA
16h - Praça Pedro II

PR - CURITIBA
14h - Praça Santos Andrade
FOZ DO IGUAÇU
08h - em frente à Ono Music Hall (após o desfile)
MARINGÁ
16h - Praça Raposo Tavares

RJ - RIO DE JANEIRO
17h - Candelária
Depois, caminhada até a Praça XV onde o ato termina com um grande baile/concerto com várias apresentações artísticas e musicais.
CAMPOS
16h – Calçadão (Caixa Econômica Federal)

RN - NATAL
16h – Concentração em frente ao Midway
MOSSORÓ
11h – Praça da Liberdade, em frente ao Mercado Central

RO - PORTO VELHO
16h - Concentração na Praça do Baú, Avenida 7 de Setembro - Centro

RR -BOA VISTA
17h Concentração na Praça do Centro Cívico

RS - PORTO ALEGRE
17h - Esquina Democrática

SC - FLORIANÓPOLIS
15h - Concentração na Tancredo Neves
CHAPECÓ
17h – Praça Coronel Belastro (no dia 9/6)

SE - ARACAJU
15h – Praça General Valadão

SP - SÃO PAULO
14h – 2º encontro LGBT da UNE
17h - ATO FORA TEMER - Concentração em frente ao MASP (Avenida Paulista)

TO - PALMAS
16h – Avenida JK (em frente a TV Anhanguera)

7 de jun. de 2016

De uma canetada só, Temer corta mais de 400 milhões da Infraestrutura, Saúde e Turismo


De uma canetada só o presidente interino, o conspirador Michel Temer, suspendeu o empenho de mais de R$ 400 milhões em ministérios como Cidades, Saúde, Turismo e Integração Nacional. Os recursos liberados pela presidenta Dilma Rousseff e seriam destinados para infraestrutura, saúde e o mercado do turismo, uma dos setores que mais cresceu nos últimos 14 anos.
Segundo mapeamentos dessas pastas, o Ministério das Cidades suspendeu repasses de quase R$ 300 milhões –metade disso já empenhada–, enquanto o Turismo cancelou a liberação de R$ 87,4 milhões. No caso da Saúde, suspendeu-se o empenho de R$ 40 milhões.
Para o presidente d CTB, Adilson Araújo, a sanha do governo golpista não tem outro objetivo senão esmagar todos os direitos. "A política de austeridade do governo ilegítimo prevê uma redução de 1,5% a 2% do PIB nos gastos e investimentos públicos e o congelamento do valor real das despesas públicas, que não podem crescer acima da inflação. Pretende-se ainda a ampliação (para 50%) da Desvinculação das Receitas da União (DRU). Ou seja, dois pilares do desenvolvimento, Saúde e Educação, estão na mira do governo golpista", alerta o dirigente.
"O objetivo do pacote de horrores é beneficiar os capitalistas rentistas e financistas – os grandes vitoriosos do momento – para que paguem menos impostos", destacou. Araújo ainda lembrou que "com o pretexto é a crise fiscal, argumento falso, o golpista Temer segue defendendo que a Constituição de 1988 não cabe no PIB e de canetada em canetada retira descaradamente direitos sociais e trabalhistas centrais para o nosso povo".
Portal CTB - Joanne Mota, com informações da Folha de SP

31 de mai. de 2016

Única saída democrática é retorno da presidenta eleita, diz professor de direito

Em audiência pública na ALMG, professor compara situação brasileira a Paraguai e Honduras e diz que novo pleito será próximo passo.
                                              

O golpe camuflado de processo de impeachment da presidente legitimamente eleita Dilma denunciado em audiência pública da Comissão de Direitos Humanos da Assembleia Legislativa de Minas Gerais (ALMG). Na reunião, realizada na manhã desta terça-feira (31/5/16), o professor da Faculdade de Direito da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), José Luiz Quadros, disse que trata-se de um golpe similar aos já concretizados em outros países latinos, Honduras e Paraguai. Ele ressaltou que nesses dois países a convocação de novas eleições serviu para calar quem denunciava a tomada arbitrária de poder. “No Brasil, esse governo surreal de homens ricos, brancos e processados não vai se sustentar e a tese das eleições começa a ganhar fôlego. Está no manual, é o próximo passo do golpe”, disse.
O professor de direito afirmou, ainda, que estaríamos vivendo o que ele chama de “surrealismo político”. “Uma presidenta afastada - contra a qual não há processo, denúncia ou delação – e substituída por um governo onde todos respondem a processos. É golpe e já foi inclusive confessado nas gravações vazadas recentemente”, afirmou. Para José Luiz Quadros, a única saída democrática para a atual crise seria o retorno da presidenta eleita sem que a sociedade civil saia das ruas.
Propostas do governo golpista recebe criticas  
Os convidados chamaram a atenção não apenas para o processo de afastamento da presidente Dilma, mas para as propostas que têm sido apresentadas, e algumas já aprovadas, pelo governo interino de Michel Temer. Para os participantes da audiência as medidas anunciadas vão piorar o desemprego e causar danos à classe trabalhadora. Os riscos de flexibilização das leis trabalhistas, de terceirização e de reforma da previdência social foram apontados como propostas do governo golpista.
O deputado Rogério Correia (PT) e a deputada Marília Campos (PT) criticaram os cortes sociais anunciados pelo governo Temer e a guinada do projeto que não foi eleito pelo povo.
Jornalista destaca papel da imprensa
O presidente do Sindicato dos Jornalistas de Minas Gerais, Kerrison Lopes, destacou o papel da imprensa e disse que os governos de Lula e Dilma não teriam enfrentado os conglomerados de mídia da forma como deveriam ter feito para conseguir uma imprensa efetivamente democrática. Na avaliação dele, bastava regulamentar dispositivos constitucionais, como a proibição de propriedade cruzada de veículos de comunicação. Segundo Kerrison Lopes, a imprensa internacional inicialmente comprou o discurso dos veículos nacionais, mas após a votação do pedido de impeachment na Câmara dos Deputados no dia 17 de abril já teria chegado ao consenso de que tratou-se de um golpe.
Democratizar todas as instituições, especialmente o Judiciário e o Ministério Público, foi a necessidade defendida pelo procurador de Justiça Afonso Henrique Miranda Teixeira. “Precisamos de negros e pobres não apenas nas universidades, mas também nessas instituições, que hoje são ocupadas apenas por membros da elite que puderam frequentar boas escolas e, assim, serem aprovados no concurso. Essas instituições têm sido fiéis ao que representam, as elites, apesar de infiéis aos seus deveres constitucionais”, disse. Para ele, o País não havia conquistado um efetivo Estado Democrático, mas vivia-se em um Estado de Direito que, agora, teria sido substituído por um Estado de Exceção.
A presidente da União Estadual dos Estudantes do Estado de Minas Gerais, Luanna Kathleen Paiva Ramalho, salientou que, se antes a juventude se reunia para discutir como avançar, agora é para debater como não retroagir. O representante do Movimento dos Atingidos por Barragens, Mateus Vaz de Melo, por sua vez, disse que se antes as críticas à condução do golpe eram acusadas de serem teorias da conspiração, agora os áudios vazados demonstram que não eram. “Não há mais espaço para dúvidas”, disse.
Editado a partir das informações da ALMG

Direção eleita do Sindicato de Unaí visita CTB-MG



A nova direção eleita do SINDSMAIU – Sindicato dos Servidores Ativos e Inativos de Unaí realizou nesta terça-feira (31) uma visita a sede da CTB/MG. Foi realizada uma importante reunião para tratar de assuntos sobre a situação dos servidores públicos diante da conjuntura política brasileira totalmente desfavorável aos trabalhadores brasileiros. A preocupação é com a sinalização do governo Temer que dará andamento a diversos projetos que tramitam no Congresso Nacional e que têm como objetivo retirar conquistas recentes dos servidores públicos, trabalhadores em geral e amplos setores da sociedade, representando um enorme retrocesso.

Além da nova Presidenta Rosalda de Oliveira Campos, estiveram presentes o Diretor Financeiro Vicente Ferreira e a advogada Mariana Souto.



Representando a CTB Minas, participaram José Antonio – o Jota, Leonardo Luiz de Freitas, Gelson Alves, Carlos Baromeu e Jose Carlos Maia. A reunião contou com a presença do diretor Oquenes da cidade de  Raposos, Jose Divan de Arinos, Marcos Roberto de Unaí e Giovani José do Sitramico. Os dirigentes presentes apontaram diversas demandas e assumiram o compromisso de continuar na luta junto com a CTB na defesa dos servidores públicos e da classe trabalhadora. 

Na porta do INSS-BH, aulão leva debate sobre os riscos à previdência no governo golpista



Uma proposta de dialogo aberto e itinerante com a população para mostrar os impactos na vida dos(as) brasileiros(as) se forem implantadas as propostas do governo golpista de Temer. Foi com esse objetivo que a Frente Brasil Popular em Minas foi para porta da Agência da Previdência da rua Tupinambas, centro de Belo Horizonte. na tarde desta terça-feira (31/05). A Central dos Trabalhadores e Trabalhadoras do Brasil (CTB) e a Central Única dos Trabalhadores (CUT) promoveram uma aula sobre a reforma da previdência pretendida pelo governo que mesmo transitório já faz um estrago nos direitos sociais nos últimos 20 dias. Ações como esta aconteceram em todo o país e fazem parte da reação dos movimentos populares, sindicais, estudantis e progressistas contra o golpe.

Para explicar à população qual o impacto da proposta de Temer, se a reforma passar, foram apresentados casos concretos de trabalhadores que procuravam a Agência do INSS. Em uma das situações, o trabalhador que aguardava atendimento espera sua aposentadoria para daqui um ano e meio. Com a reforma de Temer, ele precisaria de mais 10 anos para conquistar o benefício. Para mulheres, professores(as) e trabalhadores(as) rurais a situação se agrava ainda mais. A presidenta do Sindicato dos Professores de Minas Gerais (Sinpro/MG), Valéria Morato, presente no aulão mostrou que tem muito a temer se a reforma for aplicada: ao invés de dois anos para poder entrar com pedido de aposentadoria, o seu tempo de trabalho iria aumentar em mais 20 anos.

Beatriz Cerqueira conversa com as pessoas que aguardavam atendimento para ilustrar os riscos em cada caso


Público não é privado  


O presidente O presidente da CTB-MG, Marcelino Rocha alertou à população para o risco dessa concepção privatista que volta a rondar o Brasil. Para ele também está no debate a privatização da previdência que trará danos ao desenvolvimento e consequentemente às diversas políticas sociais. “Essa discussão também atinge toda a classe trabalhadora, acabando com a política de valorização do salário mínimo, várias categorias também sofrem e os primeiros atingidos serão os(as) aposentados(as).”



A presidenta da CUT-MG Beatriz Cerqueira também chamou atenção para o envolvimento de todos no debate. Segundo ela, dois retrocessos diretos prejudicam a vida dos(as) trabalhadores(as): o aumento do tempo de contribuição e a idade mínima para se aposentar. “Agora o debate é ter 65 anos para se aposentar, daqui a pouco estamos trabalhando todos de bengala. Esse governo enxerga a previdência como um consumo e não como um direito social”.  




Os ataques às conquistas dos brasileiros não se restringe a previdência. Saúde, educação, cultura e diversos programas sociais estão em xeque. Além do projeto “Ponte para o futuro”, criado pelo governo golpista que claramente retira direitos da classe trabalhadora, ministros do atual (des)governo se posicionam com propostas que ameaçam as conquistas sociais. Em contraponto, a cada dia um protesto acontece. Na noite de ontem (30), a Praça Sete – coração da capital – recebeu manifestação em defesa do SUS.       



Protesto em defesa do SUS na Praça Sete

Centro da capital ficou tomado por faixas 



No dia 10 de junho está convocado em todo o país um grande ato Fora Temer. Atividades promovidas pelos movimentos sociais devem se intensificar  nos próximos dias.  

25 de mai. de 2016

Em gravação com Machado, Renan também sugere envolvimento do STF no Golpe


O presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL), disse em conversa gravada pelo ex-presidente da Transpetro Sérgio Machado que apoia uma mudança na lei que trata da delação premiada de forma a impedir que um preso se torne delator -procedimento central utilizado pela Operação Lava Jato.
Renan sugeriu que, após enfrentar esse assunto, também poderia “negociar” com membros do STF (Supremo Tribunal Federal) “a transição” de Dilma Rousseff, presidente hoje afastada.
Machado e Renan são alvos da Lava Jato. Desde março, temendo ser preso, Machado gravou pelo menos duas conversas entre ambos. A reportagem obteve os áudios. Machado negocia um acordo de delação premiada.
Ele também gravou o senador Romero Jucá (PMDB-RR), empossado ministro do Planejamento no governo Michel Temer. A revelação das conversas pela Folha na segunda (23) levou à exoneração de Jucá.
Em um dos diálogos com Renan, Machado sugeriu “um pacto”, que seria “passar uma borracha no Brasil”. Renan responde: “antes de passar a borracha, precisa fazer três coisas, que alguns do Supremo [inaudível] fazer. Primeiro, não pode fazer delação premiada preso. Primeira coisa. Porque aí você regulamenta a delação”.
A mudança defendida pelo peemedebista, se efetivada, poderia beneficiar Machado. Ele procurou Jucá, Renan e o ex-presidente José Sarney (PMDB) porque temia ser preso e virar réu colaborador.
“Ele está querendo me seduzir, porra. […] Mandando recado”, disse Machado a Renan em referência ao procurador-geral da República, Rodrigo Janot.
Renan, na conversa, também ataca decisão do STF tomada ano passado, de manter uma pessoa presa após a sua segunda condenação.
O presidente do Senado também fala em negociar a transição com membros do STF, embora o áudio não permita estabelecer com precisão o que ele pretende.
Machado, para quem os ministros “têm que estar juntos”, quis saber por que Dilma não “negocia” com os membros do Supremo. Renan respondeu: “Porque todos estão putos com ela”.
Para Renan, os políticos todos “estão com medo” da Lava Jato. “Aécio [Neves, presidente do PSDB] está com medo. [me procurou] ‘Renan, queria que você visse para mim esse negócio do Delcídio, se tem mais alguma coisa'”, contou Renan, em referência à delação de Delcídio do Amaral (ex-PT-MS), que fazia citação ao tucano.
Renan disse que uma delação da empreiteira Odebrecht “vai mostrar as contas”, em provável referência à campanha eleitoral de Dilma. Machado respondeu que “não escapa ninguém de nenhum partido”. “Do Congresso, se sobrar cinco ou seis, é muito. Governador, nenhum.”
O peemedebista manifestou contrariedade ao saber, pelo senador Jader Barbalho (PMDB-PA), que o presidente afastado da Câmara, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), esteve com Michel Temer em março.
Em dois pontos das conversas, Renan e Machado falam sobre contatos do senador e de Dilma com a mídia, citando o diretor de Redação da Folha, Otavio Frias Filho, e o vice-presidente Institucional e Editorial do Grupo Globo, João Roberto Marinho. Renan diz que Frias reconheceu “exageros” na cobertura da Lava Jato e diz que Marinho afirmou a Dilma que havia um “efeito manada” contra seu governo.
Trecho:
MACHADO – É o seguinte, o PSDB, eu tenho a informação, se convenceu de que eles é o próximo da vez.
RENAN – [concordando] Não, o Aécio disse isso lá. Que eu sou a esperança única que eles têm de alguém para fazer o…
MACHADO – [Interrompendo] O Cunha, o Cunha. O Supremo. Fazer um pacto de Caxias, vamos passar uma borracha no Brasil e vamos daqui para a frente. Ninguém mexeu com isso. E esses caras do…
RENAN – Antes de passar a borracha, precisa fazer três coisas, que alguns do Supremo [inaudível] fazer. Primeiro, não pode fazer delação premiada preso. Primeira coisa. Porque aí você regulamenta a delação e estabelece isso.
MACHADO – Acaba com esse negócio da segunda instância, que está apavorando todo mundo.
RENAN – A lei diz que não pode prender depois da segunda instância, e ele aí dá uma decisão, interpreta isso e acaba isso.
MACHADO – Acaba isso.
RENAN – E, em segundo lugar, negocia a transição com eles [ministros do STF].
MACHADO – Com eles, eles têm que estar juntos. E eles não negociam com ela.
RENAN – Não negociam porque todos estão putos com ela. Ela me disse e é verdade mesmo, nessa crise toda –estavam dizendo que ela estava abatida, ela não está abatida, ela tem uma bravura pessoal que é uma coisa inacreditável, ela está gripada, muito gripada– aí ela disse: ‘Renan, eu recebi aqui o Lewandowski, querendo conversar um pouco sobre uma saída para o Brasil, sobre as dificuldades, sobre a necessidade de conter o Supremo como guardião da Constituição. O Lewandowski só veio falar de aumento, isso é uma coisa inacreditável’.

Diário do Centro do Mundo/Folha

Segundo turno do golpe começa com clima de virada da resistência



A capital mineira pode ter se tornado o marco para um segundo momento da trama política com a reação popular ao golpe. Na última sexta-feira (20/05) Belo Horizonte se preparou para receber a presidenta Dilma que iria  participar do 5o Encontro de Blogueir@s e Ativistas Digitais, primeira aparição pública depois de seu afastamento. Um ato espontâneo dos belo-horizontinos superou a convocação da Frente Brasil Popular e levou de forma rápida mais de 40 mil pessoas para frente do hotel que acontecia o encontro.  Dilma foi ovacionada e recebida por um ato emocionante de apoio. Frases como “Fora Temer” e “Volta querida” ecoaram pelas ruas próximas ao hotel.

A presidenta legitimamente eleita foi recepcionada pelo presidente da  CTB/MG, Marcelino da Rocha e a presidenta da CUT/MG Beatriz Cerqueira. Dezenas de manifestações de carinho se juntou a soltura de balões vermelhos que levaram o símbolo da liberdade aos céus da capital. As centrais sindicais e as entidades que compõem a Frente Brasil Popular seguiram com a manifestação até a porta da Funarte, onde ocorre mais uma ocupação das 22 espalhadas por todo o País em protesto contra o golpe.    



Do lado de dentro, Dilma Rousseff disse estar surpresa e chorosa com a enxurrada de apoio que acabava de receber. A emoção, porém, não afastou a sua força para reafirmar que irá resistir até o fim e desmascarar os golpistas na segunda fase do processo no Senado.  Na abertura do encontro, Dilma denunciou o projeto golpista de desmonte do Estado com algumas das ações que já ganharam as manchetes do jornal nesse período de governo ilegítimo. A presidenta também se defendeu mais uma vez das acusações. Segundo ela, o conteúdo dos decretos que fazem parte da peça de acusação são idênticos a outros assinados por ex-presidentes. Ela citou o caso de Fernando Henrique Cardoso que durante seu mandato assinou 30 decretos iguais aos seis que foram apresentados pelos autores do impeachment. “Não era crime naquela época e não é crime agora” reafirmou.     

Derrotar o golpe
A capacidade de reverter o quadro de golpe no Brasil foi reafirmada por todos os participantes das mesas de debate do encontro que aconteceu até domingo. O presidente da CTB/MG, que esteve na manifestação no dia anterior, conduziu as duas mesas do debate da manhã junto com a presidenta da CUT/MG, Beatriz Cerqueira. “Foi montado uma máfia em Brasilia, e em sete dias fizeram mais assaltos aos direitos individuais e coletivos ao povo brasileiro do que em décadas passadas. Espero que a gente possa nas ruas com muita ousadia reverter esse quadro”


O jornalista e blogueiro Paulo Moreira Leite reafirmou por diversas vezes que acredita que o golpe pode ser derrotado. “A resistência da população ao golpe começou antes do golpe, continuou e tende a prosseguir. A manifestação em BH foi um marco, um protesto importantíssimo de resistência popular.” Paulo Moreira Leite também chamou atenção para a imposição da pauta golpista no Congresso que derrotada quatro vezes nas eleições.    

Contrainformação



O papel da comunicação no enfrentamento do golpe também foi tema de debate. Para Laula Capriglione, idealizadora do Jornalistas Livres, o momento é fundamental para dialogar com a classe média que começa a entender os riscos do golpe. Para ela a desconfiança básica com a rede Globo foi introduzida na “corrente sanguínea da população brasileira”. Laura alertou também para que o ativismo digital não favoreça mentiras que podem prejudicar o debate. “Os golpitas vão jogar cascas de bananas para a gente cair. É preciso saber disso e não cair. Espalhar informações sem credibilidade é uma casca de banana para depois eles nos acusar” alertou.

A voz da antinarrativa também foi defendida por Marco Weissheimer, jornalista e blogueiro de Santa Catarina.  Para ele, o que acontece no Brasil é um combate a onda fascista que cresce em escala mundial. “O Brasil não é um ponto fora da curva, o que está acontecendo aqui, está acontecendo – com diferenças e escalas – na Argentina, na Bolívia, na Venezuela, no Equador e em vários países.”

Direito à comunicação
Na segunda mesa, os participantes destacaram as ameaças à comunicação pública, ao marco civil regulatório e a internet no Brasil. Esses ataques tem ações concretas do novo governo golpista que nas primeiras medidas demitiu ilegalmente o presidente da Empresa Brasil de Comunicação (EBC). O retrocesso pode ser ainda maior com risco direto à construção da comunicação pública, segundo uma das coordenadoras do Fórum Nacional de Democratização da Comunicação (FNDC), Rosane Bertolli.


    
A internet como conhecemos hoje também é alvo da pauta conservadora do Congresso que ganha força com a equipe de Temer/Cunha. De acordo com Bia Barbosa, do Coletivo Intervozes, as mudanças nas leis podem intervir radicalmente nos direitos dos internautas. Para ela estão claramente ameaçados a neutralidade na rede e o acesso à internet. A neutralidade diz respeito a visualização do conteúdo, um principio em disputa em todo mundo. Mantida a neutralidade, não se pode priorizar um conteúdo sob o outro. Então, portais da grande mídia tem o mesmo critério de acesso que blogs progressistas, por exemplo. Outros projetos que censuram e espionam o usuário na internet podem entrar em pauta a qualquer momento na Câmara. Limitar a franquia na internet fixa também é uma sanha do mercado que pode vir com mais força com os usurpadores no poder.

Cultura
O teatrólogo Marcelo Bones esteve no encontro para relatar o posicionamento da Frente Nacional do Teatro, criado a partir do movimento de ocupações de sedes do Ministério da Cultura em 23 estados. Bones afirmou que tem convicção de que o fim do MinC não é provocado pelo desejo de eficiência dos gastos públicos, mas sim para desmontar o que foi criado nos últimos anos. De acordo com ele, a luta dos(as) artistas não termina com a volta do MinC porque a trincheira que foi construída é contra o golpe.      



Carta
Os(as) blogueiros(as) e ativistas digitais aprovaram ao final do encontro um documento com diretrizes de luta. A Carta de Belo Horizonte estabelece as ações dos(as) ativistas para enfrentar o governo ilegítimo que se instalou no Brasil no último dia 12.

  

23 de mai. de 2016

Gravação com Jucá revela que impeachment foi pacto para deter a Lava Jato



Em diálogos gravados em março passado, o ministro do Planejamento, senador licenciado Romero Jucá (PMDB-RR) sugeriu ao ex-presidente da Transpetro Sérgio Machado que uma "mudança" no governo federal resultaria em um pacto para "estancar a sangria" representada pela Operação Lava Jato, que investiga ambos.
Segundo reportagem de Rubens Valente, as conversas, que estão em poder da PGR (Procuradoria-Geral da República), ocorreram semanas antes da votação na Câmara que desencadeou o impeachment da presidente Dilma Rousseff.
Machado se mostrou preocupado com o envio do seu caso para a PF de Curitiba e chegou a fazer ameaçadas: "Aí fodeu. Aí fodeu para todo mundo. Como montar uma estrutura para evitar que eu 'desça'? Se eu 'descer'...".
O atual ministro afirmou que seria necessária uma resposta política: "Se é político, como é a política? Tem que resolver essa porra. Tem que mudar o governo para estancar essa sangria", diz Jucá. Ele acrescentou que um eventual governo Michel Temer deveria construir um pacto nacional "com o Supremo, com tudo". Machado disse: "aí parava tudo".
Segundo Jucá, "ministros do Supremo" teriam relacionado a saída de Dilma ao fim das pressões da imprensa e de outros setores pela continuidade das investigações da Lava Jato. O ministro do Planejamento afirmou que tem "poucos caras ali [no STF]" ao quais não tem acesso e um deles seria o ministro Teori Zavascki, relator da Lava Jato no tribunal, a quem classificou de "um cara fechado".
O atual ministro concordou que o envio do processo para o juiz Sérgio Moro não seria uma boa opção e o chamou de "uma 'Torre de Londres'", em referência ao castelo da Inglaterra em que ocorreram torturas e execuções entre os séculos 15 e 16. Segundo ele, os suspeitos eram enviados para lá "para o cara confessar".
Na conversa, eles dizem que o único empecilho no pacto era o presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL), porque odiaria Cunha. "Só Renan que está contra essa porra. 'Porque não gosta do Michel, porque o Michel é Eduardo Cunha'. Gente, esquece o Eduardo Cunha. O Eduardo Cunha está morto, porra", afirma Jucá no diálogo, que foi gravado.
"O Renan reage à solução do Michel. Porra, o Michel, é uma solução que a gente pode, antes de resolver, negociar como é que vai ser. 'Michel, vem cá, é isso e isso, isso, vai ser assim, as reformas são essas'", disse Jucá ao ex-presidente da Transpetro.
O advogado do ministro do Planejamento, Antonio Carlos de Almeida Castro, o Kakay, afirmou que seu cliente "jamais pensaria em fazer qualquer interferência" na Lava Jato e que as conversas não contêm ilegalidades.

Brasil 247